A União Europeia está em um momento crucial para o futuro de seu relacionamento comercial com o Mercosul. Após o anúncio de um pacote de apoio robusto aos agricultores do bloco, ministros da UE se reúnem com a missão de superar impasses e finalmente destravar o acordo com o Mercosul, que se arrasta há anos.
A iniciativa de apoio financeiro surge como uma estratégia para amenizar as preocupações internas, especialmente da poderosa classe agrícola, que teme a concorrência de produtos sul-americanos. As negociações, que pareciam próximas de um desfecho, foram adiadas e agora buscam um novo fôlego.
O sucesso dessas reuniões pode determinar se o acordo, que promete um dos maiores blocos de livre comércio do mundo, avançará ou permanecerá em um limbo de indefinição, conforme informações obtidas sobre as discussões.
O Pacote de Apoio e as Reações Iniciais
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que a iniciativa visa fortalecer o setor agrícola, tornando-o mais resiliente às pressões globais, incluindo os impactos de futuros acordos comerciais. Este pacote se soma a salvaguardas já aprovadas pelo Parlamento Europeu, que criaram mecanismos de proteção específicos para o mercado agrícola europeu no contexto do acordo com o Mercosul.
O novo aporte financeiro foi recebido de forma bastante positiva por alguns países. A Itália, por exemplo, sob a liderança da primeira-ministra Giorgia Meloni, demonstrou apoio decisivo ao acordo com o Mercosul após o anúncio, com Meloni celebrando a iniciativa da Comissão Europeia em comunicado. Novas sinalizações favoráveis são esperadas nos próximos dias.
Outras potências econômicas, como Alemanha e Espanha, também se mantêm favoráveis ao tratado e veem os incentivos como um instrumento eficaz para destravar o processo. A expectativa é que o apoio financeiro possa catalisar a adesão de mais membros, superando as resistências internas.
O Obstáculo Francês e a Pressão dos Agricultores
Apesar do otimismo de alguns, a França continua sendo o principal foco de resistência. Agricultores franceses argumentam que o tratado criaria uma concorrência desleal, uma vez que produtos sul-americanos seriam produzidos sob regras ambientais e sanitárias menos rigorosas do que as exigidas na União Europeia, impactando diretamente o setor.
Mesmo com o novo pacote de incentivos, os agricultores locais afirmam que a proposta não altera o cenário de preocupação e prometem intensificar as manifestações caso o acordo com o Mercosul avance. A posição francesa é um dos maiores desafios para a aprovação final do pacto.
Em uma demonstração da firmeza de sua posição, o governo francês anunciou recentemente a suspensão da importação de produtos agrícolas da América do Sul que contenham resíduos de pesticidas proibidos na União Europeia. A Comissão Europeia tem um prazo de dez dias para decidir se veta ou estende essa medida a todo o bloco, o que adiciona uma camada extra de complexidade às negociações.
O Papel Decisivo da Itália e o Cenário Europeu
A assinatura do acordo com o Mercosul, inicialmente prevista para o mês passado, foi adiada justamente após a Itália, com o pedido de Giorgia Meloni, solicitar mais tempo para negociar apoio interno, especialmente entre seus agricultores. O voto italiano é considerado crucial no Conselho Europeu para a aprovação do tratado.
Além da França, outros países como Polônia e Hungria também permanecem contrários ao acordo, adicionando mais peso à necessidade de um consenso. A reunião dos ministros da UE, portanto, é um esforço concentrado para harmonizar as diferentes visões e encontrar um caminho para a aprovação.
A capacidade da União Europeia de superar essas divisões internas, utilizando o pacote de apoio como alavanca, será determinante para o futuro do acordo com o Mercosul e para a credibilidade do bloco em suas relações comerciais globais.