Brasil atinge pico histórico na importação de diesel em 2025, impulsionado por safra recorde e indústria aquecida, reconfigurando parcerias internacionais de suprimento.
O ano de 2025 marcou um ponto de virada para o mercado brasileiro de combustíveis. O país viu suas importações de diesel dispararem, atingindo volumes jamais registrados antes.
Esse cenário reflete uma combinação complexa de fatores internos e externos, desde a força do agronegócio nacional até as tensões geopolíticas que remodelam as cadeias de fornecimento globais.
Com uma dependência crescente do mercado externo, o Brasil se adapta a novas realidades, buscando equilibrar a demanda interna com a segurança energética, conforme dados oficiais do governo e análise da consultoria StoneX.
O Recorde de Importação e as Razões por Trás do Aumento
Em 2025, as importações de diesel A, o combustível puro, pelo Brasil registraram um aumento significativo de 20% em comparação com o ano anterior, alcançando um volume recorde de 17,3 bilhões de litros. Esse crescimento notável ocorreu em um contexto de forte demanda interna.
A demanda foi impulsionada pelos bons resultados das safras agrícolas e pela expansão do setor industrial, que exigiram mais combustível para suas operações. Paralelamente, houve uma redução na produção das refinarias brasileiras, o que ampliou a necessidade de recorrer ao mercado externo.
É importante notar que o incremento nas importações aconteceu mesmo com o aumento da mistura de biodiesel no diesel B, comercializado nos postos. A partir de agosto de 2025, a proporção de biodiesel passou de 14% para 15%, um esforço para reduzir a dependência do diesel fóssil.
Atualmente, as importações de diesel já representam mais de 20% do consumo nacional, evidenciando a relevância do suprimento externo para atender às necessidades do país.
Mudança Geopolítica: Estados Unidos Ganham Espaço da Rússia
A dinâmica dos fornecedores de diesel para o Brasil sofreu uma alteração importante em 2025. Embora a Rússia tenha se mantido como o principal fornecedor externo, sua participação diminuiu. O país enviou um total de 8,1 bilhões de litros de diesel, um volume 14% menor na comparação com 2024.
Essa queda na oferta russa foi particularmente sentida entre agosto e novembro, período em que o país enfrentou uma redução na capacidade de refino de petróleo. Esse cenário foi uma consequência direta das ofensivas ucranianas contra centros de processamento de petróleo russos, impactando sua capacidade produtiva.
Em contrapartida, os Estados Unidos emergiram como um player cada vez mais relevante. As importações de diesel provenientes dos EUA saltaram para 5,7 bilhões de litros em 2025, um aumento considerável em relação aos 2,4 bilhões registrados em 2024. Essa mudança reflete uma reconfiguração nas rotas de suprimento.
Outros fornecedores importantes para o Brasil incluíram a Índia, com 1,63 bilhão de litros, e a Arábia Saudita, que contribuiu com 765 milhões de litros, diversificando ainda mais a origem do combustível importado.
Perspectivas para 2026: Desafios e Novas Tendências
Para o ano de 2026, as expectativas apontam para uma continuidade da pauta importadora aquecida, conforme análise da StoneX. A consultoria prevê uma maior participação norte-americana no fornecimento de diesel ao Brasil, consolidando a tendência observada em 2025.
O volume de diesel russo, por sua vez, permanecerá em parte atrelado à evolução do conflito com a Ucrânia. Novas ofensivas podem afetar a capacidade de refino da Rússia, impactando sua oferta global e, consequentemente, para o Brasil.
A StoneX também projeta um novo recorde nas vendas de diesel B, já com a mistura de biodiesel, no Brasil. As vendas podem crescer 1,8% em relação a 2025, atingindo 70,4 bilhões de litros, o que manterá a pressão sobre a demanda por importações, dadas as limitações da capacidade de refino nacional.
Contudo, um fator pode desacelerar as compras de combustível importado: o aumento da mistura obrigatória de biodiesel. Prevista para março, a porcentagem de biodiesel no diesel vendido nos postos passará de 15% para 16%, o que pode reduzir marginalmente a necessidade de diesel puro importado.
Gasolina: Importações Também em Alta
Não foi apenas o diesel que viu suas importações crescerem em 2025. A gasolina A, em sua forma pura, também registrou um aumento significativo. O Brasil importou um total de 3,67 bilhões de litros de gasolina, um crescimento anual de 27,6%.
Esse aumento foi acentuado nos dois últimos meses do ano, quando as internalizações somaram 1,5 bilhão de litros, o equivalente a 41% do total anual. A razão para esse pico foi a ampliação da janela de importação, mesmo após dois ajustes de preços realizados pela Petrobras ao longo do ano.
A gasolina A internacional se mostrou mais atrativa para o mercado interno devido a um diferencial elevado de preços, que chegou a superar R$ 0,30 por litro por um longo período, segundo a StoneX. Até outubro, as importações acumuladas de gasolina A apresentavam queda de 10,8% em relação a 2024, mostrando a reversão da tendência no final do ano.