A investigação sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master, conhecida como Operação Compliance Zero, ganhou novos e complexos contornos com a recente atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Suas decisões sobre o manuseio das provas têm gerado uma série de questionamentos e, mais recentemente, expuseram uma notável tensão com a Polícia Federal.
Em um período de apenas 24 horas, o ministro alterou o destino e o acesso a dados cruciais apreendidos, culminando na autorização para que peritos da Polícia Federal acompanhem a extração e análise. Este cenário, somado a revelações sobre conexões familiares entre o ministro e investigados no Caso Master, coloca a lisura do processo sob um intenso escrutínio público.
A dinâmica do caso levanta importantes debates sobre a preservação de provas e a independência das investigações, conforme informações divulgadas pelas fontes do conteúdo.
As Idas e Vindas na Decisão de Toffoli Sobre as Provas do Banco Master
O ministro Dias Toffoli protagonizou uma série de reviravoltas em suas determinações relativas às provas da segunda fase da Operação Compliance Zero. Em menos de 24 horas, o magistrado alterou seu posicionamento por pelo menos três vezes, demonstrando a complexidade e a delicadeza do Caso Master.
Inicialmente, a ordem de Toffoli foi para que todos os bens e dispositivos eletrônicos apreendidos fossem lacrados e enviados diretamente ao STF. Essa decisão inicial gerou debates sobre a centralização do material probatório em uma instância superior e a necessidade de celeridade na análise.
Posteriormente, o ministro recuou, determinando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) ficasse responsável pela extração e análise das provas. Contudo, essa mudança não encerrou as discussões, especialmente entre investigadores e peritos criminais, que apontavam desafios técnicos.
A decisão final, após críticas e questionamentos técnicos sobre a condução da perícia e a preservação do material, autorizou que quatro peritos da Polícia Federal tivessem acesso ao material. Este acesso seria feito sob custódia da PGR, marcando um novo capítulo na forma como as evidências seriam tratadas no Caso Master.
A Entrada da Polícia Federal e os Alertas de Peritos
A liberação para que peritos da Polícia Federal acompanhem a extração e análise dos dados de celulares e computadores apreendidos na Operação Compliance Zero representa um ponto de inflexão. A decisão de Dias Toffoli estabelece que os técnicos da PF terão livre acesso ao material, que está sob custódia da PGR, e devem contar com o apoio do órgão.
Embora a presença da Polícia Federal possa trazer mais transparência e expertise técnica ao processo, a situação gerou alertas por parte de peritos criminais. A principal preocupação reside nos riscos potenciais à preservação das provas, dada a complexidade do manuseio de dados eletrônicos e a cadeia de custódia, fundamental para a validade jurídica.
A atuação da PF é crucial para a integridade da investigação sobre o Banco Master, garantindo que as evidências sejam coletadas e analisadas de forma imparcial e tecnicamente precisa. As sucessivas mudanças nas decisões sobre o material probatório, contudo, acendem um sinal de alerta sobre a segurança e a validade das evidências coletadas no Caso Master.
Conexões Familiares Aprofundam o Cenário do Caso Master
Além das idas e vindas nas decisões sobre as provas, o Caso Master ganhou uma nova camada de complexidade com a revelação de conexões familiares envolvendo o ministro Dias Toffoli. O empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi identificado em um negócio que envolve a família de Toffoli.
Zettel foi cotista de fundos de investimento que adquiriram parte da participação da família do ministro no resort Tayayá, localizado no interior do Paraná. A transação foi avaliada em aproximadamente R$ 6,6 milhões, com aportes totais no empreendimento chegando a cerca de R$ 20 milhões, conforme detalhado nas informações apuradas.
Embora Dias Toffoli não tenha participação direta no resort e não tenha se manifestado sobre o assunto, a operação coloca em foco as relações entre os investigados no Caso Master e negócios privados de parentes do ministro. Essa interligação adiciona um elemento de escrutínio público à já conturbada investigação sobre o Banco Master e a Operação Compliance Zero.