Acordo Mercosul-UE: A Itália é a chave para destravar o pacto no Conselho da UE hoje, desafiando o veto da França e abrindo caminho para o livre comércio

A reunião do Conselho da União Europeia nesta sexta-feira, 9 de fevereiro, é vista como um momento crucial para o futuro do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. A expectativa é que o tratado possa avançar, mesmo diante da oposição de países significativos como a França.

A atenção está voltada para a Itália, cujo posicionamento pode ser determinante para a formação da maioria qualificada necessária. Este cenário complexo moldará as relações comerciais e econômicas entre os dois blocos, com implicações vastas para ambos os lados.

Para seguir adiante, o pacto exige a aprovação de pelo menos 15 dos 27 países da União Europeia, representando 65% da população do bloco, conforme informações divulgadas pelas fontes do conteúdo.

O papel decisivo da Itália no Conselho da UE

A Itália, com aproximadamente 60 milhões de habitantes, detém cerca de 13% da população da União Europeia. Este peso demográfico a posiciona como uma peça-chave para alcançar a maioria qualificada no Conselho da UE, essencial para a aprovação do acordo Mercosul-UE.

A posição italiana tem oscilado ao longo das intensas negociações em Bruxelas. Inicialmente favorável, o país passou a apresentar novas exigências, gerando incertezas sobre seu voto final e aumentando a expectativa em torno de seu posicionamento.

No entanto, após semanas de discussões, representantes do setor agrícola italiano indicaram que suas preocupações foram atendidas. Isso sugere uma inclinação favorável à assinatura do tratado, aliviando parte da tensão nas negociações.

Os obstáculos e as concessões europeias

A França é um dos países que se opõem publicamente ao acordo, juntamente com Polônia e Irlanda. O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que a França votará contra o pacto, em meio a protestos de agricultores que temem a perda de competitividade e um aumento das importações agrícolas.

Esses três países, somados, representam cerca de 25% da população da União Europeia. Embora seja uma parcela considerável, não é suficiente para bloquear uma decisão que necessite de maioria qualificada para ser aprovada.

Para contornar as resistências e atrair países reticentes, a Comissão Europeia propôs medidas significativas. Entre elas, a antecipação de 45 bilhões de euros em recursos para agricultores no próximo orçamento plurianual do bloco.

Houve também um acordo para reduzir as tarifas de importação sobre alguns fertilizantes, buscando aliviar as preocupações dos produtores agrícolas europeus e facilitar o consenso em torno do acordo Mercosul-UE.

A demanda italiana e o mecanismo de salvaguarda

Mesmo com as concessões, a Itália teria uma última demanda crucial para dar seu aval ao acordo Mercosul-UE. O país busca a redução do percentual necessário para o acionamento do mecanismo de salvaguarda.

Atualmente, o acordo prevê que a UE pode investigar a necessidade de medidas de proteção se as importações de produtos agrícolas sensíveis do Mercosul aumentarem em média 8% ao longo de três anos. A Itália propõe que este percentual seja reduzido para 5%.

Esse mecanismo permite à União Europeia suspender temporariamente preferências tarifárias em produtos como aves e carne bovina, caso as importações sejam consideradas prejudiciais aos produtores locais. A redução do percentual aumentaria a capacidade de proteção dos agricultores europeus.

O otimismo brasileiro e o futuro do acordo

Países de grande peso econômico, como Alemanha e Espanha, mantêm uma posição favorável ao acordo. Eles veem o pacto como uma oportunidade para expandir o acesso de suas indústrias e serviços a um mercado com mais de 280 milhões de consumidores no Mercosul.

No Brasil, o governo federal expressa otimismo. Autoridades avaliam que a parte brasileira foi integralmente cumprida nas negociações, e as resistências dos agricultores europeus são consideradas naturais nesse tipo de tratado, dado o impacto potencial.

Há sinais diplomáticos claros de que a Itália está inclinada a votar favoravelmente ao tratado, o que alimenta a esperança de que o Conselho da UE possa finalmente destravar o acordo hoje. A aprovação no Conselho abriria caminho para a etapa final no Parlamento Europeu, onde a aprovação por maioria simples é necessária.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

China Confirma Convite de Trump para ‘Conselho de Paz’ de Gaza: Entenda a Proposta Polêmica e a Reação Global Cautelosa

A China confirmou ter recebido um convite formal dos Estados Unidos para…

Trump Revela Ligação ‘Muito Boa’ com Chefe da Otan Sobre Groenlândia e Encontro em Davos: Entenda a Posição dos EUA

Trump e a Groenlândia: Negociações Estratégicas com a Otan e Planos para…

Adeus à ‘maestra’: Beatriz González, gigante da arte contemporânea da América Latina, morre aos 93 anos

Pintora colombiana e cofundadora do MAMM, Beatriz González foi uma das principais…

Crise no Fantasma: Alex é Demitido do Operário-PR Após Derrota e Péssimo Início no Paranaense 2023, Quem Assumirá o Comando?

A passagem de Alex como técnico do Operário-PR chegou ao fim. O…