Uma preocupação significativa toma conta dos brasileiros, que observam com apreensão os desdobramentos da política externa dos Estados Unidos. O receio de que o país possa ser alvo de uma intervenção semelhante à ocorrida na Venezuela no início deste ano é palpável e divide opiniões.

A operação em Caracas, que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa em 3 de janeiro, gerou um alerta global sobre os limites da soberania nacional e o papel de potências estrangeiras na política de outras nações.

Essa apreensão foi capturada por um levantamento da Quaest, divulgado nesta quinta-feira (15), que oferece um panorama detalhado da percepção pública brasileira sobre o tema.

O Temor em Números e Suas Raízes Políticas

A pesquisa da Quaest revela que 58% dos brasileiros têm medo de que o Brasil sofra, no futuro próximo, uma ação dos EUA no Brasil análoga à realizada na Venezuela. Em contrapartida, 40% afirmam não ter esse receio, enquanto 2% não souberam ou não responderam.

O medo é ainda mais pronunciado entre os eleitores que se declaram lulistas, com 74% expressando temor de uma ação dos Estados Unidos contra o Brasil. Contudo, entre os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, esse percentual também é elevado, atingindo 57%.

Para realizar o estudo, a Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 8 e 11 de janeiro, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%.

A Reação de Lula e a Percepção Pública

No cenário político nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou veementemente a iniciativa americana, classificando-a como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para a comunidade internacional”. Esse posicionamento, contudo, não encontrou unanimidade entre os brasileiros.

Questionados sobre a reação de Lula, 51% dos entrevistados consideraram o posicionamento do governo brasileiro errado, contra 37% que o avaliaram como certo. Outros 12% não souberam ou preferiram não responder à questão.

Apesar da contrariedade à posição presidencial, a pesquisa indica que a maioria não pretende que isso afete seu voto. 71% afirmam que a questão não influenciará suas escolhas nas eleições deste ano, enquanto 17% preferem a oposição e 7% o próprio petista. 5% não souberam ou não responderam.

Aprovação da Ação na Venezuela e o Debate sobre Intervenção

A Quaest também sondou a opinião dos brasileiros sobre a operação militar em Caracas, que incluiu bombardeios e a captura de Maduro. O levantamento mostrou que 46% aprovam a ação dos Estados Unidos, enquanto 39% a desaprovam, e 15% não souberam ou não responderam.

Essa aprovação, segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest, deriva de uma percepção majoritária: “50% acreditam que é aceitável que haja interferência em outro país se a razão da interferência for a retirada de um ditador do poder”. Outros 41% discordaram dessa premissa.

Em relação à postura que o Brasil deveria adotar diante do governo Trump, a maioria defendeu a cautela. Para 66%, o país deveria se manter neutro, enquanto 18% acham que o Brasil deveria apoiar as ações dos Estados Unidos e 10% defendem uma oposição aberta.

O Cenário Pós-Maduro e o Impacto no Mercado de Petróleo

Após a ação dos Estados Unidos em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando da Venezuela. Sob pressão do então presidente Donald Trump, ela negociou com os americanos a abertura do mercado de petróleo do país para empresas norte-americanas.

Este desdobramento é particularmente relevante, dado que a Venezuela, nação vizinha ao Brasil, detém as maiores reservas de petróleo do mundo, o que confere à sua política interna e externa um peso estratégico considerável no cenário global e regional.

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