Abel Ferreira se pronuncia sobre racismo e aponta crise de valores na sociedade
O técnico português Abel Ferreira, comandante do Palmeiras, manifestou forte descontentamento e preocupação com o caso de suposto racismo envolvendo o jogador Vinícius Júnior, do Real Madrid, e Prestianni, do Benfica, durante uma partida da Champions League. Em vez de focar apenas no incidente específico, Abel Ferreira direcionou sua crítica para um problema mais amplo: a crise de valores humanos na sociedade contemporânea.
O treinador do clube paulista, conhecido por suas opiniões contundentes, ressaltou a necessidade de defender princípios como respeito, dignidade, justiça, educação e solidariedade. Segundo ele, o planeta atravessa um momento crítico em termos de valores éticos e morais, e o futebol, por ser um reflexo da sociedade, acaba por expor essas falhas.
Abel Ferreira enfatizou que a filosofia de vida que prega, baseada no “todos somos um”, exige empatia e respeito mútuo entre as pessoas. Ele acredita que ninguém, em nenhuma das partes envolvidas no recente episódio, saiu satisfeito, evidenciando a complexidade e a dor gerada por tais situações. As informações foram divulgadas pelo site ge.
A crise de valores humanos e a responsabilidade social
Em sua análise sobre o caso de racismo que tomou conta das manchetes esportivas, Abel Ferreira foi categórico ao afirmar que o problema não se restringe ao ambiente do futebol. Ele descreveu o momento atual como a “pior fase em valores humanos”, responsabilizando a sociedade como um todo pela escalada de preconceito e intolerância. “Vivemos uma crise de valores da sociedade, que somos nós. Isso não é um problema do futebol”, declarou o treinador, buscando ampliar o debate para além das quatro linhas.
Abel Ferreira lamentou a discrepância entre o que se fala e o que se faz em relação à luta contra o racismo e outras formas de discriminação. Ele relembrou que episódios graves já ocorreram no passado, com pouca ou nenhuma resolução efetiva, como no caso do jogador Luighi, do próprio Palmeiras. Essa falta de ação contundente, na visão do técnico, contribui para a deterioração dos valores humanos. “Mais do que falar e debater, precisamos fazer”, insistiu, clamando por ações concretas e não apenas discursos.
O caso Vini Jr. e o Protocolo Antirracismo na Champions League
O incidente que motivou a fala de Abel Ferreira ocorreu durante a partida entre Benfica e Real Madrid, pela Champions League. Após marcar um gol espetacular contra o Benfica, Vinícius Júnior relatou ao árbitro ter sido vítima de injúria racial por parte do jogador argentino Prestianni. Imediatamente, o árbitro acionou o “Protocolo Antirracismo”, que prevê a paralisação do jogo em casos de discriminação.
A interrupção da partida gerou tensão em campo, com jogadores de ambas as equipes se envolvendo em discussões. O próprio técnico do Benfica, José Mourinho, precisou intervir para conter os ânimos. O jogo ficou paralisado por cerca de oito minutos antes de ser reiniciado. O Real Madrid, apesar do incidente, saiu vitorioso, com um placar de 1 a 0.
Relembrando o episódio com Luighi no Palmeiras
Abel Ferreira fez questão de contextualizar sua crítica relembrando um episódio similar ocorrido com um atleta de seu próprio clube. Em março de 2025, durante uma partida da Copa Libertadores Sub-20 no Paraguai, o atacante Luighi, do Palmeiras, foi alvo de ofensas racistas por parte de um torcedor. O indivíduo, que estava com uma criança no colo, teria imitado sons de macaco em direção ao jogador brasileiro.
Luighi alertou o árbitro sobre o ocorrido, denunciando que havia sido chamado de “macaco” por outro torcedor. O caso ganhou grande repercussão após o desabafo emocionado do jovem atleta ao deixar o campo. A situação gerou manifestações de repúdio de importantes entidades do futebol, como a FIFA e a CBF, evidenciando a persistência do racismo em diferentes níveis da modalidade.
A importância da dignidade humana e do respeito mútuo
O treinador português fundamentou sua crítica na defesa intransigente de valores universais. Para Abel Ferreira, “o respeito, a dignidade humana, a justiça, a educação e a solidariedade” são pilares fundamentais que precisam ser resguardados e promovidos. Ele acredita que a sociedade, em sua essência, falha ao não garantir esses princípios em todas as suas esferas, incluindo o esporte.
A filosofia de vida de Abel Ferreira, sintetizada na máxima “todos somos um”, é um convite à reflexão sobre a interconexão entre os indivíduos e a necessidade de empatia. Ele defende que o respeito e a solidariedade devem ser a base das interações humanas, especialmente em um mundo cada vez mais globalizado e interligado, onde as ações de um podem ter profundo impacto sobre muitos.
O futebol como espelho da sociedade e a urgência da ação
Abel Ferreira enxerga o futebol não apenas como um esporte, mas como um poderoso espelho que reflete as mazelas e as virtudes da sociedade. Os episódios de racismo e intolerância que ocorrem nos estádios e em competições internacionais são, para ele, sintomas de um mal maior que precisa ser combatido em sua raiz. “Vivemos, na minha opinião, na pior fase dos valores humanos”, reiterou o técnico, mostrando a gravidade que atribui à situação.
A sua fala carrega um tom de urgência, alertando que a sociedade caminha a passos largos para um futuro “inacreditável” se não houver uma mudança de postura. Ele critica a superficialidade dos debates que, muitas vezes, não se traduzem em ações efetivas. A necessidade de “fazer” se sobrepõe à de apenas “falar”, em um chamado à responsabilidade individual e coletiva para a construção de um ambiente mais justo e igualitário.
O impacto do racismo no esporte e na vida
Os casos de racismo no esporte, como o protagonizado por Vinícius Júnior e anteriormente por Luighi, têm um impacto devastador não apenas nas vítimas diretas, mas em toda a comunidade esportiva e na sociedade em geral. Esses episódios expõem a fragilidade dos mecanismos de combate à discriminação e a necessidade de políticas mais eficazes e de uma educação voltada para o respeito às diferenças.
A repetição desses atos, apesar da crescente conscientização e das manifestações de repúdio, sinaliza que a luta contra o racismo é um processo contínuo e desafiador. A posição de Abel Ferreira, ao desviar o foco da punição individual para a responsabilidade coletiva, convida a uma reflexão mais profunda sobre as causas e as soluções para erradicar o preconceito de forma definitiva.
A necessidade de educação e empatia para um futuro sem racismo
A educação é apontada por Abel Ferreira como uma ferramenta essencial na construção de uma sociedade mais justa e livre de preconceitos. Ensinar desde cedo sobre respeito, empatia e diversidade é fundamental para formar cidadãos conscientes e tolerantes. A escola, a família e as instituições esportivas têm um papel crucial nesse processo.
A solidariedade e a empatia, valores defendidos pelo técnico, são a chave para que as pessoas se coloquem no lugar do outro e compreendam a dor e o sofrimento causados pelo racismo. Ao promover esses valores, a sociedade pode avançar na criação de um ambiente onde todos se sintam seguros, respeitados e valorizados, independentemente de sua origem, cor ou etnia.
O papel das entidades e da mídia na conscientização
Entidades como a FIFA e a CBF, assim como a mídia esportiva, desempenham um papel fundamental na denúncia e na conscientização sobre o racismo no futebol. A repercussão de casos como o de Vinícius Júnior e Luighi ajuda a manter o tema em evidência e a pressionar por medidas mais eficazes de combate à discriminação. No entanto, como apontou Abel Ferreira, é preciso ir além da divulgação e promover ações concretas.
A responsabilidade de criar um ambiente esportivo e social mais inclusivo e respeitoso é compartilhada por todos. Desde os dirigentes esportivos, passando pelos atletas, treinadores, árbitros, até os torcedores e a sociedade em geral, cada um tem um papel a desempenhar na erradicação do racismo e na promoção de uma cultura de paz e igualdade.