O Parque Ibirapuera, um dos cartões-postais de São Paulo, foi palco de um incidente preocupante na última sexta-feira, dia 2, quando uma árvore de grande porte caiu, deixando três pessoas feridas. A comunidade e as autoridades buscam respostas para entender o que levou ao desabamento.
A concessionária Urbia, responsável pela gestão do parque, divulgou uma hipótese técnica preliminar que lança luz sobre a possível causa. A investigação aponta para um dano invisível nas raízes da árvore, provocado por um evento climático extremo que afetou a região.
Este cenário levanta questões importantes sobre a resiliência da vegetação urbana e os desafios do monitoramento. As informações foram divulgadas pela própria Urbia, que segue acompanhando o caso.
O Mistério das Raízes: Ciclone Extratropical como Causa Oculta
A principal linha de investigação da Urbia sugere que o sistema radicular da árvore que caiu no Ibirapuera pode ter sido severamente afetado por um ciclone extratropical. Este fenômeno climático atingiu São Paulo em 10 de dezembro de 2025, de acordo com a concessionária.
A Urbia explica que as alterações causadas pelo ciclone podem ter ocorrido de forma subterrânea, prejudicando as raízes sem que houvesse sinais externos perceptíveis. Essa característica torna a identificação prévia do risco um desafio complexo para os especialistas.
A empresa enfatiza que, “Durante todo o período de acompanhamento, a árvore não apresentou sinais de declínio estrutural, como aumento de inclinação, perda de vigor, presença de galhos secos ou sintomas de instabilidade”, o que reforça a natureza oculta do problema.
Monitoramento Constante e a Surpresa da Queda
Antes do incidente, a árvore do Ibirapuera era submetida a monitoramentos regulares e, surpreendentemente, não apresentava indícios visíveis de risco. Em 2023, por exemplo, ela passou por uma série de exames detalhados.
Essas avaliações incluíram a base do tronco, a madeira e o sistema radicular, e nenhuma delas indicou comprometimento estrutural ou instabilidade. Em 2025, a árvore chegou a apresentar uma florada intensa e considerada saudável, um sinal que reforçava a sua aparente boa condição.
A queda, portanto, pegou a todos de surpresa, ressaltando a dificuldade de prever danos internos, especialmente aqueles que afetam as estruturas mais profundas da planta, como suas raízes.
As Vítimas do Incidente no Parque Ibirapuera
O desabamento da árvore no Ibirapuera resultou em três pessoas feridas. Uma mulher de 57 anos foi a vítima com lesões mais graves, sofrendo traumatismo craniano e uma lesão no ombro. Ela precisou ser socorrida de helicóptero pela Polícia Militar e encaminhada ao Hospital São Paulo para atendimento.
As outras duas vítimas tiveram ferimentos leves e, felizmente, puderam receber os primeiros socorros e atendimento médico no próprio local do acidente. O incidente gerou preocupação e mobilização das equipes de emergência e da administração do parque.
Medidas Preventivas e o Futuro da Arborização no Parque
A Urbia destaca seu compromisso com a segurança e a manutenção da área verde. Em abril de 2024, a concessionária concluiu um inventário completo das árvores do parque, catalogando mais de 15 mil indivíduos. Este levantamento é uma ferramenta crucial para o acompanhamento da saúde arbórea e a identificação preventiva de problemas.
Para o futuro, a concessionária já tem planos. Está prevista para 2026 uma nova rodada de avaliações de campo aprofundadas. O objetivo é complementar e atualizar as informações do inventário, fortalecendo ainda mais os protocolos de prevenção, segurança e manejo arbóreo do Parque Ibirapuera.