Em uma semana já agitada pelo anúncio de uma nova gestão, a Brava (BRAV3) movimentou o mercado com a divulgação de uma aquisição de grande porte. A notícia, que inicialmente gerou uma alta nas ações na sessão desta sexta-feira (16), logo virou para uma forte queda, com os papéis fechando o dia em baixa de 5,05%, cotados a R$ 17,10.
A transação, avaliada em US$ 450 milhões, envolve a compra de 50% da participação da Petronas nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte. Este movimento inesperado gerou um debate entre analistas de mercado, que, em sua maioria, veem a aquisição como estratégica e com potencial positivo a longo prazo, mas questionam a recepção negativa imediata dos investidores.
Apesar da análise favorável de diversas casas de investimento, o mercado reagiu com cautela, sugerindo uma possível desconexão entre as expectativas de analistas e a percepção dos investidores. Esta divergência levanta a questão central: por que uma aquisição considerada boa por especialistas resultou em uma desvalorização tão expressiva para a Brava (BRAV3)?
Detalhes da Aquisição e Expectativas do Mercado
A aquisição anunciada pela Brava (BRAV3) consiste na compra de 50% da participação atualmente detida pela Petronas nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte. O valor total da transação é de US$ 450 milhões, com uma estrutura de pagamento que inclui US$ 50 milhões na assinatura, US$ 350 milhões no fechamento, sujeitos a ajustes, e duas parcelas diferidas de US$ 25 milhões a serem pagas em 12 e 24 meses após o fechamento.
Os campos de Tartaruga Verde e Espadarte estão localizados na Bacia de Campos e iniciaram suas operações em 2018. O petróleo produzido é leve (27° API), o que representa uma diversificação em relação à atual produção da Brava, mais concentrada em petróleo pesado. Em 2025, o ativo produziu uma média de 55,6 kboed, dos quais 27,8 kboed correspondem à participação da Brava.
Reação Inesperada e Análises Divergentes
O anúncio da aquisição foi, conforme a XP Investimentos, inesperado, mas positivo. A casa de análise destacou que o mercado estava atento a possíveis desinvestimentos da Brava, tornando a aquisição uma surpresa. No entanto, a XP acredita que o negócio se enquadra no balanço da companhia e, considerando os ajustes de preço e a estrutura de pagamento, provavelmente reduzirá a alavancagem da empresa, melhorando a relação dívida líquida/Ebitda.
O Goldman Sachs, por sua vez, apontou que, embora já houvesse rumores da possibilidade de a Brava adquirir a participação da Petronas, o mercado esperava mais detalhes sobre a estratégia de desinvestimentos da petroleira, especialmente após a recente mudança na gestão. Assim, o banco avalia que