Uma manifestação em São Paulo, que marcava os três anos dos ataques de 8 de janeiro em Brasília, transformou-se em um cenário de tensão e confronto físico na tarde desta quinta-feira (8).

O evento, realizado no Largo de São Francisco, na Faculdade de Direito da USP, e que também protestava contra o Projeto de Lei da Dosimetria, foi interrompido pela chegada de figuras políticas ligadas à direita.

O ex-deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia e o vereador Rubinho Nunes, ambos do União Brasil, estiveram no centro da confusão, que culminou em agressões e troca de acusações, conforme relatos de pessoas presentes e dos organizadores do ato.

A provocação que iniciou o tumulto na USP

A tensão começou quando Douglas Garcia subiu até as galerias superiores do auditório, com o objetivo de realizar gravações de vídeo. Essa atitude foi prontamente interpretada como uma provocação deliberada pelos participantes do evento.

Segundo vídeos e relatos de quem estava presente, os manifestantes reagiram com gritos de “fascista”. Em seguida, iniciaram a tentativa de expulsar Douglas Garcia do local, momento em que as agressões físicas começaram.

O ex-deputado teve sua camisa rasgada enquanto era forçado a descer as escadarias, em meio à confusão generalizada. Ele deixou o local acompanhado por cinco assessores, com a peça de roupa completamente danificada.

A visão dos organizadores do Ato pelo 8/1

O Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade representativa dos estudantes da Faculdade de Direito da USP e um dos organizadores do ato, classificou a confusão como resultado de uma ação premeditada dos políticos de direita.

Em uma nota oficial de repúdio, a entidade afirmou que o tumulto foi iniciado pela dupla. Para o Centro Acadêmico, a presença dos parlamentares não visava ao diálogo, mas sim à incitação de conflito para fins midiáticos.

“Trata-se do conhecido modus operandi do bolsonarismo e de seus grupos satélites: infiltrar-se em manifestações da esquerda e dos movimentos sociais com o único intuito de tumultuar, incitar conflitos e fabricar narrativas vitimistas para as redes sociais. O objetivo é claro: criar o caos para constranger a luta popular e gerar engajamento através da mentira”, diz um trecho da nota.

Rubinho Nunes também alega agressão em meio à confusão

A situação se agravou no andar térreo, onde o vereador Rubinho Nunes e sua equipe aguardavam. Nunes se defendeu, afirmando que marcou presença no evento para “conversar isoladamente com algumas pessoas que estivessem dispostas a falar”.

O vereador não chegou a entrar no salão principal, mas acabou envolvido na confusão e alega ter sido agredido com uma garrafada no rosto. A presença de figuras ligadas ao bolsonarismo no evento gerou forte repúdio.

A entidade estudantil declarou ser “inadmissível” que, na data que relembra a resistência democrática, um espaço simbólico para a democracia brasileira fosse ocupado por figuras ideologicamente ligadas aos atentados de 2023.

“O XI de Agosto reafirma que não cairá em provocações baratas, mas tampouco aceitará calado que o nosso espaço seja utilizado como palco para a demagogia de quem sempre desprezou a democracia”, completou o comunicado.

O manifesto em defesa da democracia

A convocação para o evento foi liderada pelo Grupo Prerrogativas, pelo Centro Acadêmico XI de Agosto e pelo PT-SP, contando com a adesão de 40 entidades. O objetivo central era a divulgação de um manifesto que propõe estabelecer uma memória permanente sobre os ataques ocorridos em Brasília há três anos.

O documento, subscrito por mais de 200 personalidades, incluindo o coordenador do Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, o advogado Pierpaolo Bottini e a senadora Teresa Leitão (PT-PE), define a data como um dia de celebração da vitória democrática.

“O dia demarca, primeiramente, uma festa cívica histórica em defesa da democracia”, afirma um trecho do manifesto. O texto alerta, contudo, para a necessidade de vigilância contínua da sociedade contra ameaças, internas ou externas, à soberania do país e ao Estado Democrático de Direito.

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