O planeta Terra continua em uma trajetória preocupante de aquecimento. Um novo relatório, divulgado nesta quarta-feira, acende um alerta urgente sobre a crise climática que estamos vivenciando.
Mesmo com fenômenos naturais de resfriamento, as temperaturas globais persistem em níveis alarmantes, evidenciando a profunda influência das atividades humanas. As consequências são sentidas em todo o mundo, com eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.
Esta constatação vem da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU, que confirmou dados anteriormente publicados pelo serviço Copernicus, da União Europeia, conforme informações divulgadas de Berlim.
O Alerta da OMM e os Números Alarmantes
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), um braço da ONU, ratificou a informação de que 2025 foi o terceiro ano mais quente da história, uma constatação que ecoa as observações do serviço Copernicus, da União Europeia. Este dado se soma a uma série preocupante: os últimos 11 anos foram, de fato, os 11 anos mais quentes já registrados em todo o planeta.
Mesmo com o início e o fim de 2025 marcados por um resfriamento natural, impulsionado pelo fenômeno La Niña, a média anual de temperatura global permaneceu excepcionalmente alta. Isso se deve, principalmente, ao acúmulo incessante de gases de efeito estufa na atmosfera, uma realidade que desafia os esforços internacionais para conter a crise climática.
Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, destacou a gravidade da situação. “O ano de 2025 começou e terminou com um resfriamento causado pelo fenômeno La Niña, mas ainda assim foi um dos anos mais quentes já registrados globalmente devido ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera”, afirmou Saulo, sublinhando a urgência do problema.
Impacto dos Gases de Efeito Estufa e Eventos Extremos
O principal vilão por trás do aquecimento global é o dióxido de carbono (CO2), liberado em grande parte pela queima de combustíveis fósseis. Apesar do histórico Acordo de Paris e das metas climáticas estabelecidas por diversos países, as emissões mundiais de CO2 atingiram níveis recordes justamente no ano de 2025, um sinal claro de que os esforços atuais são insuficientes.
As consequências desse aumento de temperatura são tangíveis e devastadoras. A meteorologista Celeste Saulo explicou que as altas temperaturas terrestres e oceânicas são fatores diretos para a intensificação de eventos climáticos extremos. Estes incluem ondas de calor brutais, chuvas torrenciais e ciclones tropicais de violência sem precedentes, afetando comunidades em todo o mundo.
Saulo ressaltou, em sua fala, “as altas temperaturas terrestres e oceânicas contribuíram para o aumento de eventos climáticos extremos, ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais violentos, ressaltando a necessidade vital de sistemas de alerta precoce”. A implementação desses sistemas é crucial para proteger vidas e minimizar os danos causados por essas catástrofes naturais.
O Limite de 1,5°C e o Futuro Próximo
A análise da OMM, que compilou dados de oito diferentes conjuntos de informações, revelou que o aquecimento médio global em 2025 foi de 1,44°C acima dos níveis pré-industriais, que correspondem ao período entre 1850 e 1900. Essa medição possui uma margem de erro de 0,13°C para mais ou para menos, indicando a precisão dos estudos.
É notável que, enquanto dois dos conjuntos de dados apontaram 2025 como o segundo ano mais quente já registrado, outros seis, incluindo o Copernicus, o classificaram como o terceiro. Essa convergência de resultados reforça a gravidade da situação climática global e a consistência das observações científicas.
O serviço Copernicus também destacou outro marco preocupante: o último triênio (2023-2025) foi o primeiro a apresentar uma média de aquecimento que ultrapassa o limite de 1,5°C, uma meta preconizada pelo Acordo de Paris de 2015. Esse limite é considerado crucial para evitar os impactos mais catastróficos das mudanças climáticas.
Pelo ritmo atual do aquecimento global, estima-se que o limite de 1,5°C será definitivamente superado em algum momento de 2029. Isso representa mais de uma década antes do que se havia estimado na época da assinatura do pacto histórico, demonstrando a aceleração alarmante do processo e a necessidade de ações mais contundentes.
Os Oceanos em Sobrecarga e a Urgência do Monitoramento
A organização também enfatiza a sobrecarga que os oceanos vêm sofrendo devido ao aquecimento global. Cerca de 90% do excesso de calor gerado pela atividade humana é absorvido pelas águas, transformando a temperatura da superfície oceânica em uma variável crítica para a saúde do planeta e para a compreensão da crise climática.
Um estudo recente, publicado no periódico científico Advances in Atmospheric Sciences, corrobora essa preocupação, mostrando que as temperaturas dos oceanos em 2025 também estão entre as mais altas já registradas. Dados alarmantes indicam que 33% da superfície oceânica global se encontra entre as três condições mais quentes já observadas, e outros 57% estão entre as cinco mais quentes.
Celeste Saulo reiterou a importância vital do monitoramento contínuo. “O monitoramento do estado do clima pela OMM, baseado na coleta colaborativa e cientificamente rigorosa de dados globais, é mais importante do que nunca, pois precisamos garantir que as informações sobre o planeta sejam confiáveis, acessíveis e úteis para todos”, declarou, evidenciando a necessidade de dados precisos para decisões eficazes.
Esta declaração adquire um peso ainda maior em meio a contextos políticos desafiadores. Recentemente, o governo de Donald Trump nos Estados Unidos anunciou a saída do país do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática (IPCC) e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
Essa decisão do presidente americano, conhecido por seu negacionismo da crise climática, não apenas tem um óbvio impacto político, mas também ameaça gerar sérias consequências para a ciência que se dedica a acompanhar e combater o problema, comprometendo a colaboração global e o avanço do conhecimento sobre as mudanças climáticas.