Criança de 5 anos enfrenta complicações após picada de jararaca no Pará e alerta para práticas inadequadas de primeiros socorros
Uma notícia preocupante veio à tona no sudoeste do Pará, onde um menino de apenas cinco anos foi internado em estado delicado após ser picado por uma cobra jararaca. O incidente, que ocorreu dentro de uma área de garimpo no município de Novo Progresso, ressalta a vulnerabilidade de crianças em regiões de risco e a necessidade de atenção redobrada.
O caso, que exigiu a transferência do pequeno paciente para uma unidade hospitalar de referência, serve como um **alerta crucial** sobre os perigos de acidentes ofídicos e, principalmente, sobre a importância de buscar ajuda médica especializada sem recorrer a métodos caseiros que podem agravar a situação.
A história do menino, residente de uma área de garimpo em Itaituba, levanta questões importantes sobre a segurança e o acesso à saúde em regiões remotas do estado. As informações foram divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Novo Progresso.
O Acidente e a Chegada ao Hospital
O acidente com a **picada de jararaca** aconteceu no dia 14 de janeiro. No entanto, o menino só deu entrada na emergência do Hospital Municipal de Novo Progresso (HMNP) no dia seguinte, 15 de janeiro de 2026, por volta das 11h. A criança foi levada pela própria família, um dia após o ocorrido, o que já representava um atraso significativo no início do tratamento.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o paciente recebeu atendimento imediato no HMNP, sendo internado e assistido conforme os rigorosos protocolos do Ministério da Saúde. Foram realizados exames e administrado **soro antiofídico**, seguindo os critérios clínicos estabelecidos para casos de picada de cobra.
O Perigo do Torniquete e a Demora no Atendimento
A família informou à equipe médica que, logo após a picada, realizou um **torniquete no braço** da criança. Este procedimento, que também apareceu em imagens divulgadas nas redes sociais, é expressamente contraindicado por profissionais de saúde e pode trazer sérias complicações.
A avaliação médica indicou que a demora no atendimento e, principalmente, o uso do torniquete, contribuíram para o **agravamento do quadro de saúde** do menino. Houve um possível comprometimento da circulação sanguínea no local afetado, o que adicionou uma camada de complexidade ao tratamento.
Transferência para Atendimento Especializado
Diante da gravidade da situação e da necessidade de uma avaliação mais aprofundada das condições circulatórias do braço, a equipe do HMNP solicitou o Tratamento Fora do Domicílio (TFD). A transferência foi aceita pelo Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, e ocorreu no dia 19 de janeiro, às 13h.
No momento da transferência, o quadro clínico da criança era estável, com funções neurológicas preservadas e sem sinais da ação ativa do veneno da **jararaca**. Contudo, o menino apresentava edemas e bolhas no local da picada, exigindo acompanhamento especializado para tratar as consequências do acidente, que foram **possivelmente agravadas pelo uso do torniquete**.
Recomendações Cruciais da Secretaria de Saúde
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Novo Progresso fez um apelo à população, reforçando a importância de **ter cuidado com práticas inadequadas** em casos de picadas de cobra. A orientação é clara: não devem ser realizados torniquetes, cortes ou qualquer outra intervenção caseira.
Essas condutas, conforme alertado pela secretaria, podem agravar severamente o quadro clínico da vítima. Em situações de **acidente ofídico**, a recomendação principal é manter a pessoa em repouso, acalmá-la e, crucialmente, procurar atendimento médico imediato em uma unidade de saúde. A rapidez e a conduta correta são essenciais para um desfecho positivo.