A discussão sobre a responsabilidade social das empresas tem ganhado destaque no cenário global, com termos como DEI, ESG e a própria “responsabilidade social” sendo amplamente debatidos.

Muitos argumentam que as companhias devem ir além do lucro, focando em impactos sociais e ambientais. No entanto, essa visão contrasta fortemente com princípios econômicos clássicos que defendem uma abordagem mais focada na geração de riqueza.

Para entender melhor essa complexa questão, é essencial revisitar as raízes do pensamento econômico e suas implicações para a atuação corporativa, conforme um artigo que aborda essa temática.

A Visão Clássica: Lucro como Responsabilidade Primária

Milton Friedman, renomado economista, afirmou há muitos anos que existe “uma e apenas uma responsabilidade social das empresas – usar seus recursos e se envolver em atividades que aumentem seus lucros, mantendo-se dentro das normas vigentes, promovendo uma concorrência livre e aberta, sem enganar terceiros e sem fraudes.”

Essa perspectiva clássica sugere que a principal função de uma empresa é gerar valor para seus acionistas, operando dentro dos limites legais e éticos. Qualquer desvio dessa finalidade seria uma distorção de seu propósito.

Alguns pensadores alertam para o risco de adicionar o termo “social” a conceitos comuns, transformando-os em ferramentas de demagogia e populismo, com o objetivo de enganar os menos favorecidos e extorquir os mais ricos.

Capitalismo e Progresso Humano: Uma Perspectiva Histórica

O sistema capitalista, impulsionado pela Revolução Industrial, é apontado como o principal motor do avanço no padrão de vida da humanidade. Esse processo resultou em progressos científicos, melhorias sanitárias e aumento da produção agrícola.

Entre 1800 e 2015, a população mundial cresceu de aproximadamente 1 bilhão para mais de 7,3 bilhões de pessoas, um testemunho do progresso alcançado. Jonathan Haidt, em seu livro “The Righteous Mind”, discute as diferentes percepções de valores entre culturas individualistas ocidentais e coletivistas orientais.

Essas diferenças, segundo Haidt, podem, por vezes, impedir que pessoas inteligentes reconheçam o óbvio: o capitalismo foi fundamental para a melhoria da qualidade de vida global.

A Mão Invisível de Adam Smith: Individualismo e Bem-Estar Coletivo

Adam Smith, em sua obra “A Riqueza das Nações”, explica como o esforço individual para melhorar a própria vida pode resultar no enriquecimento e bem-estar de todos. Nas palavras de Smith, “O esforço natural de cada indivíduo para melhorar sua própria condição, quando se permite que ele atue com liberdade e segurança, constitui um princípio tão poderoso, que, por si só, e sem nenhuma outra ajuda, é capaz de levar a sociedade à riqueza e à prosperidade.”

Um exemplo prático é o padeiro que faz pão para ganhar dinheiro e sustentar-se. Ao buscar seu próprio interesse, ele garante que as pessoas tenham pão fresco todos os dias. Smith destaca: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse.”

Essa é a famosa “mão invisível” do mercado, que descreve como o livre mercado incentiva os indivíduos a, agindo em seu próprio interesse, produzirem o que é socialmente necessário, sem a necessidade de uma entidade centralizada.

O Papel das Empresas na Sociedade Moderna: Financiando o Estado e a Liberdade

Os argumentos de Adam Smith refutam a ideia de uma economia dirigida pelo Estado, enfatizando que o aumento do bem-estar e da riqueza é fruto da ação individual de milhares de pessoas, cada uma buscando seu próprio progresso.

A busca individual por satisfação e avanço é o que, em última instância, eleva a riqueza e o bem-estar coletivo. Essa mesma lógica se aplica às empresas, cuja busca por lucros move a economia e a sociedade.

Os resultados gerados pelas empresas, como lucros, empregos e investimentos, são a base para a criação do Estado moderno. São os lucros, transformados em impostos, que financiam o governo e possibilitam a liberdade que hoje consideramos um direito.

Empresas, através de seus impostos, financiam até mesmo os salários de alguns de seus maiores críticos, como professores de universidades públicas. A verdadeira responsabilidade social das empresas, portanto, reside em administrar negócios de sucesso e cumprir as regras estabelecidas, contribuindo assim para a prosperidade geral.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Eleição ao Senado em 2026: Por Que a Disputa por 54 Cadeiras Moldará o Futuro Político do Brasil e o Equilíbrio de Poder?

As eleições de 2026 prometem ser um divisor de águas na política…

EXCLUSIVO: Auditores do TCU Desmascaram Tentativa de Interferência na Regulação Bancária e Afastam Negligência do Banco Central no Caso Master

Auditores da unidade especializada Audbancos, do Tribunal de Contas da União (TCU),…

Trump reconsidera ataque ao Irã após declarar que regime não planeja executar manifestantes em protestos

Trump declara que execuções de manifestantes no Irã foram suspensas e condiciona…

Reforma Tributária: Como Estados e Municípios Reconfiguram seu Papel e a Autonomia Fiscal com o Novo IBS

A Nova Reforma Tributária Brasileira e o Impacto Direto em Estados e…