Para iniciar, o governo federal do Brasil está empenhado em uma iniciativa ambiciosa: unir os países da América do Sul, ricos em recursos naturais estratégicos, para formar uma aliança robusta no setor mineral. O objetivo principal é fortalecer a região e diminuir a histórica dependência de grandes potências globais.
Essa estratégia representa uma ruptura com o passado, onde nações em desenvolvimento frequentemente serviam apenas como fornecedores de matérias-primas. O Brasil, segundo interlocutores do governo, não aceita mais repetir esse padrão, buscando um desenvolvimento mais autônomo e integrado para o continente.
A proposta central envolve a criação de corredores estratégicos de minerais, focando inicialmente em elementos cruciais como lítio e terras raras, mas com planos de expansão para cobre, níquel e minério de ferro, conforme informações divulgadas pelo governo federal.
A Visão por Trás dos Corredores Estratégicos
A ideia dos corredores estratégicos de minerais não se limita a um projeto físico isolado, mas sim a um complexo conjunto de eixos integrados. Eles foram concebidos para conectar de forma eficiente a produção, a infraestrutura necessária, a indústria de transformação e os mercados internacionais.
Na prática, a proposta prioriza rotas logísticas e de infraestrutura capazes de integrar nações vizinhas. O intuito é, sobretudo, reduzir os gargalos históricos que há muito tempo afetam o setor mineral na região. Isso representa um avanço significativo para a eficiência do escoamento.
Entre as ações previstas, destacam-se a articulação de ferrovias e rodovias que cruzam fronteiras, o uso coordenado de portos estratégicos tanto no Atlântico quanto no Pacífico, e a expansão de linhas de transmissão e de toda a infraestrutura energética. Tais medidas são vistas como fundamentais para a fluidez da cadeia produtiva.
Além disso, o projeto contempla a criação de hubs industriais e zonas de processamento localizadas próximas às áreas de produção. Essa proximidade geográfica tem o potencial de reduzir custos operacionais, otimizar o tempo de escoamento dos produtos e minimizar os riscos logísticos envolvidos no transporte.
Formando Cadeias de Valor Regionais e Evitando a Exportação Bruta
Um dos pilares mais importantes da proposta brasileira é a formação de cadeias de valor regionais. O objetivo explícito é romper com o modelo de simples exportação de minério bruto, agregando valor aos produtos dentro do próprio continente.
A estratégia passa por um forte incentivo ao beneficiamento local dos minerais, transformando-os em produtos mais elaborados. Isso inclui a produção de insumos intermediários, como óxidos, ligas metálicas e concentrados avançados, que possuem maior valor agregado no mercado global.
A iniciativa também prevê a integração desses insumos com indústrias de ponta. Setores como a fabricação de baterias, ímãs permanentes, siderurgia de baixo carbono, defesa e tecnologias limpas são alvos prioritários para essa integração, gerando mais empregos e riqueza na região.
Minerais Críticos no Centro da Política Nacional
Essa agenda estratégica de integração sul-americana e valorização dos minerais críticos está entre as prioridades do Ministério de Minas e Energia. Ela é um componente central na elaboração da nova Política Nacional de Minerais Críticos do Brasil, indicando a seriedade do compromisso.
Em diversos eventos internacionais, o governo brasileiro tem enfatizado que a integração regional é uma condição indispensável para que a América do Sul conquiste maior peso geopolítico. Atualmente, as cadeias globais desses insumos são dominadas por um número limitado de países.
Durante um evento realizado em Riade, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu abertamente a criação desses corredores. Ele ressaltou a importância do apoio de organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, para a viabilização da estratégia.
Silveira afirmou: “Nesse espírito de cooperação prática, o Brasil e os países vizinhos podem dar um passo decisivo junto com o Fundo Monetário Internacional. Falo da expansão do mapa da integração com novos corredores estratégicos de lítio e terras raras na América do Sul, além do potencial de crescimento da produção de cobre, níquel e minério de ferro de alta qualidade”.