O Brasil enfrenta um cenário alarmante com o crescente número de desaparecimentos. Em 2025, a média diária de pessoas que sumiram no país ultrapassou a marca de 200, revelando uma crise silenciosa que afeta milhares de famílias em todo o território nacional.
A cada dia, a esperança de reencontrar um ente querido diminui para muitas pessoas, enquanto a falta de estruturas e políticas públicas eficientes agrava a situação. Este problema complexo exige atenção imediata e coordenação entre as esferas governamentais para ser combatido.
As estatísticas recentes, compiladas pelo Ministério da Justiça e baseadas em boletins de ocorrência das delegacias dos 26 estados e do Distrito Federal, mostram um aumento preocupante, conforme informações divulgadas pela fonte.
Aumento Alarmante e Dados Chocantes
Em 2025, o Brasil registrou um total chocante de 84.760 pessoas desaparecidas, o que representa uma média de 232 sumiços por dia. Esse número significa um crescimento de 4,12% em comparação com o ano anterior, evidenciando a escalada do problema dos desaparecimentos no Brasil.
Um dado particularmente alarmante é que cerca de 30% desse total de desaparecidos são compostos por crianças e adolescentes, um grupo extremamente vulnerável. A situação acende um alerta sobre a segurança e proteção dos mais jovens no país.
O estado de São Paulo lidera o ranking com mais de 20 mil casos de pessoas desaparecidas, o que equivale a aproximadamente 50 ocorrências diárias. Este número representa um aumento de cerca de 3% em relação a 2024, consolidando a região como a mais afetada pela questão dos sumiços.
Para completar o top 5 dos estados com maior número de desaparecimentos, seguem-se Minas Gerais, com 9.139 registros, Rio Grande do Sul, com 7.611, Paraná, com 6.455, e Rio de Janeiro, com 6.331 casos. Esses números sublinham a dimensão nacional do problema.
A Luta por um Cadastro Nacional Eficiente
Em uma tentativa de melhorar a busca e a cooperação entre as autoridades, o governo recriou em 2025 o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, um banco de dados geral. No entanto, a adesão a este sistema ainda é um desafio significativo.
Apenas 12 dos 26 estados e o Distrito Federal aderiram ao sistema, limitando seu potencial. Um banco de dados unificado poderia ser uma ferramenta poderosa, permitindo que serviços públicos e privados, como saúde e assistência social, consultassem informações em casos de suspeita de desaparecimento, agilizando as buscas.
Ariel de Castro Alves, membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente da OAB e ex-secretário nacional dos direitos da criança, ressalta a importância de tal ferramenta. Ele afirma: “No Brasil temos cadastros de imóveis, de veículos automotores, entre outros, mas ainda não temos efetivamente um cadastro único nacional de pessoas desaparecidas.”
Ele também faz uma observação crítica sobre a relação entre crimes: “Nos últimos anos os números de homicídios diminuíram, mas de desaparecidos tem aumentado. Isso aponta que alguns homicídios podem ter migrado para situações de assassinatos com ocultação de cadáver”, alertando sobre a complexidade dos casos.
O Cenário por Trás dos Números: Homens, Mulheres e Meses Críticos
Ao segmentar os dados dos desaparecidos em 2025, observa-se que 54.102 são homens e 30.050 são mulheres. Essa distribuição revela uma predominância masculina nos registros de sumiços em todo o país, um padrão que merece estudo aprofundado.
Março foi o mês que registrou o maior número de ocorrências, com 7.536 casos de desaparecimentos. A taxa geral de desaparecimento no Brasil é de 40 pessoas a cada 100 mil habitantes, um índice que evidencia a gravidade da situação e a necessidade de intervenção.
Críticas e a Urgência de Políticas Públicas
Apesar dos números alarmantes, o Brasil ainda carece de políticas públicas robustas para a busca, localização e investigação de desaparecimentos. Essa lacuna é um dos principais entraves para a resolução dos casos e para dar respostas às famílias.
Ariel de Castro Alves critica a inação do poder público, conforme relatado à CNN Brasil. Ele afirma: “O Brasil não tem ainda políticas públicas de busca, localização e investigação de desaparecimentos. Os poderes públicos se omitem nessa área.”
O ex-secretário ainda complementa, denunciando a negligência: “Os casos são negligenciados nas repartições policiais. Dificilmente as polícias investigam casos de desaparecimentos.” Essa falta de investigação eficiente agrava a dor das famílias e perpetua o ciclo de incerteza para aqueles que buscam seus entes queridos.