Imagens Perturbadoras e E-mails de Príncipe Andrew Vêm à Tona no Caso Epstein
Novas fotografias, que parecem mostrar o príncipe Andrew, irmão do rei Charles III e filho da rainha Elizabeth II, ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão, foram incluídas no mais recente lote de arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As imagens, divulgadas sem contexto claro, reacendem o escrutínio sobre as conexões do ex-Duque de York com o falecido bilionário e criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Além das fotos, o Departamento de Justiça também publicou e-mails que sugerem convites de Epstein para que Andrew jantasse com uma mulher russa de 26 anos, trocados em 2010. Essas revelações são parte de uma vasta liberação de mais de três milhões de novos arquivos relacionados à investigação do caso Epstein, que continua a desvendar a rede de contatos do milionário condenado.
As informações detalhadas sobre as imagens e as correspondências, bem como outros documentos relevantes, foram divulgadas pelo governo americano, conforme informações detalhadas pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Príncipe Andrew e as Fotos Sem Contexto: O que os Documentos Revelam
As fotografias que mostram o príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, antes conhecido como Duque de York, em uma posição comprometedora são um dos pontos mais chocantes da recente liberação de documentos. Nas imagens, Andrew é visto de quatro sobre uma mulher não identificada, que está totalmente vestida e deitada no chão. Em pelo menos duas das fotos, ele parece estar tocando a barriga dela, enquanto em outra, ele olha diretamente para a câmera.
A falta de contexto é um elemento crucial. O governo americano divulgou as fotos sem qualquer explicação adicional sobre quando ou onde foram tiradas, ou qual seria a natureza da interação. Essa ausência de informações adicionais deixa margem para diversas interpretações e intensifica o mistério em torno do relacionamento de Andrew com o círculo de Jeffrey Epstein. O príncipe Andrew sempre negou qualquer irregularidade em suas associações com Epstein, uma postura que ele mantém diante dessas novas revelações.
A divulgação dessas imagens ocorre em um momento em que Andrew já havia sido destituído de todos os seus títulos reais no ano anterior, devido justamente aos seus laços passados com Epstein. Esse histórico complexo e as novas evidências visuais adicionam uma camada de complexidade à já controversa figura do membro da realeza britânica.
E-mails de 2010: Convites para Jantar e o Retorno de Epstein
Os e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA oferecem um vislumbre das interações entre Jeffrey Epstein e uma pessoa identificada como “O Duque”, amplamente acreditado ser o príncipe Andrew Mountbatten-Windsor. As mensagens, datadas de agosto de 2010, revelam que Epstein convidou “O Duque” para jantar com uma mulher russa de 26 anos.
Em uma das trocas, Epstein sugere que “O Duque” poderia “gostar de jantar” com a mulher, que estaria em Londres. Andrew respondeu que estaria em Genebra “até a manhã do dia 22, mas ficaria encantado em vê-la”, perguntando se ela traria uma mensagem de Epstein e pedindo que seus dados de contato fossem fornecidos a ela. Ele também questionou se havia “alguma outra informação que você possa saber sobre ela que seja útil?”, ao que Epstein respondeu que ela era “26 anos, russa, inteligente, bonita, confiável e sim, ela tem seu e-mail.”
É fundamental notar o timing desses e-mails. Eles foram trocados em agosto de 2010, apenas um mês após Jeffrey Epstein ter cumprido sua pena de prisão por aliciar sexualmente uma menina de 14 anos na Flórida, condenação ocorrida em 2008. Embora a BBC News tenha contatado Mountbatten-Windsor para comentar e afirmado não ter conseguido verificar os e-mails de forma independente, a cronologia levanta sérias questões sobre a natureza das interações de Andrew com Epstein após a condenação do bilionário.
Jantares no Palácio de Buckingham e a Busca por Privacidade
Outra troca de e-mails, datada de 27 de setembro de 2010, entre Epstein e a conta intitulada “O Duque”, aprofunda ainda mais o conhecimento sobre a relação dos dois. Nessas mensagens, eles discutem um jantar que aconteceria no Palácio de Buckingham, a residência oficial da monarquia britânica. A conversa menciona explicitamente a “muita privacidade” que o local ofereceria para o encontro.
Assim como nos e-mails anteriores, a fonte original ressalta que essas correspondências “não indicam qualquer irregularidade” de forma explícita. No entanto, a menção de um jantar em um local tão emblemático e com a busca por “muita privacidade” em um período tão próximo à condenação e libertação de Epstein, adiciona peso às preocupações sobre o julgamento do príncipe Andrew e a natureza de suas relações.
A BBC News informou ter entrado em contato com Mountbatten-Windsor para comentar esses e-mails, mas a resposta não foi detalhada na fonte. A insistência do príncipe em negar qualquer conhecimento das atividades criminosas de Epstein contrasta com o teor e a cronologia dessas comunicações, mantendo o príncipe Andrew no centro das controvérsias do caso.
Pedido Formal de Assistência dos EUA e Acusações de Virginia Giuffre
A gravidade das conexões do príncipe Andrew com Jeffrey Epstein é sublinhada por um documento de 2020, também divulgado pelo Departamento de Justiça, que revela um pedido formal de assistência das autoridades americanas para entrevistar Mountbatten-Windsor. Nesse pedido, as autoridades expressaram a crença de que “o príncipe Andrew pode ter sido testemunha e/ou participante de certos eventos relevantes para a investigação em curso”.
O documento vai além, afirmando que evidências documentais teriam revelado que Andrew tinha conhecimento de que Ghislaine Maxwell, a associada de Epstein condenada por ajudá-lo no tráfico de meninas menores de idade, recrutava mulheres “para praticar atos sexuais com Epstein e outros homens”. Mais incisivo ainda, o texto aponta que “há evidências de que o príncipe Andrew se envolveu em conduta sexual com uma das vítimas de Epstein”.
Apesar da seriedade dessas alegações, a carta das autoridades americanas esclarecia que “o príncipe Andrew não é atualmente alvo da investigação e as autoridades americanas não reuniram, até o momento, evidências de que ele tenha cometido qualquer crime sob a lei americana”. Paralelamente a essas investigações, Andrew fechou um acordo em 2022 com a americana Virginia Giuffre, que o processava por acusação de abuso sexual. Giuffre alegava que ele a agrediu sexualmente em três ocasiões em 2001, quando ela tinha 17 anos, após ser apresentada a ele por Epstein em Londres. Andrew também nega veementemente as acusações de Giuffre, mantendo sua posição de inocência em todas as frentes.
Os E-mails de Sarah Ferguson: Uma Amizade Inabalável com Epstein
Não apenas o príncipe Andrew, mas também sua ex-mulher, Sarah Ferguson, Duquesa de York, teve e-mails com Jeffrey Epstein divulgados neste último lote de arquivos. Essas correspondências revelam uma relação de proximidade e admiração, mesmo após a condenação de Epstein por crimes sexuais.
Uma mensagem de 4 de abril de 2009, assinada “Com amor, Sarah, a ruiva!!”, mostra Ferguson aterrissando em Palm Beach e perguntando a Epstein se haveria “alguma chance de eu conseguir tomar uma xícara de chá durante minha rápida escala…?”. O e-mail também discute ideias para a empresa de Ferguson, chamada Mother’s Army. Em um tom ainda mais revelador, ela se refere a Epstein como “Meu querido, espetacular e especial amigo Jeffrey. Você é uma lenda e eu tenho muito orgulho de você.” É crucial lembrar que, quando essa mensagem foi enviada, Epstein ainda estava em prisão domiciliar, cumprindo sua pena.
Em outra troca de e-mails, de agosto de 2009, Ferguson escreve novamente para Epstein para discutir “minha marca Sarah Ferguson” e agradece ao bilionário “por ser o irmão que eu sempre desejei”. A fonte enfatiza que “Os emails não indicam nenhuma irregularidade” por parte de Sarah Ferguson. A BBC News entrou em contato com Ferguson para comentar a divulgação, mas não obteve resposta, deixando a natureza dessa amizade sob um novo escrutínio público.
O Legado dos ‘Arquivos Epstein’: Transparência e Controvérsia Contínua
A divulgação massiva de documentos, conhecida como os “arquivos Epstein”, representa um marco significativo na busca por transparência em um dos casos criminais mais notórios das últimas décadas. Ao todo, três milhões de páginas, 180 mil imagens e 2.000 vídeos foram publicados, oferecendo uma janela para a complexa rede de contatos e atividades de Jeffrey Epstein.
Essa liberação acontece cerca de seis semanas após o Departamento de Justiça ter perdido o prazo legal estabelecido pelo então presidente Donald Trump, que exigia que todos os documentos relacionados a Epstein fossem tornados públicos. O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que “A divulgação de hoje marca o fim de um processo amplo de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e cumprimento das normas”.
Além das imagens e conversas envolvendo o príncipe Andrew e Sarah Ferguson, os arquivos incluem detalhes sobre o tempo de Jeffrey Epstein na prisão, como um relatório psicológico, e informações sobre sua controversa morte enquanto estava encarcerado em 2019. Também foram revelados registros de investigação sobre Ghislaine Maxwell, a cúmplice de Epstein que foi condenada por seu papel fundamental no tráfico de meninas menores de idade. A amplitude e a profundidade desses documentos garantem que o caso Epstein continuará a ser objeto de intenso interesse público e investigações, com as novas revelações potencialmente impactando as percepções sobre figuras proeminentes ligadas ao bilionário.
Implicações Futuras para a Família Real e o Caso Epstein
A recente divulgação das fotografias e e-mails no âmbito do caso Epstein tem implicações significativas, especialmente para o príncipe Andrew e, por extensão, para a monarquia britânica. Embora Andrew tenha consistentemente negado qualquer irregularidade e tenha se distanciado publicamente de Epstein, a constante aparição de seu nome e imagens em novos documentos alimenta a percepção de uma ligação mais profunda e problemática do que ele admite.
A destituição de seus títulos reais e o acordo com Virginia Giuffre já haviam isolado Andrew dentro da família real. As novas revelações podem solidificar ainda mais essa posição, dificultando qualquer tentativa de reabilitação de sua imagem pública. Para a Coroa, a persistência dessas controvérsias em torno de um de seus membros pode continuar a ser uma fonte de embaraço, mesmo com os esforços para marginalizá-lo.
O caso Epstein, com sua vasta rede de influências e crimes, continua a se desdobrar. A liberação contínua de documentos garante que o público e as autoridades terão acesso a um volume crescente de informações, mantendo a pressão sobre todos os envolvidos. O que muda na prática é a constante reavaliação das narrativas e a possibilidade de novas investigações ou repercussões para aqueles cujos nomes emergem nesses arquivos. O que pode acontecer a partir de agora é incerto, mas a transparência prometida pelos arquivos Epstein assegura que o escrutínio sobre o príncipe Andrew e outros ligados ao bilionário permanecerá intenso, com cada nova revelação adicionando uma peça ao complexo quebra-cabeça.