O Debate em Davos: A Ordem Internacional sob Análise Crítica
Um tema de intensa discussão no cenário geopolítico atual ganhou destaque com o discurso do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos. Em um momento de profundas transformações e crescentes tensões, Carney trouxe à tona a gravidade das rupturas nas relações internacionais, caracterizadas por uma desinibição alarmante no uso da força. Sua fala, que reconhece a seriedade do presente, reafirma valores democráticos e convoca outras nações, especialmente as chamadas “potências médias”, a assumir uma responsabilidade histórica para reagir a essa desordem.
Apesar do mérito em reconhecer a mudança do cenário global, que de fato se deteriorou, e a necessidade de pragmatismo nas relações entre países, o discurso de Carney apresentou uma premissa controversa. Ele sugeriu que a ordem internacional estabelecida no pós-Segunda Guerra Mundial teria sido uma grande hipocrisia, chegando a insinuar uma comparação com o regime comunista. Essa interpretação, no entanto, é vista por muitos analistas como conceitualmente equivocada, pois enfraquece a própria causa que ele busca defender: a restauração da estabilidade e do respeito às normas internacionais.
A tese de que a ordem internacional morreu ou foi sempre uma farsa pode conceder uma vitória prematura à desordem, ignorando a resiliência dos princípios que a sustentam. Líderes e governos são transitórios, mas os fundamentos do direito internacional e da cooperação permanecem. As ações de figuras como Donald Trump, embora desestabilizadoras, são contingentes e dependem da resposta dos demais líderes globais. A análise a seguir aprofunda essas questões, conforme informações analisadas.
A Falsa Premissa da Hipocrisia: Entendendo a Ordem Liberal
A ordem internacional liberal, concebida no pós-guerra e moldada por instituições como a ONU e Bretton Woods, jamais foi apresentada como um sistema perfeito ou infalível. Pelo contrário, ela sempre coexistiu com a realidade incômoda de que as grandes potências, quando percebiam seus interesses vitais ameaçados, podiam e de fato violavam normas, tratados e princípios, aplicando a lógica da força quando lhes era conveniente. Essa dinâmica de poder e as falhas inerentes ao sistema nunca foram segredos para observadores ou participantes da política global.
No entanto, reconhecer essa fragilidade estrutural não equivale a declarar a falsidade moral da ordem. Tratá-la como uma grande mentira, uma ficção sustentada pela hipocrisia das nações, é uma simplificação perigosa. Em vez disso, é mais preciso aceitar que a política internacional, assim como qualquer construção humana, reflete a condição humana em si, com todas as suas fraquezas, contradições e imperfeições. É precisamente por essa razão que a fidelidade e o zelo incondicional aos princípios da ordem internacional se tornam ainda mais imprescindíveis.
A ideia de que a ordem era uma