A tenista número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, fez duras críticas ao calendário da WTA, classificando-o como ‘insano’ e revelando sua intenção de pular alguns torneios nesta temporada. A bielorrussa está disposta a enfrentar possíveis punições para priorizar sua saúde.
Essa decisão reflete uma preocupação crescente entre as atletas de elite sobre o excesso de jogos e a falta de tempo para recuperação. Sabalenka, que já sentiu o peso de uma agenda apertada, busca um equilíbrio para não comprometer sua carreira a longo prazo.
A medida da atleta reacende o debate sobre as exigências do circuito profissional, que impõe obrigações rigorosas às jogadoras, conforme informações divulgadas pela Reuters.
A Crítica de Sabalenka ao Calendário
Em declarações recentes, Aryna Sabalenka não poupou palavras ao descrever a situação. ‘A temporada é definitivamente insana, e isso não é bom para todas nós, como se vê pelo número de jogadoras se machucando’, afirmou a tetracampeã de Grand Slam.
Ela enfatiza que o ritmo frenético não é sustentável para o corpo das atletas, que precisam de tempo para se recuperar e treinar adequadamente. A preocupação com o bem-estar físico e mental é central em sua argumentação.
As Regras da WTA e as Consequências
As regras do circuito feminino são bastante claras: as principais jogadoras são obrigadas a disputar os quatro torneios do Grand Slam, dez eventos WTA 1000 e seis WTA 500. A ausência nesses torneios obrigatórios pode resultar em perda de pontos no ranking e multas financeiras.
Recentemente, Sabalenka disputou apenas três torneios WTA 500, o que a levou a sofrer descontos de pontos. Outras atletas de alto ranking, incluindo a número 2 do mundo, Iga Swiatek, também foram impactadas. Isso demonstra a rigidez das normas e as consequências diretas para as tenistas.
O Impacto na Saúde das Atletas
Para Sabalenka, a escolha de pular eventos é uma medida de autoproteção. ‘As regras são bastante complicadas com os torneios obrigatórios, mas ainda assim estou pulando alguns eventos para proteger meu corpo, porque sofri muito na temporada passada’, revelou a bielorrussa.
Ela compartilhou experiências onde, mesmo com resultados consistentes, jogou ‘completamente doente’ ou estava ‘realmente exausta por excesso de jogos’. A atleta lamenta que a WTA pareça focar apenas em ‘seus próprios interesses’, sem priorizar a saúde das jogadoras.
Este cenário é um reflexo das intensas temporadas de 11 meses, que têm sido alvo de críticas tanto no circuito feminino quanto no masculino. Houve um aumento notável de lesões, especialmente durante a ‘perna asiática’ no final do ano passado.
A Resposta da WTA e o Futuro
Diante das crescentes críticas, a WTA afirmou à Reuters, em setembro, que o bem-estar das atletas é uma ‘prioridade máxima’. A entidade assegurou ter ouvido opiniões sobre o calendário, tanto por meio do conselho de jogadoras quanto de seus representantes.
O objetivo seria melhorar a estrutura do circuito em 2024 e aumentar a compensação financeira. No entanto, a declaração de Sabalenka indica que as medidas adotadas ainda não são suficientes para aliviar a pressão sobre as atletas. A discussão sobre um calendário mais equilibrado e menos desgastante para as jogadoras continua sendo um ponto crucial para o futuro do tênis profissional.