Carlos Bolsonaro denuncia condições de prisão de Jair na PF, apontando para uma suposta violação de direitos humanos e fazendo paralelos com cenários autoritários.
O ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), expressou publicamente sua insatisfação com as condições de custódia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. Com uma condenação definitiva, Bolsonaro tem sua permanência no local questionada pelo filho, que alega a inadequação da chamada sala de estado-maior para presos nessas circunstâncias.
Carlos Bolsonaro, em publicação feita nesta segunda-feira (5) na plataforma X, argumentou que a sala de estado-maior seria reservada para detentos provisórios ou em trânsito, não para alguém com condenação definitiva. Ele destacou que, apesar do nome sugestivo, as condições atuais não garantem a dignidade mínima para uma pessoa de 70 anos, que possui problemas de saúde significativos.
A crítica do filho do ex-presidente não se limita apenas às condições físicas, mas se estende a uma grave acusação de violação de direitos humanos. Carlos Bolsonaro chegou a comparar a situação do Brasil com a de uma ditadura, como a da Venezuela, conforme informações divulgadas na fonte consultada.
Críticas às Condições na Superintendência da PF
Carlos Bolsonaro enfatizou que a sala de estado-maior, embora pareça oferecer um tratamento especial, falha em proporcionar o mínimo de dignidade. Ele apontou para a idade e os problemas de saúde de seu pai, um ex-Presidente da República, como fatores que exigem atenção especial às condições de sua detenção.
Em suas palavras, ele afirmou: “Essa chamada sala de Estado-Maior tem um nome bonito e sugere tratamento especial, mas as condições mínimas de dignidade não estão sendo garantidas a uma pessoa de 70 anos de idade, com problemas de saúde relevantes, um ex-Presidente da República”. Essa declaração foi feita em sua conta no X nesta segunda-feira (5).
Alegação de Violação de Direitos Humanos e Comparação com a Venezuela
Para Carlos Bolsonaro, a manutenção de seu pai na sede da PF em Brasília representa uma clara violação de direitos humanos. Ele elevou o tom de sua crítica, sugerindo que a situação aproxima o Brasil de um cenário autoritário, similar ao que, segundo ele, ocorre na Venezuela.
O filho do ex-presidente concluiu sua manifestação com um alerta severo: “Ou escolhemos dias melhores, ou, se lavarmos as mãos, a Venezuela não será apenas o espelho que hoje reflete o Brasil, mas algo muito pior, que uma pessoa decente não deseja nem para os seus piores inimigos”. A declaração reforça sua preocupação com o futuro democrático do país.
Saúde de Bolsonaro e Ação no STF
Em meio às críticas sobre as condições, o jornal O Globo noticiou que Jair Bolsonaro teria apresentado melhora em relação aos soluços, não sofrendo mais com crises desde o dia 1º. Contudo, o ex-presidente ainda se queixa de noites mal dormidas e do barulho constante do ar-condicionado na sala onde está detido.
A defesa de Bolsonaro já levou a questão do ruído ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes concedeu um prazo de cinco dias, a partir desta segunda-feira, para que a Polícia Federal se manifeste sobre a reclamação. Os advogados argumentam que o barulho persistente afeta a saúde do custodiado.
De acordo com os advogados, “o ruído persiste sem interrupção, durante as 24 horas do dia, gerando ambiente incompatível com o repouso mínimo necessário à manutenção das condições físicas e psicológicas do custodiado, configurando situação que ultrapassa o mero desconforto e passa a caracterizar perturbação contínua à saúde e integridade do preso”.
Detalhes da Prisão e Internação
Jair Bolsonaro está preso desde o dia 22 de novembro de 2025. Ele foi liberado temporariamente da prisão em 24 de dezembro para ser submetido a uma cirurgia. Após o procedimento, o ex-presidente recebeu alta do hospital DF Star, em Brasília, no dia 1º de janeiro de 2026, retornando em seguida para o cárcere da Polícia Federal.