O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou o terceiro dia de sua ambiciosa caminhada de 240 quilômetros, que liga Paracatu (MG) a Brasília (DF), para trazer à tona discussões sobre figuras proeminentes da política brasileira. Seu percurso tem sido marcado por menções a casos que ele considera emblemáticos.
Após citar detidos dos eventos de 8 de janeiro, como Debora Rodrigues e Coronel Naime, o parlamentar direcionou sua atenção para o ex-deputado federal Daniel Silveira e, posteriormente, para o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As declarações de Nikolas Ferreira, conforme informações da fonte, buscam reacender o debate público sobre as situações jurídicas desses políticos, propondo reflexões sobre prisão por opinião e o tratamento dado a diferentes figuras públicas no país.
Nikolas Ferreira e o Caso Daniel Silveira
Por volta das 10h desta terça-feira (21), Nikolas Ferreira fez questão de lembrar de Daniel Silveira. Ele afirmou que o ex-deputado teria sido “o primeiro a ser preso por opinião contra o STF”, apesar de, na época, ainda gozar de imunidade parlamentar, conforme o artigo 53 da Constituição Federal.
Daniel Silveira foi preso em 16 de fevereiro de 2021, por ordem do ministro Alexandre de Moraes. A prisão ocorreu após a publicação de um vídeo com críticas e ofensas a ministros da Corte, no qual Silveira chegou a defender o AI-5, uma medida severa do regime militar que cassou ministros do Supremo.
O ex-parlamentar foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a oito anos e 9 meses de prisão. O então presidente Jair Bolsonaro utilizou a “graça constitucional” para perdoar as penas, mas essa decisão foi posteriormente anulada pelo STF.
Em dezembro de 2024, Moraes concedeu liberdade condicional a Silveira, mas ele foi novamente preso quatro dias depois por suposto descumprimento do horário de recolhimento. A defesa do ex-deputado alegou que ele havia ido a um hospital. Silveira segue preso e tem enfrentado sérias complicações de saúde, levando Nikolas a dedicar a caminhada a ele, afirmando: “Essa caminhada é pra você!” ao completar 80 quilômetros.
O Apelo por Jair Bolsonaro e o 8 de Janeiro
Dez quilômetros adiante, ao atingir a marca de 90 quilômetros, o deputado gravou um novo vídeo, desta vez para abordar o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Chegamos aos 90 quilômetros e eu quero lembrar de uma pessoa importantíssima para o nosso país, que foi Jair Bolsonaro”, disse Nikolas.
Ele reconheceu que há conservadores que criticam Bolsonaro, mas ressaltou que “houve uma mudança no país” e que é preciso “ser grato por isso”. O parlamentar argumentou que o tratamento dispensado a Bolsonaro tem sido pior do que o dado a traficantes.
Nikolas Ferreira também defendeu que o “suposto golpe” que levou o ex-presidente à prisão não existiu, classificando-o como “um crime impossível, assim como envenenar uma pessoa com água potável”. Ele argumentou que um golpe exige o uso de armas, o que, em sua visão, não ocorreu em 8 de janeiro.
Segundo o deputado, os eventos de 8 de janeiro envolveram “depredação de patrimônio público, que é um crime de até três anos de pena”. No entanto, ele pontuou que “já se passaram os três anos e as pessoas continuam presas”, levantando preocupações sobre a duração das detenções.
Um dos objetivos centrais da caminhada de Nikolas Ferreira é pedir a prisão domiciliar para Bolsonaro. Para o deputado, essa seria “um passo para sua liberdade”, permitindo o cuidado e a presença da família. Ele criticou a disparidade de tratamento, comparando a situação de Bolsonaro com a de “corruptos como Sergio Cabral, condenado a 400 anos de cadeia”, que, segundo Nikolas, “está no Rio curtindo a vida”.