A recente liquidação extrajudicial do Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, determinada pelo Banco Central, trouxe grande preocupação a milhares de clientes. Com a medida, muitos se perguntam: o cartão do Will Bank não funciona mais? O que acontece com meu dinheiro e minhas dívidas?
De fato, a decisão do Banco Central resultou na suspensão imediata de todas as operações do banco digital. Isso inclui o bloqueio de cartões, a interrupção de transferências e Pix, e até mesmo o congelamento dos saldos em conta.
Contudo, é crucial entender que, apesar da paralisação das atividades, as obrigações financeiras, como faturas de cartão de crédito e empréstimos, permanecem. Para ajudar os consumidores a navegarem por esta situação complexa, a CNN Money preparou um guia completo, cujas informações detalhadas você encontrará a seguir.
Cartão do Will Bank bloqueado: o que acontece com suas operações?
Desde a liquidação extrajudicial, o uso dos cartões do Will Bank foi suspenso. A Mastercard, inclusive, já havia anunciado o bloqueio na véspera da decisão do Banco Central, tornando os cartões inutilizáveis. Agora, todos os cartões estão oficialmente bloqueados e cancelados.
Além disso, nenhuma operação, seja ela de transferência, Pix, ou qualquer outra transação de débito ou crédito, está mais disponível. A especialista em finanças e tributação, Adriana Melo, reforça que o funcionamento da instituição foi interrompido de forma organizada.
Toda a comunicação oficial sobre o processo de liquidação passará a ser feita por meio de um site específico que será criado, além de editais públicos e comunicados do Banco Central e do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, quando aplicável. Portanto, é fundamental manter-se atento a esses canais.
Faturas e empréstimos: suas dívidas com o Will Bank ainda existem?
Uma dúvida comum entre os clientes é sobre a continuidade das dívidas. Adriana Melo esclarece que a obrigação de pagamento das faturas de cartão de crédito e dos empréstimos continua existindo, mesmo após a liquidação do Will Bank. Não é possível ignorar essas pendências.
A principal mudança, neste cenário, é o canal de cobrança. Geralmente, essas dívidas passam a ser administradas pelo liquidante nomeado pelo Banco Central, ou são transferidas para outra instituição financeira. Os clientes devem aguardar as orientações oficiais para saber como proceder com os pagamentos.
É essencial que os clientes busquem regularizar suas pendências. Ignorar a dívida pode acarretar um impacto negativo significativo no futuro financeiro do indivíduo, alerta a especialista. Portanto, a cautela e a busca por informações são as melhores estratégias.
Muitos clientes têm relatado nas redes sociais que, apesar da suspensão das operações, continuam recebendo avisos de faturas em aberto. Diante disso, é altamente recomendado que os clientes do Will Bank baixem todos os extratos e comprovantes de suas contas enquanto o aplicativo ainda estiver acessível.
Registrar o saldo, investimentos, faturas futuras e parcelamentos é crucial para conferir e assegurar que o que está sendo cobrado ou pago é realmente devido. Quando o aplicativo for desativado, a solicitação desses documentos ao liquidante pode ser um processo demorado, conforme explica Adriana Melo.
Saldo congelado na conta: como reaver seu dinheiro?
Para os clientes que possuíam saldo ou investimentos no Will Bank, a notícia é que o dinheiro está temporariamente congelado. Ao acessar o aplicativo, uma mensagem informa que as operações estão suspensas e que, em breve, haverá mais informações sobre o acesso aos recursos.
Felizmente, os investidores do Will Bank contam com a cobertura do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos. Essa proteção abrange investimentos financeiros até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. É o mesmo esquema aplicado em casos anteriores, como o do Banco Master.
Adriana Melo explica que o saldo permanecerá congelado até que todo o trâmite de pagamento pelo FGC seja concluído. É necessário aguardar os comunicados oficiais sobre como e quando será possível receber o valor. Para quem tinha mais de R$ 250 mil, a situação se desdobra de forma diferente.
O professor da FIA Business School, Paulo Feldmann, detalha que, em um cenário de R$ 300 mil aplicados em um CDB, por exemplo, os primeiros R$ 250 mil serão reembolsados pelo FGC em um prazo mais curto. Os R$ 50 mil restantes, contudo, levarão mais tempo para serem reavidos, dependendo da finalização do processo de liquidação.
Feldmann ressalta que essa situação é particularmente complicada para clientes de baixa renda, público-alvo do Will Bank. Muitos desses clientes concentravam todos os seus recursos no banco digital, e a impossibilidade de acesso ao dinheiro dificulta o pagamento de faturas e a organização financeira.
Proteja-se: como evitar prejuízos em investimentos futuros?
Diante das recentes liquidações, especialistas alertam para a importância de uma análise cuidadosa ao escolher instituições financeiras e tipos de aplicação. É fundamental ir além da garantia do FGC, que, embora importante, não é a única camada de proteção.
É preciso, primeiramente, entender o objetivo do investimento e estabelecer a liquidez desejada, explica um especialista. Em seguida, a análise de risco se torna um passo crucial. Muitos investidores iniciantes negligenciam essa etapa, apoiando-se unicamente no FGC ou em outras garantias que, apesar de existirem, não são perfeitas.
O professor Paulo Feldmann lembra que a liquidação do Banco Master impactou o FGC, tornando-o um pouco mais frágil. Portanto, é vital olhar para o risco de forma mais abrangente antes de considerar apenas o retorno do investimento. Buscar um investimento adequado em termos de liquidez e que não dependa exclusivamente do FGC é uma recomendação primordial.