Opinião Pública Americana Dividida Após Intervenção na Venezuela e Captura de Maduro

A recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, gerou um cenário de incerteza e divisão na opinião pública americana. Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos revela que os cidadãos dos EUA demonstram reações mistas e preocupações significativas em relação aos próximos passos da política externa de Washington no país caribenho.

A operação, que incluiu bombardeios a pontos estratégicos e a detenção de Maduro ao tentar fugir, colocou em evidência a complexidade das relações internacionais e o impacto de ações militares diretas. A pesquisa, realizada entre 4 e 5 de janeiro de 2026, com 1.248 pessoas e margem de erro de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, mostra a polarização das visões sobre o papel dos EUA na crise venezuelana.

Os dados coletados pela Ipsos, em parceria com a Reuters, sublinham que, enquanto alguns veem a ação como necessária, outros expressam forte oposição e temores de um novo conflito prolongado, o que pode ter implicações diretas para o governo do presidente Donald Trump, conforme informações divulgadas pela Reuters.

Reações à Captura de Nicolás Maduro

A decisão de capturar Nicolás Maduro dividiu os americanos de forma quase equitativa. Segundo a pesquisa Reuters/Ipsos, 33% dos entrevistados aprovaram a ação das forças dos EUA, considerando-a talvez um passo necessário para resolver a crise. Por outro lado, 34% desaprovaram a captura, levantando questões sobre a soberania e a legalidade da intervenção. Um percentual significativo, 32%, afirmou não ter certeza sobre sua posição, evidenciando a complexidade do tema e a falta de consenso.

Essa divisão reflete um debate mais amplo sobre o papel dos Estados Unidos em conflitos internacionais e a validade de derrubar líderes estrangeiros. A neutralidade de quase um terço dos entrevistados sugere que muitos cidadãos ainda estão processando os eventos e as possíveis consequências da intervenção americana na Venezuela.

O Dilema do Governo Americano na Venezuela

Além da captura de Maduro, a pesquisa também abordou a possibilidade de Washington governar a Venezuela até a formação de um novo governo autônomo. Aqui, a oposição se mostra ainda mais forte. 44% dos americanos disseram se opor a essa possibilidade, indicando uma relutância em ver os EUA assumindo um papel de administração direta no país. Em contraste, 34% apoiam a ideia, enquanto 20% não souberam responder.

Essa resistência a um governo interino americano reflete experiências passadas e o receio de que tal medida possa levar a um envolvimento prolongado e dispendioso. As declarações do presidente Donald Trump sobre uma “transição democrática”, ao mesmo tempo em que sugeria governar o país, geram dúvidas sobre a real intenção da Casa Branca e o futuro político de Caracas.

O Petróleo Venezuelano e as Declarações de Trump

Um dos pontos mais sensíveis da pesquisa diz respeito ao controle dos campos de petróleo venezuelanos. A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, e o interesse dos EUA nesse recurso é um fator crucial. A Ipsos questionou os americanos sobre um possível domínio dos EUA sobre esses campos, e a resposta foi clara: 46% se mostraram contrários, enquanto apenas 29% foram favoráveis. Este dado revela uma forte oposição a qualquer movimento que possa ser interpretado como exploração de recursos.

Pouco depois do fim da operação de captura, o presidente Donald Trump afirmou que estaria fortemente envolvido com o petróleo da Venezuela, tratando o combustível como “a riqueza que vem do chão”. Essa declaração, juntamente com as falas ambíguas sobre governar o país versus uma “transição democrática”, acende um alerta sobre as intenções de Washington e o potencial para um controle direto sobre a economia venezuelana.

Preocupações com um Novo “Atolamento” Militar

O temor de que a intervenção na Venezuela possa se transformar em mais uma “guerra sem fim” é palpável entre os americanos. A pesquisa Reuters/Ipsos destaca que a maioria está preocupada com as consequências de um envolvimento prolongado. 74% dos entrevistados mostram preocupação com o risco potencial para a vida de militares do país, um dado que ressoa com as perdas sofridas em conflitos anteriores, como no Iraque.

Além disso, 72% expressam preocupação com um grande envolvimento dos EUA no tema, e 69% com os possíveis custos financeiros. Essas preocupações são reminiscentes do conflito no Iraque, que seguiu à queda de Saddam Hussein e resultou em uma derrota para os EUA, com mais de 2 mil soldados americanos mortos. Durante sua campanha para retornar à Casa Branca, Trump prometeu não colocar os EUA em outra “guerra sem fim”, chegando a afirmar em seu discurso de vitória em 5 de novembro de 2024 que “não vou começar uma guerra, vou pará-las”.

Apesar dos receios, a pesquisa também revela um paradoxo: a maioria acredita que Washington está, de alguma forma, agindo para o bem do povo venezuelano. 38% afirmam que as ações vão melhorar a qualidade de vida do local ao longo do próximo ano, e 40% avaliam que a destituição de Maduro deixará a Venezuela mais estável. Essa dualidade de sentimentos mostra a complexidade da percepção pública sobre a intervenção americana na Venezuela, equilibrando preocupações com o futuro com a esperança de melhorias para a população local.

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