Em uma corrida contra o tempo, as buscas por crianças no Maranhão, especificamente por dois irmãos desaparecidos em uma área de mata no território quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, chegam ao sexto dia. A operação, que mobiliza diversas forças de segurança e a comunidade local, ganhou um novo e crucial elemento de esperança: o resgate com vida do primo das crianças, encontrado após quatro dias de angústia.
Este desenvolvimento reacende a expectativa de encontrar Agatha Isabela Reis Lago, de seis anos, e Allan Michael Reis Lago, de quatro anos, que sumiram no último domingo (4) na zona rural do município. A complexidade do terreno e a vasta extensão da área tornam o trabalho das equipes um desafio constante.
A história das três crianças desaparecidas em Bacabal, Maranhão, que inicialmente envolvia três, agora foca nos irmãos, enquanto o menino resgatado se recupera e fornece as primeiras, mas valiosas, informações às autoridades, conforme divulgado pela Polícia Civil do Maranhão (PCMA).
O Resgate de Kauã e a Esperança Renovada
Kauã Barbosa Reis, de 8 anos, primo de Agatha e Allan, foi localizado na última quarta-feira (7) por três produtores rurais. Ele estava em uma área de mata no povoado Santa Rosa, a cerca de quatro quilômetros, em linha reta, do ponto onde as crianças foram vistas pela última vez, segundo a PCMA.
Após o resgate, Kauã foi encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal, onde permanece internado. De acordo com informações da equipe médica, ele chegou abatido, com dificuldade para falar, mas apresenta boa recuperação clínica. A criança recebe cuidados médicos e acompanhamento psicológico, sem previsão de alta.
Em estado de choque, Kauã conseguiu repassar apenas poucas informações às autoridades, que já estão sendo analisadas pelas equipes. Essas declarações são cruciais para direcionar as buscas por crianças no Maranhão e encontrar os irmãos.
A Complexidade das Buscas por Crianças em Bacabal
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão (SSP-MA), Agatha Isabela Reis Lago e Allan Michael Reis Lago, irmãos, continuam desaparecidos. As buscas seguem concentradas principalmente na região do povoado Santa Rosa, onde o menino de oito anos foi localizado.
A área de atuação das equipes é extensa e de difícil acesso, com cerca de 10 mil quilômetros quadrados de mata fechada, lagos e trilhas naturais, além da presença de animais silvestres. Para ampliar as chances de localização, a força-tarefa utiliza helicóptero, drones com sensores térmicos e cães farejadores.
A operação conta com o apoio direto da comunidade local e a participação de equipes da Polícia Militar (PMMA), Polícia Civil (PCMA), Corpo de Bombeiros Militar (CBMMA), Centro Tático Aéreo (CTA), Força Estadual e órgãos da Prefeitura de Bacabal. A união de esforços é fundamental para o sucesso das buscas por crianças desaparecidas.
Apoio Governamental e Mobilização Comunitária
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Ribeiro Martins, afirmou que a localização das crianças é prioridade absoluta do governo estadual. Segundo ele, mais de 200 agentes das forças de segurança atuam diretamente nas buscas, além de centenas de moradores que se voluntariaram para ajudar.
“A força-tarefa de buscas reúne a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, o COSAR, o CTA e a Força Estadual, além do apoio da Prefeitura e de populares, com o emprego de recursos tecnológicos e cães farejadores”, informou o gestor nas redes sociais, destacando o empenho nas buscas em Bacabal.
O secretário também enfatizou que o governador Carlos Brandão acompanha o caso desde o início e determinou o reforço das ações. “Nós só vamos parar depois que nós encontrarmos as duas crianças que faltam serem encontradas”, afirmou Martins, ressaltando a determinação.
A Prefeitura de Bacabal informou que, desde a tarde de domingo, tem dado suporte integral às operações. O prefeito Roberto Costa determinou apoio imediato e a articulação com o governo estadual para intensificar as ações. O município também mantém equipes do Samu de prontidão 24 horas por dia.
Linhas de Investigação e o Mistério do Desaparecimento
De acordo com familiares, as crianças eram amigas e tinham o hábito de circular pela região. Elas teriam saído para brincar na mata próxima ao quilombo no domingo, quando desapareceram. As primeiras buscas começaram ainda no mesmo dia, com a atuação do Cosar da PMMA.
Na segunda-feira (5), a mãe, o padrasto e a avó das crianças prestaram depoimento na Delegacia de Bacabal e foram liberados. O desaparecimento causa estranheza pelo fato de as crianças estarem acostumadas a circular e brincar naquela área de mata, segundo o prefeito Roberto Costa.
As autoridades informaram que novas frentes de investigação foram abertas e, de acordo com a PCMA, todas as linhas possíveis estão sendo consideradas para desvendar o mistério das crianças desaparecidas no Maranhão.