O sistema Cantareira, vital para o abastecimento de milhões de paulistanos, registrou nesta sexta-feira (9) uma preocupante queda em seu volume. O patamar de água armazenada atingiu menos de 20% de sua capacidade total, reacendendo discussões sobre a segurança hídrica da região.
Essa redução significativa coloca o sistema em um estágio de operação especial, limitando a retirada de água e ativando planos de contingência para evitar um cenário de escassez. A situação, que já havia sido observada no mês anterior, demonstra uma ausência de recuperação preocupante.
O nível do Cantareira é um indicador crucial para a gestão dos recursos hídricos de São Paulo, e sua baixa demanda atenção imediata das autoridades e da população, conforme dados monitorados pelas agências responsáveis.
Operação Especial em Cenário de Escassez
A queda do nível do Cantareira para 19,8% nesta sexta-feira (9) não é um fato isolado. Há exatamente um mês, em 9 de dezembro, o sistema havia registrado um volume similar, de 19,7%, sem sinais de recuperação até o momento, o que intensifica a preocupação.
Quando o sistema opera abaixo de 20%, uma operação especial é automaticamente acionada. Esta medida drástica limita a retirada de água a 15,5 mil litros por segundo, um volume consideravelmente menor do que o permitido em condições normais.
Além disso, a permanência da transposição de águas do rio Paraíba do Sul para o sistema é mantida. Essa medida visa complementar o volume de água disponível, garantindo que a demanda mínima possa ser atendida em um período tão crítico.
O Cantareira é uma das principais fontes de água para cerca de 9 milhões de pessoas, abrangendo a cidade de São Paulo e toda a região metropolitana da capital paulista. Sua capacidade de abastecimento é fundamental para a vida urbana e econômica da metrópole.
O Sistema Integrado e as Medidas de Restrição
Analisando o cenário hídrico de forma mais ampla, o Sistema Integrado Metropolitano, que engloba o Cantareira e outras estruturas de armazenamento, apresentava 27,38% de volume equivalente às 10h desta sexta-feira.
Este patamar enquadra o conjunto de reservatórios na faixa 3, a terceira de um total de sete faixas de operação. A ativação desta faixa impõe uma série de medidas restritivas para o consumo de água na região.
Entre as ações determinadas pela faixa 3 estão a redução da pressão noturna na rede de água por um período de dez horas e a intensificação do combate a perdas. Essas estratégias são cruciais para otimizar o uso da água e minimizar o desperdício.
Monitoramento e Perspectivas Preocupantes
A gestão e o monitoramento do Cantareira são responsabilidade da SP Águas, agência do Governo de São Paulo, e da ANA, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. A operação é dividida em cinco faixas.
A faixa normal, por exemplo, permite a retirada de até 33 mil litros de água por segundo quando o nível está acima de 60%. Em contraste, a faixa especial, na qual o Cantareira se encontra agora, limita essa retirada a 15,5 mil litros por segundo.
Desde janeiro de 2022, o sistema não entrava na faixa 4, de restrição, o que ocorreu em outubro do ano passado. A partir do início de dezembro, o nível do Cantareira tem se mantido em torno dos 20% de volume, sem apresentar nenhuma tendência de recuperação.
As perspectivas para o período chuvoso, que geralmente traz alívio para os reservatórios, também não são animadoras. Uma nota técnica do Cemaden, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, divulgada em 30 de dezembro, reforça essa preocupação.
Segundo o Cemaden, a reserva no Cantareira no trimestre de outubro a dezembro foi de 22,8%. Este valor é significativamente pior do que os 34% registrados em 2013, período que antecedeu a grave crise hídrica da década passada, indicando um cenário de alerta contínuo.