A sustentabilidade deixou de ser apenas uma questão ambiental ou social para se tornar um pilar central no futuro das empresas e de suas cadeias de suprimentos. Crises globais recentes, da pandemia à instabilidade geopolítica, revelaram a profunda interdependência entre os aspectos ambiental, social e econômico.
Este cenário exige um repensar urgente dos modelos operacionais, muitos deles historicamente lineares e insustentáveis. Conceitos como regeneração e impactos positivos para o planeta ganham destaque, pois não basta reduzir o dano ambiental, é preciso ir além, restaurando ecossistemas, fortalecendo comunidades e criando valor compartilhado.
A Fundação Ellen MacArthur defende essa visão, e a ONU proclamou 2021-2030 como a Década da Restauração. A agenda regenerativa foi central na COP 30, indicando que a sustentabilidade é hoje uma necessidade urgente, e não apenas uma vantagem competitiva, conforme análises do setor.
A Economia Circular como Ferramenta Estratégica para a Sustentabilidade
Nesse contexto, a economia circular surge como uma ferramenta estratégica poderosa. Ela não limita o crescimento econômico, mas o alinha diretamente com benefícios ambientais tangíveis. Modelos que integram a reutilização, o reparo e o compartilhamento demonstram que a rentabilidade pode, de fato, caminhar lado a lado com um impacto ambiental positivo.
A logística, em particular, é um campo estratégico para acelerar a descarbonização das cadeias de suprimentos. Uma análise da McKinsey destaca que a logística colaborativa, a digitalização de rotas e o uso de modais de baixo carbono podem reduzir emissões em até 30% nos próximos anos.
Essas ações, que também aumentam a eficiência operacional, solidificam a logística como um pilar essencial para construir uma cadeia de suprimentos sustentável. A combinação de redução de emissões e otimização é crucial para o avanço do setor.
Projetos de economia circular aplicados à logística, como a reutilização e reciclagem de paletes, caixas e contentores, provam que é totalmente possível reduzir o desperdício e as emissões sem comprometer a eficiência da cadeia de suprimentos sustentável. Quando combinados com o fornecimento responsável, esses modelos podem gerar resultados regenerativos ainda mais amplos.
Da Certificação à Regeneração: Casos de Sucesso na Prática
Na América Latina, por exemplo, diversas empresas já adotaram paletes provenientes de florestas certificadas no Brasil. Isso garante 100% de origem certificada e a conformidade com os padrões internacionais de rastreabilidade e sustentabilidade.
Essa abordagem se alinha aos compromissos corporativos de não desmatamento para diversas commodities, incluindo madeira. Tais iniciativas vão além da mitigação quando combinadas com práticas florestais regenerativas, como o plantio de duas árvores para cada uma colhida.
A empresa Brambles, por exemplo, registrou o crescimento sustentável de 5,6 milhões de árvores no último ano de seu programa de 2025. Desse total, mais de 2,6 milhões de árvores foram necessárias para a produção de paletes, e mais de 3 milhões foram adicionais, plantadas por meio de iniciativas florestais regenerativas.
Este é um claro exemplo de como escolhas operacionais na logística podem ampliar a regeneração ambiental de forma mensurável, fortalecendo a cadeia de suprimentos sustentável e contribuindo para a restauração do ecossistema.
Colaboração Intersetorial: O Caminho para o Impacto Duradouro
É fundamental reconhecer que esses esforços não podem ser alcançados isoladamente. A aliança de silvicultura regenerativa no México demonstra o poder da colaboração intersetorial, reunindo expertise não apenas na restauração de terras degradadas, mas também na viabilização da gestão sustentável de ecossistemas a longo prazo.
Essa abordagem inclui a criação de empregos, treinamento técnico e engajamento comunitário, exemplificando como a regeneração pode ser incorporada às estratégias da cadeia de suprimentos sustentável para gerar valor multidimensional. Modelos semelhantes foram adotados com sucesso em regiões como Zâmbia e África do Sul.
A ação colaborativa acelera resultados positivos para a natureza em diferentes regiões geográficas. Em suma, o compromisso das empresas com essa agenda transforma práticas empresariais em motores de regeneração ambiental e social, construindo cadeias de suprimentos resilientes, circulares e capazes de gerar impacto positivo duradouro.