A Argentina encerrou o ano de 2025 com um feito notável na sua economia. A inflação na Argentina registrou uma taxa de 31,5%, marcando o menor índice em oito anos e surpreendendo analistas e cidadãos em todo o continente.

Este resultado representa o segundo ano consecutivo de desaceleração na alta dos preços. Tal feito é atribuído às rigorosas políticas de ajuste fiscal e disciplina monetária que foram implementadas pelo governo do presidente Javier Milei, que assumiu a Casa Rosada no final de 2023.

A taxa de inflação anual de 2025 é a menor desde 2017, quando o índice foi de 24,8%, e mostra uma desaceleração significativa em comparação com os 211,4% de 2023 e 117,8% de 2024, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta terça-feira (13).

Queda Histórica e o Contexto da Desaceleração

A magnitude dessa queda na inflação na Argentina não é apenas significativa, mas também possui uma relevância histórica particular. A última vez que a economia argentina experimentou dois anos consecutivos de queda na inflação anual foi entre 2007 e 2009, um período que marcou o cenário econômico do país.

Maximiliano Gutiérrez, chefe da área de moeda e câmbio da Fundacióm Mediterránea, destacou em um relatório que “Essa queda não é apenas significativa em sua magnitude, mas também assume particular relevância histórica: a última vez que a economia argentina experimentou dois anos consecutivos de queda na inflação anual foi entre 2007 e 2009”. Essa análise reforça a importância dos números recentes.

A comparação com anos anteriores, como os 211,4% de 2023 e os 117,8% de 2024, demonstra a força da desaceleração. A inflação na Argentina, que era uma preocupação constante, parece estar em um caminho de controle mais efetivo, embora não sem desafios para a população.

Desafios no Caminho da Desinflação

Apesar dos resultados anuais positivos, a Argentina acumulou quatro meses consecutivos de aceleração da inflação mensal em dezembro. Este dado mostra que o processo de desinflação não é linear e apresenta flutuações ao longo do tempo, o que é comum em cenários de ajuste econômico.

Iván Cachanosky, economista-chefe da Fundação Libertad y Progreso, comentou à EFE que “No último trimestre do ano, a inflação apresentou níveis elevados. No entanto, esperamos que, a partir de janeiro, a inflação comece a cair novamente, consolidando o processo de desinflação resultante do equilíbrio fiscal”. Essa expectativa sinaliza otimismo para os próximos meses.

Gutiérrez também observou que “um processo de desinflação nunca é linear”, mas, ao contrário, apresenta “dinâmicas em que acelera alguns meses e depois retoma sua tendência de queda”. Ele ressaltou que “os meses de setembro e outubro foram marcados por profunda incerteza política, condicionando as tendências de preços no último trimestre”, explicando as recentes acelerações.

Projeções Futuras para a Economia Argentina

As projeções privadas mais recentes, compiladas mensalmente pelo Banco Central da Argentina, indicam que a inflação anual do país deverá ficar em 20,1% em 2026. Este número, embora menor que o de 2025, ainda é um ponto de atenção para a economia argentina e seus desafios.

Se confirmada, essa taxa seria o dobro da variação de 10,1% que a gestão Milei previu na sua proposta de orçamento para este ano. Contudo, existem outras projeções privadas que corroboram o otimismo do governo, sugerindo que a trajetória de queda da inflação na Argentina pode continuar de forma consistente.

A expectativa é que as políticas de ajuste continuem a surtir efeito, consolidando a estabilidade dos preços e promovendo um ambiente econômico mais previsível para os cidadãos argentinos. A vigilância sobre os indicadores de inflação permanece crucial para a sustentabilidade desses avanços econômicos e sociais.

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