A economia da China registrou um crescimento robusto de 5% em 2025, cumprindo a meta oficial estabelecida por Pequim e superando ligeiramente as projeções de analistas. Este desempenho, que repetiu o ritmo de 2024, consolida a posição da segunda maior economia do mundo.
No entanto, por trás dos números anuais positivos, surgem sinais de alerta. O país asiático enfrentou uma perda de fôlego no último trimestre, com a demanda interna e o setor imobiliário apresentando fraquezas persistentes.
Esses desafios estruturais e a dependência do setor externo devem moldar o cenário econômico chinês em 2026, conforme informações divulgadas pela Reuters.
Exportações e Indústria Manufatureira Sustentam o Crescimento
O avanço da economia da China em 2025 foi predominantemente sustentado pelas exportações e pela vigorosa indústria manufatureira. O setor externo demonstrou notável resiliência, mesmo diante de um cenário global de tensões comerciais.
Exportadores chineses expandiram sua presença em mercados fora dos Estados Unidos, o que resultou em um superávit comercial recorde, atingindo quase US$ 1,2 trilhão em 2025. Este dado sublinha a força exportadora do país.
A produção industrial, por exemplo, cresceu 5,2% em dezembro na comparação anual, mostrando uma aceleração em relação ao mês anterior e contribuindo significativamente para o desempenho geral da economia da China.
Desaceleração no Fim do Ano e Desafios Internos Persistentes
Apesar do desempenho anual positivo, os dados mais recentes indicam uma desaceleração preocupante. No quarto trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,5% na comparação anual, um ritmo mais lento que os 4,8% registrados no trimestre anterior.
Este resultado marcou o crescimento trimestral mais fraco em três anos e ficou próximo da projeção do mercado, que estimava um avanço de 4,4%. Na comparação trimestral, o PIB avançou 1,2% entre outubro e dezembro, superando a expectativa, mas ainda apontando para uma expansão moderada.
Analistas avaliam que essa desaceleração no final do ano sugere que a China deve iniciar 2026 com menor impulso econômico, sem sinais claros de uma retomada vigorosa no curto prazo. A fraqueza da demanda interna continua sendo um dos principais desafios para o país.
O consumo e os investimentos perderam força, pressionados por uma prolongada crise no setor imobiliário e por um ambiente de baixa confiança. Em 2025, o investimento em ativos fixos recuou 3,8%, marcando a primeira queda anual desde 1996.
O investimento imobiliário, em particular, despencou 17,2% no ano, evidenciando a profundidade da crise. As vendas no varejo, por sua vez, avançaram apenas 0,9% em dezembro, ficando abaixo do esperado e reforçando as dificuldades para estimular o consumo doméstico.
Segundo Kang Yi, chefe do Departamento Nacional de Estatísticas, o crescimento econômico de 2025 foi “conquistado com muito esforço”, em meio a desafios como oferta elevada e demanda insuficiente. Ele ressaltou que o enfraquecimento do mercado imobiliário e as pressões deflacionárias continuam a pesar sobre a economia chinesa.
Perspectivas para 2026 e Respostas Governamentais
O cenário externo também traz incertezas significativas para 2026. O aumento do protecionismo global e as políticas comerciais imprevisíveis dos Estados Unidos, incluindo ameaças de novas tarifas, elevam os riscos para a economia da China, que hoje depende fortemente da demanda externa.
Para sustentar o crescimento e enfrentar esses desafios, o banco central da China iniciou recentemente cortes direcionados nas taxas de juros e sinalizou a possibilidade de novas reduções nas exigências de reservas bancárias, buscando injetar liquidez no sistema.
Em dezembro, líderes chineses reforçaram o compromisso com uma política fiscal “proativa” e indicaram que devem buscar novamente um crescimento em torno de 5% em 2026. Pequim também prometeu ampliar significativamente a participação do consumo das famílias na economia nos próximos cinco anos.
Atualmente, o gasto das famílias representa menos de 40% do PIB chinês, bem abaixo da média global. Analistas apontam que isso exige avanços na renda, no emprego e na rede de proteção social para reduzir a elevada poupança por precaução e estimular a demanda interna.
Apesar das dificuldades, o mercado reagiu de forma contida aos dados. O yuan manteve-se estável, enquanto o índice Shanghai Composite recuperou-se de perdas iniciais e fechou em alta, mostrando certa resiliência.
O desempenho de 2025 confirma a capacidade de resistência da economia chinesa, mas também evidencia um crescimento desigual, com forte dependência do setor externo e desafios estruturais que devem permanecer no centro do debate econômico e das políticas públicas em 2026.