O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou para a Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, na tarde desta quarta-feira, 7 de fevereiro, após passar por uma série de exames médicos.

A ida ao hospital foi motivada por uma queda sofrida na cela da PF, que gerou preocupação sobre o estado de saúde do ex-mandatário.

Os resultados dos exames trouxeram um diagnóstico de traumatismo craniano leve, reacendendo discussões sobre as condições de detenção e o atendimento médico recebido, conforme informações divulgadas pelo cardiologista Brasil Caiado, que acompanha o ex-presidente.

Diagnóstico e as Circunstâncias da Queda

O cardiologista Brasil Caiado, responsável pelo acompanhamento médico de Bolsonaro, detalhou que os exames revelaram uma lesão em partes moles nas regiões temporal e frontal direitas da cabeça do ex-presidente. Essa lesão foi classificada como um traumatismo craniano leve.

Apesar da preocupação inicial, o médico descartou a hipótese de uma crise convulsiva e confirmou que não foram detectadas lesões intracranianas, oferecendo um alívio em meio à gravidade do ocorrido.

Caiado também apresentou uma teoria sobre a queda, sugerindo que Bolsonaro não teria simplesmente caído da cama. Segundo ele, o ex-presidente pode ter tentado se levantar e caminhar, batendo a cabeça e o pé em algum objeto dentro do quarto durante a queda.

“Como ele estava sozinho e não presenciamos a queda, tentando reconstituir a cena com ele, foi que eu deduzi que houve este levantamento, ele caminhou e na queda bateu a cabeça e o pé em um objeto dentro do quarto”, explicou o cardiologista.

Ele enfatizou a diferença: “Por que é diferente? Uma simples queda da cama é uma coisa. Você se levantar, caminhar e cair é outra coisa”, destacando a importância de entender a dinâmica do acidente.

Críticas ao Atendimento e à Morosidade da Justiça

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) expressou sua preocupação e criticou a suposta falta de agilidade da Polícia Federal no atendimento ao marido. Ela relatou que a família ainda não tem conhecimento do momento exato em que a queda ocorreu, o que dificulta a compreensão plena do incidente.

Michelle mencionou que Bolsonaro toma um medicamento que o deixa “muito sonolento” e que ele não se recorda de ter acionado a campainha de emergência disponível na cela. Ela também lamentou ter sido impedida de acompanhar o marido durante a realização dos exames, o que gerou ainda mais apreensão.

O atendimento inicial a Bolsonaro pela equipe médica da PF ocorreu por volta das 9h da terça-feira, 6 de fevereiro. A defesa do ex-presidente solicitou a transferência para exames externos.

Contudo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), inicialmente não viu “nenhuma necessidade de remoção imediata”, gerando um atraso na autorização.

Moraes exigiu um relatório detalhado da PF sobre o atendimento e a indicação dos exames pelos advogados. Somente após a entrega desses documentos, na manhã de quarta-feira, o ministro autorizou a ida de Bolsonaro ao hospital, gerando críticas sobre a demora na decisão.

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, questionou a lentidão do processo, afirmando que “o que está nos autos não é o que acontece na vida real”.

Ele manifestou receio de que o pai possa sofrer uma nova queda nas dependências da PF, o que intensifica a preocupação da família com a segurança e o bem-estar do ex-presidente.

A Preocupação da Família e o Histórico da Detenção

Carlos Bolsonaro reforçou a ideia de que não há risco de fuga por parte de seu pai. Ele lembrou que, durante o período de prisão domiciliar, Bolsonaro utilizava tornozeleira eletrônica e era monitorado constantemente por agentes.

Michelle Bolsonaro corroborou essa visão, descrevendo a casa como um “presídio” devido às vistorias diárias e às restrições impostas, inclusive à filha menor de idade.

O ex-presidente esteve em prisão domiciliar de 4 de agosto a 22 de novembro do ano passado. Sua prisão preventiva foi decretada após uma tentativa de violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.

Essa detenção ocorreu no âmbito de um inquérito que investiga a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, adicionando mais uma camada de complexidade ao caso.

Em 25 de novembro, o ministro Alexandre de Moraes encerrou a ação penal da suposta tentativa de golpe de Estado e determinou o cumprimento imediato da pena de 27 anos e três meses de prisão para Bolsonaro. A defesa tem apresentado diversos pedidos de prisão domiciliar humanitária, mas todas as solicitações foram negadas por Moraes até o momento, mantendo o ex-presidente sob custódia na PF.

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