As primeiras semanas de funcionamento parcial da Ponte da Integração, que conecta Foz do Iguaçu, no Brasil, a Presidente Franco, no Paraguai, têm sido marcadas por sérias dificuldades operacionais. Caminhoneiros relatam esperas que podem chegar a um dia inteiro para cruzar a fronteira, um cenário que contrasta com a proposta inicial da obra.

A ponte foi inaugurada com a promessa de desafogar o tráfego pesado da antiga Ponte da Amizade e otimizar a logística internacional. No entanto, sua operação limitada, restrita a caminhões vazios e a horários específicos durante a madrugada, tem concentrado o fluxo e provocado a formação de longas filas.

Essas demoras não apenas geram prejuízos financeiros significativos para os motoristas, mas também causam cansaço e insegurança, especialmente durante as longas horas de espera noturna para o desembaraço aduaneiro, conforme informações apuradas e divulgadas pela fonte de conteúdo.

Filas Extenuantes e Prejuízos para Caminhoneiros na Ponte da Integração

Motoristas que utilizam a nova Ponte da Integração enfrentam uma realidade desafiadora. Em alguns dias, a espera para a travessia da fronteira Brasil-Paraguai pode se estender por várias horas, e há relatos de caminhoneiros que permanecem até 24 horas aguardando liberação. Essa situação gera um impacto direto no bolso dos profissionais e na eficiência do transporte de cargas.

Os representantes da categoria dos caminhoneiros têm expressado preocupação com os prejuízos financeiros e o desgaste físico e mental dos motoristas. A permanência prolongada em filas, muitas vezes durante a madrugada, eleva os riscos de segurança e a fadiga, comprometendo as condições de trabalho.

A operação limitada da ponte, que permite a passagem apenas de caminhões vazios entre 22h e 5h, contribui para a concentração do tráfego. Essa restrição, embora temporária, tem sido um dos principais fatores para a formação das extensas filas na nova Ponte da Integração.

Problemas Estruturais Afligem Aduanas Brasileira e Paraguaia

Além das dificuldades no fluxo, as estruturas das aduanas em ambos os lados da Ponte da Integração apresentam problemas desde a entrega das obras. No lado brasileiro, foram constatados vazamentos hidráulicos, danos em forros, falhas em sistemas de ar-condicionado e pane na iluminação externa, exigindo reparos.

A situação no lado paraguaio também é considerada precária, com relatos de falhas no sistema elétrico que demandam o uso constante de geradores para manter a operação da aduana. Técnicos dos dois países elaboraram relatórios detalhados apontando diversas inconsistências estruturais que precisam ser corrigidas para garantir uma operação plena e segura da Ponte da Integração.

João Luiz Félix, empreiteiro e representante do consórcio responsável pelas obras, afirmou que todos os problemas estruturais estarão resolvidos até fevereiro. No entanto, a construtora paraguaia e os órgãos fiscalizadores do país vizinho não se manifestaram sobre as críticas.

Controles Reforçados e Novas Exigências na Travessia da Fronteira

Outro fator que contribui para o aumento do tempo de espera na Ponte da Integração é o reforço nos controles migratórios e sanitários. Agora, os motoristas precisam realizar o registro migratório em ambos os países, um procedimento que não era exigido de forma sistemática em todas as travessias pela antiga Ponte da Amizade.

A fiscalização de alimentos transportados também foi intensificada, resultando na apreensão de produtos proibidos pela legislação sanitária. O delegado da Alfândega da Receita Federal, César Vianna, explicou a importância dessas medidas. “Esse registro acaba fazendo com que o motorista demore mais para passar pela fiscalização, mas é bastante importante. Do lado paraguaio já foram presos diversos motoristas que tinham mandado de prisão em aberto, especialmente por dívidas alimentares”, destacou Vianna.

As autoridades federais enfatizam que os procedimentos adotados seguem os protocolos legais e fazem parte da adaptação ao novo modelo de controle fronteiriço. Apesar dos transtornos iniciais para os caminhoneiros, a avaliação oficial é de que a retirada dos veículos pesados da Ponte da Amizade já melhorou o trânsito urbano de Foz do Iguaçu, com benefícios esperados a médio e longo prazo.

Próximos Passos e Expectativas para a Ponte da Integração

A segunda fase da operação da Ponte da Integração está prevista para começar no próximo dia 19, permitindo a passagem de ônibus de turismo, também no período noturno. Uma avaliação em março definirá a sequência da liberação do tráfego, buscando otimizar o fluxo na fronteira Brasil-Paraguai.

O governo paraguaio sinalizou com a proposta de permitir o trânsito vicinal fronteiriço, uma modalidade prevista no acordo do Mercosul que facilita a travessia de pessoas que moram em um país e trabalham ou estudam no outro, mediante identificação específica.

Por enquanto, brasileiros que desejam fazer compras no país vizinho, exceto de subsistência, não podem cruzar a fronteira pela Ponte da Integração, e não há previsão de cota de produtos, com qualquer mercadoria encontrada sujeita a apreensão. Esse esquema de funcionamento restrito deve perdurar até meados de 2027, quando as obras complementares à ponte, em Presidente Franco, devem ser finalizadas.

Enquanto as obras e os ajustes operacionais continuam, caminhoneiros e sindicatos cobram a ampliação dos horários e a melhoria da infraestrutura das aduanas. A expectativa é que a nova ponte cumpra seu papel de facilitar o transporte internacional, reduzindo as longas esperas e garantindo condições de trabalho mais dignas para os profissionais.

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