O Setor do Agro Brasileiro: Resiliência e Superação em Meio a Desafios
Em um ano marcado por diversas tensões e obstáculos, o agro brasileiro demonstrou uma capacidade notável de resiliência. Longe de qualquer fantasia, a realidade de 2025 revelou um setor que, contra todas as previsões e apesar de diversas ações contrárias, prosperou de forma espetacular.
A expressão ‘apesar de’ nunca foi tão pertinente para descrever a jornada do campo. Este ano, o setor não apenas resistiu, mas também floresceu, garantindo a segurança alimentar do país e fortalecendo sua posição no mercado internacional.
Os números impressionantes e as conquistas históricas de 2025 são um testemunho da força e da inovação do agro nacional, conforme análise detalhada de Antonio Cabrera, ex-ministro da Agricultura e Reforma Agrária.
Desafios Políticos e a Inabalável Produção do Campo
O ano de 2025 foi particularmente árduo para o agro, enfrentando uma série de medidas e posicionamentos governamentais que poderiam ter comprometido seu avanço. Entre as ações destacadas, houve tentativas de aumento de impostos a cada 37 dias, a inclusão da tilápia na lista de espécies invasoras, e o apoio, inclusive com escolta policial, a movimentos invasores de terra, gerando insegurança jurídica no campo.
Além disso, o setor observou uma campanha para diminuir o consumo de carne junto a delegações estrangeiras durante a COP 30 e o veto ao Marco Temporal, que aumentou a instabilidade no ambiente agrário. Contudo, mesmo diante de tantos ataques, o agro brasileiro não recuou, mas sim se impulsionou para patamares inéditos de sucesso.
Recordes que Reafirmam a Soberania do Agro Nacional
O ano de 2025 será lembrado como um período de ouro para o agro, com a colheita da maior safra de soja da história, estimada em 171 milhões de toneladas. Nenhum outro país jamais alcançou tal feito, superando significativamente os 118 milhões dos americanos, os 46 milhões da Argentina e os 20 milhões da China.
As exportações de soja também bateram recorde, atingindo 108,68 milhões de toneladas. Este volume, junto à produção geral, foi suficiente para garantir alimentos em todas as refeições para mais de 210 milhões de brasileiros, além de abastecer mais de 200 países e territórios.
A receita com exportações agrícolas alcançou a marca histórica de 170 bilhões de dólares, representando quase metade das vendas totais do país. A liderança global nas exportações de commodities agropecuárias foi solidificada, e as exportações de farelo de soja também registraram um recorde, superando 23 milhões de toneladas.
No segmento de proteínas, o Brasil vivenciou o período de maior produção de carne, com recordes em carne bovina (4,2 milhões de toneladas exportadas, 12,29 milhões de toneladas produzidas), carne de frango (5,324 milhões de toneladas exportadas, 10,64 milhões de toneladas produzidas) e carne suína (1,45 milhão de toneladas exportadas, 4,24 milhões de toneladas produzidas).
A tilápia, apesar da polêmica, registrou sua maior exportação histórica, com 13 mil toneladas. A piscicultura, de forma geral, alcançou três ouros: produção de 724 mil toneladas, e recordes em exportação, com 197,5 milhões de dólares em receita e 52 mil toneladas em volume.
Outros destaques incluem a produção recorde de milho, com 141 milhões de toneladas, e a maior safra de etanol de milho, com 10 bilhões de litros. A produtividade média nacional das lavouras atingiu 4.310 kg/ha, um recorde de produtividade.
Diversificação e Geração de Riqueza para o Brasil
O agro brasileiro também se consolidou como o maior exportador mundial de alimentos industrializados. O setor gerou um número recorde de 28,5 milhões de trabalhadores ocupados, evidenciando seu papel crucial na geração de empregos e prosperidade em todo o país.
A diversidade de produtos quebrou recordes. As exportações de tabaco ultrapassaram 3 bilhões de dólares, e o país emplacou, pela primeira vez, 50 queijos entre os melhores do mundo. A produção de leite atingiu uma estimativa de 37,5 bilhões de litros, com a maior produtividade média por vaca da série histórica do IBGE, 2.362 litros/vaca/ano.
A safra de feijão superou 3,5 milhões de toneladas, e a receita cambial das exportações de café atingiu um recorde histórico de 15,5 bilhões de dólares. No setor de azeites, o Brasil teve, pela primeira vez, onze de seus produtos entre os 100 mais premiados do mundo.
As exportações de suco de laranja registraram a maior receita anual, totalizando 3,48 bilhões de dólares. A produção de ovos alcançou uma ‘tripla coroa’: recorde na produção (3,68 bilhões de dúzias), nas exportações em receita (100 milhões de dólares) e em volume (40 mil toneladas).
O algodão também teve um ano excepcional, com produção recorde de 4,25 milhões de toneladas e exportação recorde de cerca de 3,025 milhões de toneladas, incluindo um volume mensal recorde em dezembro de 452 mil toneladas de algodão em pluma.
Até mesmo produtos como amendoim (311 mil toneladas exportadas) e óleo de amendoim (173 mil toneladas exportadas) registraram suas maiores exportações. A batata (42 t/ha) e a cenoura alcançaram produtividades médias recordes.
No setor de bebidas, o Brasil ganhou, pela primeira vez, 730 medalhas em concursos internacionais em 13 países, consolidando-se como produtor de vinho de alta qualidade. A exportação de celulose atingiu um volume inédito de 19,6 milhões de toneladas e uma receita recorde de 15 bilhões de dólares.
As exportações de pimenta alcançaram 517 milhões de dólares, e as frutas ultrapassaram 1,5 bilhão de dólares em exportações, com recordes para manga, melão, melancia, uva, mamão, abacate, maçã, abacaxi, coco, goiaba, caqui, tâmara, pera, damasco, tangerina, mandarin, banana, limão e lima.
A castanha de caju também teve exportação recorde, com 75,8 milhões de dólares. O superávit agrícola atingiu cerca de 150 bilhões de dólares, e a exportação de bovinos vivos bateu recorde em receita (1 bilhão de dólares) e volume (quase 400 mil animais).
O agro ainda registrou recordes nas exportações de sementes de oleaginosas (fora soja), com 615,6 milhões de dólares, e de miudezas de frango, com 501,3 milhões de dólares em receita e 461,5 mil toneladas em quantidade.
Um Futuro de Resiliência e Reconhecimento para o Agro
Com uma projeção da maior safra da história, totalizando 352,2 milhões de toneladas, o agro brasileiro garante o abastecimento do mercado interno e reforça seu papel vital na economia global. Embora 2026 possa trazer preços mais deprimidos, a performance extraordinária de 2025 demonstra a capacidade de resiliência e adaptação do setor.
Como ensina o velho ditado, ‘se o campo não planta, a cidade não janta’. E em 2025, o agro plantou tanto, gerando emprego, alimento e prosperidade. É inegável que este foi um ano para o Brasil tirar o chapéu para o seu agro, um verdadeiro motor de desenvolvimento e orgulho nacional.