Sistema Carcerário Fragmentado Fortalece Facções e Expõe Falha Estrutural do Estado
O Brasil enfrenta uma grave crise em seu sistema prisional, caracterizada pela falta de dados precisos e uma fragmentação que impede o controle efetivo do Estado. Este cenário de desorganização tem se mostrado um terreno fértil para o fortalecimento de diversas organizações criminosas, que expandem sua atuação a partir de dentro das cadeias.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado tem lançado luz sobre essa realidade preocupante. As revelações apontam para um déficit estrutural que não apenas compromete a segurança, mas também mina a capacidade de ressocialização dos detentos.
A situação é tão crítica que o Supremo Tribunal Federal (STF) já a declarou como um Estado de Coisas Inconstitucional (ECI), reconhecendo uma violação sistemática e grave de direitos fundamentais, conforme informações apresentadas em audiência da CPI pelo diretor de Inteligência Penal da Secretaria Nacional de Política Penais (Senappen), Antônios Glautter de Azevedo Morais.
O Diagnóstico da Crise Prisional e a Ascensão das Facções
O sistema carcerário brasileiro opera com uma superlotação alarmante de aproximadamente 40%. Morais informou à CPI que, enquanto o país dispõe de cerca de 500 mil vagas, abriga aproximadamente 702 mil detentos em regimes de penas diferenciados. Ao incluir os presos monitorados por tornozeleira eletrônica, o número total de pessoas sob custódia do Estado salta para 942 mil.
Essa realidade caótica é um dos pilares para o fortalecimento do crime organizado. O diretor da Senappen apresentou um mapa atualizado que revela a existência de cerca de 90 organizações criminosas ativas no país. Destas, 74 são de atuação local e nasceram e se fortaleceram justamente dentro do ambiente prisional.
“Essas organizações surgiram justamente em ambiente prisional”, afirmou Morais, destacando que “era o lema da época: assistência mútua frente ao Estado opressor, que não cumpria a Lei de Execução Penal”. Essa constatação reforça o diagnóstico do STF, que em 2015, no julgamento da ADPF 347, já havia apontado a falha estrutural do Estado.
O ex-ministro Luíz Roberto Barroso, relator da ação no STF, enfatizou que, quando o Estado falha em acolher os detentos, “eles serão acolhidos pelas facções”. Essa declaração ressoa diretamente com o que a CPI tem investigado, confirmando que onde o Estado não chega, o crime organizado ocupa o espaço.
Plano Pena Justa e as Críticas ao Combate ao Crime Organizado
Diante das falhas sistêmicas, o STF determinou que União, estados e municípios elaborassem planos de ação para reverter o colapso. Em fevereiro do ano passado, o governo Lula e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançaram o