O cenário geopolítico global está em um ponto de inflexão, e a recente operação que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos tem gerado reações contundentes no Brasil. Celso Amorim, figura influente da diplomacia brasileira e atualmente assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, publicou um artigo incisivo na revista inglesa The Economist, abordando as implicações dessa ação.

Em seu texto, Amorim critica veementemente a intervenção americana, levantando questões cruciais sobre a ordem internacional e a crescente fragilização de seus pilares. A discussão central gira em torno da ideia de um “mundo sem regras”, onde a força militar pode se sobrepor ao direito e à soberania das nações.

A posição do ex-chanceler brasileiro ressoa com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também condenou a operação em outro veículo de grande alcance internacional, conforme informações obtidas.

A Crítica de Amorim: Um Mundo Sem Regras e a Erosão do Direito Internacional

Celso Amorim não poupou críticas aos Estados Unidos pela operação de captura de Nicolás Maduro, questionando o impacto dessa ação na estabilidade global. Ele argumenta que a intervenção na Venezuela expõe uma tendência preocupante na política internacional, a qual se inclina para um cenário de desordem.

Em suas palavras, o ex-chanceler afirmou: “A intervenção na Venezuela levanta uma questão mais ampla que define cada vez mais a política internacional: como podemos viver em um mundo sem regras? Pilares do direito internacional concebidos para regular a segurança coletiva, disciplinar o comércio mundial e promover os direitos humanos estão sendo minados simultaneamente. A erosão, uma vez iniciada, é difícil de reverter”.

Amorim enfatiza que a comunidade internacional está testemunhando um retrocesso para um estado onde a força prevalece sobre o diálogo e a diplomacia. Ele descreve este momento como um retorno a um “Estado hobbesiano”, onde a soberania dos países é determinada pela capacidade militar e a guerra volta a ser vista como um meio legítimo de mudança.

“Como muitos já disseram, estamos caminhando de volta para um Estado hobbesiano, onde a força militar é o principal determinante da independência de fato de um país e no qual a guerra é vista novamente como um meio legítimo de mudança”, acrescentou o assessor, sublinhando a gravidade da situação atual.

O Alfinetada Brasileira e a Busca por Novas Parcerias Globais

Além das críticas diretas à ação dos EUA, Amorim aproveitou seu artigo para enviar uma mensagem indireta a Washington, destacando a estratégia do Brasil de diversificar suas alianças internacionais. Ele sugere que outros países deveriam seguir o mesmo caminho, buscando maior autonomia e resiliência em suas relações externas.

O ex-chanceler ressaltou a importância da cooperação multilateral em um contexto de incertezas. “O atual cenário geopolítico reforça a escolha do Brasil de se abrir à cooperação com uma ampla gama de parceiros, da América Latina aos Brics e além. Para a maioria dos países, investir na diversificação de parcerias e na autonomia tecnológica continuará sendo o melhor caminho”, afirmou ele.

Essa postura reflete uma busca por um equilíbrio de poder e uma menor dependência de blocos ou nações específicas, promovendo uma agenda de desenvolvimento e segurança que não seja ditada por interesses unilaterais. A captura de Maduro, neste contexto, serve como um catalisador para essa reflexão sobre a necessidade de um sistema internacional mais justo e equilibrado.

Lula Também Condena a Ação Americana na Venezuela

A visão de Celso Amorim está em consonância com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um artigo publicado no The New York Times no fim de semana, Lula também condenou a operação americana na Venezuela, reforçando a posição brasileira contra intervenções que violem o direito internacional e a soberania dos Estados.

O presidente Lula escreveu que “os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a captura de seu presidente em 3 de janeiro são mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”. Essa declaração sublinha a profunda preocupação do governo brasileiro com a manutenção da ordem global.

Entenda a Captura de Nicolás Maduro e as Acusações

A operação que levou à captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foi realizada em território venezuelano por forças militares dos Estados Unidos. Desde então, eles foram levados para Nova York, onde enfrentam sérias acusações na Justiça federal americana, com grande repercussão internacional.

Entre as acusações estão narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. O caso tem gerado grande repercussão internacional e intensificado o debate sobre a soberania dos países e o respeito ao direito internacional em um cenário cada vez mais complexo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Conexão de Toffoli com Resort de Luxo e Cassino Tayayá Aprofunda Enrolação no Caso Banco Master, Revela Metrópoles

Novas revelações sobre a suposta ligação do ministro Dias Toffoli, do Supremo…

Carlos Bolsonaro acusa “violação de direitos humanos” na prisão de Jair Bolsonaro na PF e compara Brasil à Venezuela

Carlos Bolsonaro denuncia condições de prisão de Jair na PF, apontando para…

Flávio Bolsonaro Lidera Disputa Inesperada da Direita para Enfrentar Lula em 2026, Superando Tarcísio e Outros Governadores

Flávio Bolsonaro Lidera Disputa Inesperada da Direita para Enfrentar Lula em 2026,…

Manoel Carlos, o eterno autor das Helenas, morre aos 92 anos e deixa legado inesquecível na teledramaturgia brasileira

Adeus a um mestre: Manoel Carlos, o aclamado autor de novelas, falece…