A iniciativa do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para criar um Conselho da Paz enfrenta obstáculos significativos. Nesta sexta-feira, a Alemanha e a Itália anunciaram que não poderão aderir ao projeto em seu formato atual.
Os líderes dos dois países europeus citaram barreiras constitucionais internas como o principal motivo para a recusa, levantando questões sobre a estrutura de governança proposta por Trump.
A recusa de potências como Alemanha e Itália adiciona complexidade aos planos de Trump, que visam a supervisão da reconstrução de Gaza e a mediação de outros conflitos globais, conforme informações divulgadas pela agência Reuters.
Barreiras Constitucionais Impedem Adesão de Alemanha e Itália ao Conselho da Paz
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, foram claros em suas declarações. Eles apontaram que a atual estrutura do Conselho da Paz é incompatível com as leis fundamentais de seus respectivos países.
Merz explicou que, “na forma como o Conselho da Paz está atualmente estruturado, não podemos aceitar suas estruturas de governança na Alemanha por razões constitucionais”. Apesar disso, ele expressou abertura para “explorar outras formas, novas formas, de cooperação com os Estados Unidos da América” se o objetivo for a paz.
Giorgia Meloni, por sua vez, alinhou-se à posição alemã. A premiê italiana ressaltou que a Constituição do seu país “impede o país de participar de organismos internacionais nos quais um integrante, no caso, os Estados Unidos, tenha mais poder do que os demais”.
Meloni destacou que, apesar da vontade de participar, “existem problemas objetivos com a forma como a iniciativa está estruturada”. Ela mencionou ter discutido o assunto com o presidente americano, sugerindo a busca por soluções para essas questões.
O Conselho da Paz e seus Ambiciosos Propósitos Globais
O Conselho da Paz, idealizado por Donald Trump, tem como missão inicial a supervisão da reconstrução da Faixa de Gaza, após mais de dois anos de intensos conflitos. No entanto, a visão de Trump para o conselho é muito mais ampla.
O ex-presidente americano deseja que o organismo atue como um mediador em diversos outros conflitos ao redor do mundo. Vários líderes globais foram convidados a integrar o conselho, incluindo o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
A proposta de Trump busca estabelecer uma nova plataforma de diálogo e ação, com um foco particular na resolução de tensões e na promoção da estabilidade internacional, embora já enfrente resistências significativas.
Outras Recusas e o Questionamento da ONU
Alemanha e Itália não são os primeiros países a declinar o convite para o Conselho da Paz. Outras nações europeias, como Espanha e França, já haviam anunciado sua não participação na iniciativa de Trump.
Madri e Paris justificaram suas recusas alegando que o grupo proposto por Trump “está fora do marco da ONU”. Essa postura reflete a preocupação com a criação de estruturas paralelas que poderiam minar as instituições multilaterais existentes.
Trump, por sua vez, tem sido um crítico vocal da Organização das Nações Unidas, acusando-a de “nunca” ter ajudado a resolver qualquer conflito. Essa desconfiança do ex-presidente americano em relação à ONU é um fator chave na sua decisão de criar um novo conselho.