Uma viagem inesperada pela Jujuy, Argentina: da altitude desafiadora aos cactos gigantes, passando pelas Salinas Grandes e uma peculiar festa com o Diabo.

Uma virada de ano que prometia ser comum, no conforto do sofá, transformou-se em uma aventura inesquecível. Com um dinheiro que surgiu de última hora, uma família brasileira decidiu embarcar para a província de Jujuy, na Argentina, sem saber exatamente o que esperar.

A região, conhecida por suas paisagens deslumbrantes e altitude desafiadora, prometia experiências únicas. No entanto, exigia cuidados, como alertado por um amigo que desmaiou e capotou o carro a 5.000 metros devido ao ar rarefeito.

Este é o relato de uma jornada por paisagens surreais, cultura andina vibrante e momentos de pura magia, conforme as informações compartilhadas por um viajante que vivenciou cada detalhe dessa experiência marcante no norte argentino.

A Chegada a Salta e a Rota para Purmamarca

A aventura começou na cidade de Salta, onde o oxigênio ainda era abundante e as empanadas, originais e deliciosamente salteñas, faziam a alegria dos viajantes. Ali, a família perambulou por ruas pitorescas, mergulhando na atmosfera local.

A noite em Salta culminou em um salão de sinuca tradicional, frequentado apenas por homens, com nuvens densas de cigarro sobre as mesas e velhas milongas no som. Um lugar que parecia suspenso no tempo, proporcionando um vislumbre autêntico da vida local.

No dia seguinte, a família seguiu viagem em direção a Purmamarca. O trajeto, porém, não foi o esperado. Perderam a sinuosa e cênica Rota 9, caindo em uma autoestrada enfadonha, onde a única graça foram as batatas fritas que acompanhavam a jornada.

A Magia das Cores e a Preparação para a Altitude

Apesar do desvio no caminho, o destino compensou. Purmamarca, uma minúscula cidade, aninha-se aos pés da Montanha das Sete Cores, uma formação geológica que exibe um espetáculo de tons do verde ao roxo, como uma obra de arte pintada por uma criança destemida.

Para enfrentar a altitude que se aproximava, o viajante se preparou. Abasteceu o estômago com carne de lhama, uma iguaria local, e a língua com folhas de coca, conhecidas por ajudar a suavizar os efeitos do ar rarefeito, essenciais para o próximo trecho da viagem.

Dali, a jornada seguiria rumo às impressionantes Salinas Grandes, um percurso que levaria os aventureiros a quase 5.000 metros de altitude, testando os limites do corpo e da mente.

O Desafio das Salinas Grandes e a Resiliência Humana

À medida que subiam, a paisagem se transformava drasticamente. Os cactos, que antes habitavam as montanhas com a densidade de uma metrópole, começaram a rarear. Nem mesmo eles conseguiam sobreviver em solo tão alto, deixando apenas plantas rasteiras e os solitários condores no céu.

O voo dos condores, conduzindo o olhar aos precipícios, acentuava um desmedido medo materno no viajante: “onde fui me enfiar com meus filhos?”. A resposta viria em breve, com a visão fabulosa das Salinas Grandes, que rasgaram o horizonte com um branco ofuscante.

Os óculos escuros se tornaram indispensáveis para contemplar a paisagem alva. Surpreendentemente, onde nem cactos nem lhamas prosperam, o capitalismo viceja. Um logo da Coca-Cola e chaveiros de capivara eram ofertados em uma pequena tenda, mostrando a resiliência dessa forma de vida.

Um guia local conduziu a família por piscinas abertas no impressionante deserto de sal. Ali, lavaram as mãos, em um gesto simbólico, esperando deixar para trás qualquer mau agouro e entrar mais leves no ano de 2026, com energias renovadas.

O Diabo de Maimará e a Cultura Andina de Tilcara

Na volta, passando por Maimará, a família se deparou com uma festa de rua típica do 1º de janeiro. Um Diabo de três metros de altura, cercado por uma multidão dançante, sinalizava que, no primeiro dia do ano, todo prazer era aceitável, toda indulgência era possível.

Com um discreto sacudir de quadris, o viajante também deixou ali alguns demônios, participando da celebração peculiar que marca o início do ano na região. Era uma imersão profunda na cultura local e suas tradições ancestrais.

Em seguida, o grupo seguiu para Tilcara, uma cidade encantadora onde a cultura andina vibra em cada esquina. Ali, em um gesto de esperança, o viajante espetou, na ponta afiada de um cacto, um papelzinho com seus desejos de ano novo.

Entre os desejos, um se destacava: a vontade de um dia retornar para Jujuy, uma província que, entre cactos e o diabo, se revelou uma experiência transformadora e inesquecível na Argentina.

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