Governo Federal Analisa Medidas de Economia de Água Diante da Baixa Pluviometria

Diante do baixo volume de chuvas registrado nas últimas semanas, o governo federal já avalia a possibilidade de reduzir a vazão de grandes usinas hidrelétricas, especialmente na bacia do rio Paraná. O objetivo principal é poupar água nos reservatórios da região Sudeste, considerada a principal caixa d’água do Brasil.

Essa estratégia visa garantir a segurança hídrica e energética do país, evitando cenários de escassez mais graves. A decisão final, segundo fontes do setor elétrico, dependerá da hidrologia nas próximas semanas, até o período do Carnaval.

Embora a situação atual inspire cuidado, autoridades do setor elétrico, em relatos à CNN Brasil, afirmam que a gravidade ainda não se compara à de crises hídricas anteriores, como as de 2014 e 2021.

Níveis dos Reservatórios e Cenários Futuros

As projeções levadas ao Ministério de Minas e Energia indicam que, até o fim de janeiro, os reservatórios das hidrelétricas no subsistema Sudeste/Centro-Oeste podem atingir níveis entre 41,7% (no cenário pessimista) e 48,5% (no otimista) de sua capacidade máxima de armazenamento. Para se ter uma ideia, esses mesmos reservatórios terminaram janeiro do ano passado com 62% de sua capacidade total.

A redução da vazão de hidrelétricas no rio Paraná significa, na prática, um controle maior na liberação de água de represas que se localizam no final de uma sequência de aproveitamentos energéticos. Isso permite que as usinas a montante, rio acima, retenham mais água, preparando-se para o período de seca que geralmente se estende de abril a maio.

Estratégias de Redução e Impactos Anteriores

A estratégia de economia de água em hidrelétricas também envolve diminuir a geração de energia nas primeiras usinas dessa “fila”, como as localizadas na bacia do rio Grande, em Minas Gerais. Atualmente, a hidrelétrica de Porto Primavera (SP) opera com uma vazão de saída de 3.900 metros cúbicos por segundo, enquanto a usina de Jupiá (na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul) libera 3.300 m³/s.

É importante lembrar que, durante a crise hídrica de 2021, as vazões nessas usinas foram significativamente reduzidas. Em Porto Primavera, a vazão chegou a cair para 2.900 m³/s, e em Jupiá, para 2.300 m³/s. Essas medidas foram consideradas cruciais pelas autoridades do setor para evitar um racionamento de energia elétrica naquele ano.

Desafios e Efeitos Colaterais da Medida

A decisão de reduzir a vazão de hidrelétricas, contudo, não é isenta de efeitos colaterais. Um dos impactos mais relevantes é o ambiental. A piracema, período de migração dos peixes para reprodução, se estende até meados de março, o que impede que as vazões sejam diminuídas antes desse prazo. Essa é uma preocupação fundamental para a preservação da fauna aquática.

Outro ponto de atenção é o setor de logística. Em 2021, a hidrovia Tietê-Paraná foi seriamente comprometida devido à estiagem, demonstrando como a segurança do setor elétrico pode prevalecer sobre os interesses da infraestrutura de transportes. A busca por um equilíbrio entre a necessidade de economia de água e a minimização desses impactos é um grande desafio para o governo.

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