A atividade industrial dos Estados Unidos registrou uma contração mais acentuada do que o esperado em dezembro, marcando o décimo mês consecutivo de perdas para o setor. Este cenário preocupante é impulsionado por uma nova queda nos novos pedidos e um aumento nos custos de insumos.
O setor, que representa 10,1% da economia americana, continua a sentir os efeitos das tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump, adicionando complexidade a um quadro já desafiador para a indústria americana.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira pelo Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM), que detalhou os dados em seu mais recente relatório, conforme apurado por economistas consultados pela Reuters.
O cenário da contração industrial
O PMI de manufatura do ISM caiu para 47,9 em dezembro de 2025, o menor nível desde outubro de 2024. Este índice representa uma queda em relação aos 48,2 registrados em novembro do mesmo ano, surpreendendo as expectativas dos economistas que previam uma leitura de 48,4.
Uma leitura abaixo de 50 no PMI indica contração na manufatura, um sinal de alerta para a saúde econômica do país. Apesar disso, o PMI permaneceu acima de 42,3, um nível que, de acordo com o ISM, ao longo do tempo, é consistente com a expansão da economia em geral.
Fatores por trás da desaceleração
A queda na demanda é um dos principais motores desta contração. O subíndice de novos pedidos da pesquisa do ISM ficou em 47,7 em dezembro, um ligeiro aumento em relação aos 47,4 de novembro, mas ainda assim marcando o quarto mês consecutivo de queda.
Esta medida demonstrou contração em 10 dos últimos 11 meses, com a demanda sendo reprimida pelo aumento dos preços de alguns produtos, diretamente impactados pelas tarifas. Além disso, os custos de insumos de fábrica, que contribuem para a persistência da inflação, permanecem elevados.
O índice de preços pagos do ISM ficou inalterado em 58,5, superando a previsão de 57,0, indicando que as empresas continuam a enfrentar pressões significativas nos custos de produção.
O impacto das políticas de Trump
As tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump são apontadas como um fator crucial que prejudica a manufatura americana. Trump defende que estas tarifas são necessárias para favorecer a produção nacional e reduzir o déficit da balança comercial dos EUA.
No entanto, economistas argumentam que é impossível restaurar o setor industrial apenas com tarifas, devido a questões estruturais mais profundas, como a escassez de trabalhadores qualificados. Essa visão sugere que a política tarifária, em vez de impulsionar, está acentuando os desafios da atividade industrial dos EUA.
Perspectivas futuras para a economia americana
Apesar da contração na manufatura, a economia dos EUA expandiu a uma taxa anualizada de 4,3% no terceiro trimestre, superando a tendência. As expectativas para o quarto trimestre indicam uma possível desaceleração devido ao “shutdown” do governo federal, mas há otimismo para 2026.
Economistas preveem que o crescimento se recupere no próximo ano, impulsionado pelos cortes de impostos implementados por Trump e pelo contínuo aumento do investimento em tecnologia de inteligência artificial (IA). A atividade industrial, no entanto, precisará de mais do que apenas esses fatores para reverter sua tendência de queda, especialmente nos setores não diretamente ligados ao boom da IA.