As bolsas da Europa registraram uma queda significativa nesta terça-feira, ampliando as perdas do dia anterior. O movimento de baixa é impulsionado principalmente pelas crescentes tensões geopolíticas e pelas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, em meio à expectativa de seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
As ameaças de Trump de reacender uma guerra comercial com a Europa, especialmente em relação à sua insistência na compra da Groenlândia, estão gerando grande cautela entre os investidores. Líderes europeus já se preparam para uma cúpula de emergência para discutir possíveis retaliações.
A instabilidade reflete uma combinação de fatores, desde a incerteza política até a repercussão das falas de líderes globais. A situação demanda atenção dos mercados e dos governos, conforme informações divulgadas pelas fontes do conteúdo.
Ameaças de Trump Agitam Mercados e Intensificam a Queda das Bolsas Europeias
O presidente dos EUA, Donald Trump, manteve sua postura de pressionar pela aquisição da Groenlândia, intensificando as ameaças de aumentar as tarifas sobre países da União Europeia, incluindo Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Suécia, Holanda, Grã-Bretanha e Noruega. Ele declarou que não pensava mais “apenas em paz” após não ter conquistado o Prêmio Nobel da Paz, vinculando a suspensão das tarifas à permissão para os EUA comprarem o território.
Além disso, Trump separadamente ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. Essa medida, aparentemente, busca persuadir o presidente francês, Emmanuel Macron, a aderir à sua iniciativa do Conselho da Paz. Tais declarações contribuíram para o clima de incerteza que levou à queda das bolsas europeias.
Os principais índices europeus refletiram essa tensão. O STOXX 600, por exemplo, registrava uma queda de 1,4% por volta das 8h (horário de Brasília), após já ter recuado 1,2% na segunda-feira. O FTSE 100, do Reino Unido, também apresentava uma queda de 1,4%, evidenciando a amplitude do impacto.
Reação Europeia e Análise de Especialistas Diante das Tensões
Em resposta às ameaças, os líderes da União Europeia agendaram uma cúpula de emergência em Bruxelas para esta quinta-feira (22). Eles discutirão diversas opções, incluindo a imposição de tarifas no valor de 93 bilhões de euros (equivalente a US$ 109 bilhões) sobre as importações dos EUA, em uma possível retaliação comercial.
Apesar da turbulência, Amelie Derambure, gestora sênior de portfólios multiativos da Amundi em Paris, avaliou que a queda nas bolsas europeias é resultado de “realização de lucros por precaução e alguma redução de risco”. Ela ressaltou que, apesar da situação na Groenlândia preocupar os mercados, ela “permanece relativamente controlada, não há motivo para pânico”.
Derambure acrescentou que não vê, “por enquanto, nada comparável ao Dia da Libertação ou a algo muito impactante para os mercados”. Ela também destacou que os mercados ainda são favorecidos pelo cenário macroeconômico, com dados recentes apontando para crescimento e desaceleração da inflação.
Impacto nas Moedas e Títulos Globais em Meio à Instabilidade
A volatilidade não se restringiu às ações. No mercado de câmbio, o índice do dólar caiu 0,6% no dia, marcando seu segundo dia consecutivo de perdas. Em contrapartida, o euro registrou uma valorização de 0,7% em relação ao dólar, atingindo US$ 1,1726, sua maior cotação desde 6 de janeiro.
Nos mercados de títulos, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA atingiram o nível mais alto desde setembro no início do pregão. Esse movimento foi uma reação tardia aos acontecimentos do fim de semana, já que os mercados americanos estiveram fechados na segunda-feira devido a um feriado.
O spread entre o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos e o de 10 anos, assim como o spread entre o rendimento dos títulos de dois anos e o de 10 anos, estava prestes a registrar a maior inclinação diária desde agosto de 2025. No Japão, os rendimentos dos títulos do governo atingiram níveis recordes devido a preocupações com os cortes de impostos e a convocação de eleições gerais antecipadas.
Commodities em Destaque: Petróleo e Ouro Reagem às Expectativas
Em contraste com a queda das bolsas europeias, o setor de commodities apresentou movimentos distintos. Os preços do petróleo registraram uma leve alta, impulsionados pelas expectativas de crescimento econômico global. Os contratos futuros do petróleo Brent subiram 0,2%, atingindo US$ 64,01 o barril, enquanto o petróleo bruto WTI (West Texas Intermediate) dos EUA avançou 0,5%, para US$ 59,72 o barril.
O ouro, tradicionalmente um ativo de refúgio em tempos de incerteza, atingiu um recorde histórico, superando a marca de 4.700 dólares por onça. Esse aumento reflete a busca dos investidores por segurança em meio às tensões geopolíticas e à volatilidade nos mercados de ações e títulos.