O governo brasileiro mantém uma postura de grande otimismo em relação à conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A declaração foi feita nesta terça-feira, 6 de fevereiro, pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Este tratado, que já soma mais de duas décadas de negociações, é visto como um marco significativo para o comércio internacional, especialmente em um contexto de crescentes tensões geopolíticas e tendências protecionistas ao redor do mundo.

Alckmin reiterou a confiança do Brasil na finalização deste que promete ser o maior acordo comercial do planeta, conforme informações divulgadas.

Avanços e Otimismo Brasileiro

Geraldo Alckmin enfatizou que o acordo Mercosul–UE está “bem encaminhado”, apesar dos desafios recentes. Ele destacou a importância do tratado para ambas as partes, além de ressaltar seu papel no fortalecimento do comércio global em um período de instabilidade.

“O próximo acordo, fruto de um longo trabalho, mais de duas décadas, é Mercosul–UE. Está bem encaminhado. Quero reiterar que nós estamos otimistas e é muito importante para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio global que, no momento de guerras, de conflitos, de geopolítica instável, de protecionismo, será o maior acordo do mundo”, afirmou Alckmin, durante entrevista para anunciar os resultados da balança comercial brasileira de 2025.

O vice-presidente sublinhou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é priorizar o diálogo e a negociação para a concretização deste e de outros importantes acordos comerciais.

Obstáculos e Resistências na Europa

Apesar do otimismo brasileiro, a assinatura do tratado, inicialmente prevista para dezembro durante a cúpula do Mercosul, foi adiada por falta de consenso entre os países europeus. As principais resistências vêm de uma ala conservadora da Itália e, mais notavelmente, de agricultores da França.

Estes grupos têm pressionado seus governos contra o avanço do acordo Mercosul–UE. O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou recentemente que a França não apoiará o tratado sem a inclusão de novas salvaguardas para proteger seus produtores rurais, tornando o país o principal foco de oposição dentro da União Europeia.

Contudo, a Comissão Europeia informou na segunda-feira, 5 de fevereiro, sobre avanços nas negociações para viabilizar a aprovação do tratado, embora ainda não haja confirmação oficial para a assinatura final do acordo.

Importância Estratégica em um Cenário Global

Em sua análise, Alckmin reforçou a importância estratégica do acordo Mercosul–UE em um cenário internacional complexo, marcado por conflitos, instabilidade geopolítica e avanço do protecionismo. Ele reiterou que o tratado tem o potencial de se tornar o maior acordo comercial do mundo, impulsionando o multilateralismo e o livre comércio.

A concretização deste mega-acordo é vista como uma mensagem poderosa de cooperação em tempos de fragmentação global. O Brasil, como um dos principais articuladores do Mercosul, desempenha um papel fundamental nesse processo.

Apesar das dificuldades, o governo brasileiro segue empenhado em superar os impasses e garantir que o acordo de livre comércio seja benéfico para todas as partes envolvidas, promovendo crescimento econômico e estabilidade.

Próximos Passos e Novas Parcerias Comerciais

Mesmo após uma eventual assinatura, o acordo Mercosul–UE enfrentará uma série de etapas formais. No Brasil, o texto precisará passar por trâmites no Executivo e no Legislativo, incluindo análise e votação no Congresso Nacional.

Na Europa, será necessário o aval do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu, além da ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países-membros da União Europeia, um processo que pode ser demorado. Além do acordo com a União Europeia, o governo brasileiro trabalha para avançar em novas parcerias em 2026.

Entre as iniciativas estão o tratado entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos, e a ampliação de preferências tarifárias com importantes parceiros como Índia, México e Canadá, buscando diversificar e fortalecer as relações comerciais do Brasil.

Alckmin também comentou o desempenho do comércio exterior brasileiro, ressaltando que as exportações cresceram 5,7% em 2025, mais que o dobro da projeção de crescimento do comércio global, estimada em 2,4% pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele destacou a Argentina como o país com maior expansão nas compras de produtos brasileiros no ano passado, com alta de 31,4%, impulsionada principalmente pelo setor automotivo.

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