Em um cenário global de tensões comerciais, a China surpreendeu o mundo ao registrar seu maior superávit comercial da história em 2025, atingindo a marca impressionante de US$ 1,2 trilhão. Este feito notável ocorre mesmo em meio a intensos atritos e tarifas impostas por economias como os Estados Unidos.

O resultado não é apenas um número, mas um indicativo da robustez e adaptabilidade da economia chinesa. Conforme análises do ING, este superávit colossal equivale ao Produto Interno Bruto (PIB) de uma das 20 maiores economias do planeta, ressaltando a magnitude do desempenho chinês.

Atingir este patamar, que representa um aumento de 20% em relação ao ano anterior, quando o superávit ficou abaixo de US$ 1 trilhão, levanta a questão de como a nação asiática conseguiu tal feito. A resposta, conforme dados da balança comercial chinesa divulgados nesta quarta-feira (14), está em uma combinação estratégica de diversificação de parceiros e um forte investimento em competitividade e alta tecnologia.

Diversificação de Parceiros: A Estratégia por Trás do Superávit Recorde

A chave para o sucesso da China em 2025 reside na sua habilidade de diversificar os parceiros comerciais. Segundo os dados aduaneiros oficiais, o país mantém laços comerciais com mais de 240 nações e regiões, e em impressionantes 190 dessas localidades, houve um aumento significativo nas exportações no ano passado.

O estreitamento das relações com os vizinhos asiáticos tem sido uma das estratégias mais eficazes. As vendas para os países que integram a iniciativa da Nova Rota da Seda, conhecida como “Belt and Road”, registraram um crescimento robusto de 6,3% ano a ano.

Esse volume atingiu 23,6 trilhões de yuans, o que representou uma fatia substancial de 51,9% do valor total do comércio exterior chinês. Este foco regional demonstra a resiliência da China em um cenário global desafiador.

Para os países do Sudeste Asiático, membros da ASEAN, o incremento nas exportações chinesas foi de 13,4% em dólares. A China também expandiu sua presença na África, com um aumento de 25,8%, e na Índia, que viu um avanço de 12,8% nas vendas chinesas.

A Europa e a América Latina também foram mercados importantes. As exportações para a União Europeia cresceram 8,4%, enquanto para a América Latina o incremento foi de 7,4%. No entanto, o crescimento das vendas para o Japão foi considerado mais modesto, com apenas 3,5%.

O Efeito das Tarifas Americanas e a Reação Chinesa

Apesar da impressionante performance geral, a política comercial agressiva do ex-presidente Donald Trump, que impôs fortes tarifas de importação para bens chineses em 2025, cobrou seu preço em certas áreas. As exportações para os Estados Unidos caíram cerca de 20% em dólares no ano passado.

Outro parceiro que viu um recuo nas vendas chinesas foi a Coreia do Sul, com uma queda de 1,1%. Estes dados mostram que, embora a China tenha conseguido um superávit recorde, os atritos comerciais não passaram despercebidos e exigiram adaptação.

Setores mais expostos ao mercado americano também sentiram o impacto. As exportações de brinquedos para o exterior, por exemplo, tiveram uma queda de 12,7%. Móveis e calçados também foram afetados, despencando 6,1% e encolhendo 11,3%, respectivamente, no ano passado.

Alta Tecnologia e Produtos “Verdes” Impulsionam o Crescimento Chinês

Outro pilar fundamental para o superávit comercial recorde chinês é a crescente aposta na produção e venda externa de produtos de alta tecnologia. Entre 2024 e 2025, essas exportações subiram 13,2%, alcançando a marca de 5,25 trilhões de yuans.

O chamado “novo trio” de produtos, que inclui veículos elétricos, baterias de íon-lítio e produtos fotovoltaicos, demonstrou um crescimento explosivo, disparando 27,1% em relação ao ano anterior. Esta categoria representa a vanguarda da estratégia de exportação chinesa.

Os produtos “verdes” também tiveram um desempenho notável. Dados revelam que as exportações de itens como turbinas eólicas subiram expressivos 48,7% em 2025, alinhando a China às demandas globais por sustentabilidade e energia limpa.

A nação asiática destacou ainda o forte crescimento em exportações de semicondutores, com alta de 26,8%, navios, que cresceram 26,7%, e automóveis, com um incremento de 21,4%. Esses números evidenciam a mudança na pauta de exportações chinesas para itens de maior valor agregado.

Perspectivas Futuras: O Otimismo do Mercado com a China

A robustez do desempenho comercial da China em 2025 tem gerado um otimismo renovado nos mercados financeiros globais. O Goldman Sachs, por exemplo, elevou recentemente suas projeções para o crescimento real do PIB chinês.

As novas estimativas apontam para 4,8% em 2026 e 4,7% em 2027, superando as previsões anteriores de 4,3% e 4,0%, respectivamente. Este ajuste, conforme destacado pelo Global Times, é impulsionado principalmente pelas expectativas de um crescimento ainda mais forte das exportações.

O cenário para a China, portanto, parece promissor, com o país consolidando sua posição como um gigante comercial capaz de navegar por desafios geopolíticos e econômicos, mantendo um foco estratégico em inovação e diversificação para sustentar seu crescimento.

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