O governo brasileiro classificou, nesta terça-feira, 6 de janeiro, a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos como “sequestro”. A declaração foi feita durante uma reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington.
O embaixador Benoni Belli, representante permanente do Brasil na OEA, afirmou que a ação militar dos EUA na Venezuela representa uma “afronta gravíssima à soberania” do país.
Ele também alertou para uma “ameaça à comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”, conforme informações divulgadas na ocasião.
A Dura Posição do Brasil na OEA
Benoni Belli foi enfático ao declarar que “os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”. Essa afirmação sublinha a seriedade da condenação brasileira.
Esta é a primeira vez que o Brasil utiliza o termo “sequestro” de Maduro para descrever a detenção de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, pelas forças especiais americanas no último sábado.
Anteriormente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a diplomacia brasileira referiam-se ao incidente apenas como “captura”, indicando uma clara escalada no tom diplomático e na percepção da gravidade da ação.
Implicações do ‘Sequestro’ para a Soberania Regional
A mudança na terminologia, de “captura” para “sequestro de Maduro”, ressalta a gravidade percebida pelo Brasil em relação à intervenção americana no território venezuelano.
Essa classificação não só condena a ação, mas também reforça a defesa brasileira pela não-intervenção e pelo respeito irrestrito à soberania dos Estados, princípios fundamentais para a estabilidade na América Latina.
O alerta sobre um “precedente perigoso” sublinha a preocupação de que ações semelhantes possam desestabilizar ainda mais a ordem internacional, impactando futuras relações diplomáticas na região e a segurança global.