O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém um forte e declarado interesse em incorporar a Groenlândia ao território americano. Contudo, essa aspiração enfrenta a firme resistência das autoridades da Dinamarca e do governo groenlandês, que já expressaram claramente a falta de interesse em vender a estratégica ilha do Ártico, apesar da insistência de Washington.
Em recentes declarações, incluindo durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Trump mencionou um acordo preliminar com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) envolvendo a Groenlândia e a segurança regional. No entanto, esse entendimento ainda não é definitivo e está em fase de negociação, mantendo abertas diversas possibilidades avaliadas pelo governo americano para anexar a ilha.
A busca pela aquisição da Groenlândia por Trump tem gerado um cenário de complexas manobras diplomáticas e até mesmo a consideração de métodos controversos. As opções em análise revelam a profundidade do desejo de Washington por essa região ártica, como apurado pelas informações da fonte.
Ação Militar: Riscos e Reações Internacionais
Apesar de Donald Trump ter afirmado publicamente que não planeja usar a força para obter a ilha autônoma dinamarquesa, a possibilidade de uma intervenção militar para a tomada do território não é descartada. Declarações anteriores da Casa Branca já enfatizaram que “todas as opções estão sobre a mesa”, incluindo o uso da força, um ponto que gera grande preocupação internacional.
Tecnicamente, uma ação militar para a aquisição da Groenlândia seria considerada fácil para os EUA. A ilha não possui forças armadas próprias, dependendo da Dinamarca, que também dispõe de recursos aéreos e navais limitados para cobrir uma área tão vasta. A pequena população, cerca de 60 mil pessoas concentradas na capital Nuuk, e a presença de algumas centenas de militares americanos na base de Pituffik, no noroeste da ilha, reforçam essa percepção de vulnerabilidade.
No entanto, uma ação desse tipo colocaria em xeque as relações dos EUA com seus principais aliados europeus e a própria atuação da Otan. Em resposta à pressão americana, países como França, Alemanha e Reino Unido enviaram pequenos contingentes militares para a Groenlândia para um exercício liderado por Paris, sem o comando da Aliança Atlântica e sem a participação dos EUA. Essa iniciativa levou Trump a anunciar a imposição de novas tarifas sobre os países que se opõem ao seu plano de anexar a ilha, escalando ainda mais as tensões.
Apoio à Independência: Uma Via Indireta para a Aquisição da Groenlândia
Outra estratégia de Donald Trump tem sido incentivar a independência da Groenlândia, que atualmente pertence ao Reino da Dinamarca. Esse posicionamento visa remover obstáculos para que os EUA possam firmar acordos diretos com a ilha, contornando a necessidade de aprovação de Copenhague no modelo atual.
Para conquistar a independência, os habitantes da Groenlândia precisariam votar em um referendo e, em seguida, negociar um acordo que seria aprovado tanto por Nuuk quanto por Copenhague. Uma pesquisa de opinião realizada em 2025 pela empresa Verian indicou que 56% dos groenlandeses eram favoráveis à independência da ilha, enquanto 28% se opunham.
Entretanto, um levantamento posterior da mesma empresa, encomendado pelos jornais Berlingske e Sermitsiaq, revelou que os groenlandeses não desejam fazer parte dos EUA. Os resultados mostraram que 85% dos habitantes da Groenlândia não querem deixar o Reino e se tornar parte dos EUA, enquanto apenas 6% manifestaram esse desejo, com 9% indecisos.
As manobras americanas não se limitaram a discursos. Em agosto do ano passado, a Dinamarca convocou o principal diplomata dos EUA em Copenhague após relatos de que americanos ligados a Trump estariam realizando operações secretas de influência na Groenlândia. Em dezembro, Trump criou o cargo de enviado especial para a Groenlândia, nomeando Jeff Landry, com o objetivo declarado de “tornar a Groenlândia parte dos EUA”.
A Insistência na Compra: Alto Custo e Rejeição
Apesar da clara rejeição da população da ilha e da Dinamarca, Trump tem insistido na opção de comprar a Groenlândia. Em seu discurso no Fórum de Davos, ele voltou a defender esse caminho, buscando “negociações imediatas” para discutir a aquisição do território semiautônomo dinamarquês.
Além dos consideráveis obstáculos burocráticos e políticos que envolvem a compra, a aquisição da Groenlândia representaria um altíssimo custo financeiro para os EUA. Estima-se que o valor necessário equivaleria a 70% de todo o orçamento de defesa do país previsto para 2026, um montante que sublinha a complexidade e a improbabilidade dessa abordagem, dada a forte oposição.