O Brasil não deve ser afetado por eventuais sanções dos Estados Unidos contra o Irã, conforme anunciado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump. A afirmação foi feita nesta quinta-feira, 15 de fevereiro, pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Apesar das intenções dos EUA de restringir o comércio com o Irã, o ministro destacou que a relação comercial brasileira com o país persa é considerada pequena. Ele também levantou dúvidas sobre a viabilidade de uma aplicação global dessas medidas.

A discussão ocorre em um momento de tensões internacionais, e a posição de Alckmin busca tranquilizar o mercado e a população brasileira sobre os desdobramentos. As informações foram divulgadas durante o programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Comércio com o Irã: Impacto Limitado para o Brasil

Geraldo Alckmin explicou que, apesar da pressão dos Estados Unidos para que não haja comércio com o Irã, o cenário global é complexo. O Irã, com uma população de 100 milhões de pessoas, mantém relações comerciais com diversos países.

“Os Estados Unidos colocaram que não querem que haja comércio com o Irã. Mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. Países europeus exportam para o Irã, a maioria dos países tem algum tipo de exportação”, afirmou Alckmin, detalhando a dinâmica global.

Ele enfatizou que a relação comercial do Brasil com o Irã é pequena, o que minimiza os riscos de um impacto direto. Além disso, a aplicação de “super tarifaçã” seria um desafio logístico e político considerável.

O vice-presidente argumentou que tal medida teria que ser aplicada em mais de 70 países, incluindo nações europeias. “A questão da super tarifaçã é difícil de ser aplicada. Você teria que aplicar em mais de 70 países do mundo, inclusive países europeus”, completou, sobre a dificuldade de implementar tais restrições.

Ausência de Ordem Executiva e o Cenário Europeu

Alckmin também ressaltou que, até o momento, não houve uma ordem executiva por parte do governo Trump que efetivamente imponha as sanções dos EUA ao Irã. A ausência de uma medida concreta reforça a incerteza sobre a efetivação das ameaças.

“Esperamos que não seja aplicada. Porque imposto de exportação é imposto regulatório, é outra lógica. E isso valeria para o mundo inteiro”, observou o ministro, destacando a complexidade de tais regulamentações e seu alcance global.

A Europa, por exemplo, mantém um fluxo comercial ativo com o Irã. “A Europa, por exemplo, também exporta para o Irã. A Alemanha, muitos países têm comércio exterior”, disse Alckmin, exemplificando a amplitude das relações comerciais globais.

O vice-presidente expressou a esperança de que essas sanções não sejam implementadas, reiterando o desejo de um ambiente comercial internacional estável. “Vamos torcer, trabalhar para que isso não ocorra”, completou.

Brasil: Um País de Paz e Multilateralismo

Além das questões comerciais, Alckmin abordou a postura diplomática do Brasil. Ele afirmou que o país não possui litígios com nenhuma nação, reforçando seu papel como promotor da paz no cenário internacional.

“No Brasil, a última guerra tem mais de um século. O Brasil é um país de paz e, sempre que pode, atua promovendo a paz. O que nós queremos é paz”, declarou o vice-presidente, sublinhando a tradição pacífica brasileira.

Ele criticou as consequências dos conflitos, associando-os à perda de vidas e ao aumento da pobreza. “Guerra leva à morte, leva à pobreza. É a falência da boa política”, pontuou Alckmin, reforçando a visão brasileira de que a diplomacia é o melhor caminho.

O Caminho Brasileiro para a Estabilidade Global

Alckmin classificou o atual cenário geopolítico como um momento difícil para o mundo, mas também uma oportunidade para o Brasil ter sua voz mais ouvida. A nação busca fortalecer o multilateralismo e promover soluções pacíficas.

“Vamos promover a paz, fortalecer o multilateralismo, tratar de melhorar a vida do povo através do emprego e da melhora de renda. Esse é o bom caminho e é isso que o Brasil está trilhando”, concluiu o ministro.

A mensagem central é de que o Brasil, através de sua política externa e comercial, busca a estabilidade e o desenvolvimento, minimizando os impactos de tensões internacionais como as envolvendo as sanções dos EUA ao Irã.

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