Uma reviravolta inesperada acaba de colocar em xeque um dos mais ambiciosos pactos comerciais da história: o acordo UE-Mercosul. Após décadas de tratativas e uma recente e aguardada assinatura, a implementação do tratado foi subitamente paralisada, mergulhando o futuro das relações comerciais entre os dois blocos em um período de grande incerteza.
O Parlamento Europeu, em uma decisão apertada, optou por levar a legalidade do acordo aos tribunais europeus. Esta medida, que suspende a aplicação do pacto, surge poucos dias após sua assinatura no Paraguai, frustrando as expectativas de uma concretização rápida de um entendimento que levou 25 anos para ser negociado.
A decisão do Parlamento, conforme apuração jornalística, representa um obstáculo significativo no caminho para a efetivação do tratado. Agora, as atenções se voltam para os desdobramentos legais e políticos que definirão se o acordo UE-Mercosul finalmente entrará em vigor, ou se permanecerá em um limbo jurídico por um longo período.
O Que Acontece Agora com a Implementação do Acordo UE-Mercosul?
Apesar da recente assinatura, o Parlamento Europeu não poderá ratificar o pacto enquanto o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) não emitir seu parecer. Contudo, legalmente, a Comissão Europeia não é obrigada a aguardar a decisão parlamentar e poderia, em tese, iniciar a aplicação provisória do acordo, assim que fosse assinado.
Para que a implementação provisória ocorra, o único requisito é a ratificação por um dos países do Mercosul, ou seja, Brasil, Argentina, Uruguai ou Paraguai. Assim que um deles o fizer, o acordo UE-Mercosul poderia começar a ser aplicado entre a UE e os países latino-americanos que o ratificaram.
No entanto, diante das profundas divergências políticas que o acordo gera entre os países da União Europeia, a Comissão Europeia prefere adotar uma postura cautelosa. Ela aguarda a aprovação dos líderes europeus para implementar o pacto, especialmente após a clara rejeição expressa pelo Parlamento Europeu.
Bruxelas espera que os Chefes de Estado e de Governo discutam o assunto durante a cúpula extraordinária marcada para esta quinta-feira (22) na capital da UE. O encontro, inicialmente convocado para tratar de outras questões, agora terá o acordo UE-Mercosul como um de seus pontos centrais de debate.
Por Que o Parlamento Europeu Recorreu à Justiça para Barrar o Acordo?
A decisão de levar o acordo UE-Mercosul aos tribunais é de natureza eminentemente política. Ela recebeu o apoio de diversos grupos, incluindo os Verdes, a Esquerda Europeia e facções da direita, além de eurodeputados do Partido Popular Europeu, principalmente os polacos, e representantes franceses de várias vertentes políticas. Todos questionam a legalidade do pacto.
Um dos pontos cruciais de controvérsia é o mecanismo de reequilíbrio. Essa cláusula permitiria que países da UE ou do Mercosul solicitassem compensação da outra parte caso considerassem que futuras leis aprovadas contradizem o acordo. Os eurodeputados temem que essa disposição possa limitar a soberania europeia e sua capacidade legislativa futura.
Outra preocupação levantada diz respeito à base jurídica do acordo, que permite a ratificação da parte comercial sem a necessidade de consentimento dos parlamentos dos países membros da UE. Essa questão levanta dúvidas sobre a legitimidade democrática e a representatividade na aprovação de um tratado de tamanha envergadura.
A Resposta de Bruxelas às Contestações sobre o Acordo UE-Mercosul
A Comissão Europeia, por sua vez, refuta veementemente os argumentos apresentados pelos eurodeputados. Ela afirma que o mecanismo de reequilíbrio não restringe de forma alguma a capacidade regulatória da UE, pois nenhum tribunal arbitral teria poder para obrigar qualquer uma das partes a alterar suas leis internas.
Bruxelas esclarece que o tribunal arbitral previsto no acordo UE-Mercosul baseia-se nos modelos já estabelecidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, a Comissão ressalta que um mecanismo similar está presente no acordo que assinou com o Chile, que entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2025, indicando que não se trata de uma inovação problemática.
Apesar das contestações, a Comissão Europeia demonstra abertura para o diálogo. De acordo com o porta-voz do Comércio, Olof Gill,