Saúde de Bolsonaro em Debate: Senadores e Médicos Pedem Prisão Domiciliar Humanitária após Acidente em Cela
Um incidente na cela da Polícia Federal, em Brasília, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está detido, provocou uma intensa mobilização política e médica. Após uma queda que resultou em ferimentos, um grupo de ao menos 20 senadores enviou um abaixo-assinado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a concessão de prisão domiciliar humanitária.
Os parlamentares argumentam que a condição física de Bolsonaro é “grave”, “complexa” e está “agravada”, o que justificaria a mudança do regime de custódia. O episódio gerou grande preocupação entre aliados e levantou questionamentos sobre a capacidade do Estado em garantir a integridade física do ex-presidente.
Esse movimento dos senadores, conforme informações divulgadas, segue uma série de manifestações de outras bancadas, como a da oposição e do PL na Câmara dos Deputados, que também denunciaram violações de direitos fundamentais e garantias constitucionais, considerando a possibilidade de levar o caso a cortes internacionais.
Acidente na Cela da PF e a Urgência Médica
O incidente ocorreu na madrugada de terça-feira, quando Bolsonaro sofreu uma queda na sala especial em que está detido na Superintendência da Polícia Federal. A notícia foi inicialmente divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, gerando um pedido urgente de análise hospitalar por parte dos médicos que o acompanham.
A demora de mais de 24 horas para que Bolsonaro fosse submetido a exames no Hospital DF Star, onde foi constatado um ferimento na cabeça e em um dos pés, foi duramente criticada. Para os senadores, essa lentidão evidencia a incapacidade do Estado de zelar pela saúde do custodiado, intensificando a demanda pela prisão domiciliar humanitária para Bolsonaro.
Médicos e CFM Alertam para Condições Inadequadas
A preocupação com a saúde de Bolsonaro não se restringe apenas ao âmbito político. O médico Cláudio Birolini, responsável pelas cirurgias abdominais do ex-presidente desde o ano passado, fez um alerta importante nesta quarta-feira. Ele afirmou que Bolsonaro possui “comorbidades preocupantes” e que a sala na Polícia Federal não é adequada para sua condição de saúde.
Em entrevista ao jornal O Globo, Birolini foi categórico: “Ele não está em um lugar adequado. Na minha opinião pessoal, o ambiente mais adequado neste momento, frente a situação toda, as demandas, os riscos, é o domiciliar”. Essa avaliação médica reforça a tese de que a prisão domiciliar humanitária seria a melhor opção para garantir o bem-estar do ex-presidente.
Investigação do Conselho Federal de Medicina
Diante dos relatos e da repercussão do caso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) agiu e determinou a abertura de uma sindicância. O objetivo é apurar possíveis falhas na assistência de saúde prestada ao ex-presidente, especialmente após receber relatos formais que levantaram dúvidas sobre a garantia de um atendimento médico adequado.
Desde que foi preso preventivamente em novembro do ano passado, Bolsonaro tem enfrentado uma série de problemas de saúde, incluindo sucessivas crises de soluços e apneia do sono, sequelas da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018. A recente queda só agrava um quadro já considerado delicado por seus médicos e aliados, tornando o pedido de prisão domiciliar humanitária para Bolsonaro ainda mais urgente e pertinente.
O Pedido de Isonomia e a Posição dos Senadores
O senador Jorge Seif (PL-SC), um dos signatários do abaixo-assinado, destacou a gravidade da situação. Ele afirmou que Bolsonaro, sob custódia do Estado, foi deixado “à própria sorte” após o acidente. Seif ressaltou que, se o Estado não consegue garantir a integridade física do ex-presidente, não tem o direito de mantê-lo sob o regime atual.
“Não estamos pedindo clemência, estamos exigindo ISONOMIA. O Supremo já abriu precedentes para outros; negar o mesmo direito a Bolsonaro é admitir que o processo virou perseguição pessoal”, escreveu o senador. Essa declaração enfatiza a reivindicação de um tratamento igualitário, baseada em precedentes já estabelecidos pelo próprio STF, e solidifica a base para a solicitação de prisão domiciliar humanitária para Bolsonaro.