A China confirmou ter recebido um convite formal para integrar o recém-proposto “Conselho de Paz” do presidente dos EUA, Donald Trump. A iniciativa, que busca estabelecer uma plataforma global para a resolução de conflitos, estendeu convites a dezenas de nações ao redor do mundo, gerando um debate significativo no cenário diplomático internacional.
Apesar da confirmação, Pequim, que recentemente selou uma complexa trégua comercial com Washington, optou por não se manifestar sobre a aceitação ou recusa do convite. Essa postura reflete uma cautela generalizada entre governos globais em relação à proposta de Trump, que, segundo diplomatas, poderia impactar a estrutura e a relevância das Nações Unidas.
O projeto do Conselho de Paz de Trump visa abordar inicialmente o conflito em Gaza, com planos de expansão para outras regiões de instabilidade. A iniciativa, conforme informações divulgadas pela Reuters, apresenta termos ambiciosos e, para alguns, controversos.
O Ambicioso Projeto de Trump e Seus Termos Controversos
O Conselho de Paz de Trump propõe uma estrutura de governança peculiar. O presidente dos EUA, Donald Trump, presidiria a diretoria da iniciativa de forma vitalícia, conferindo-lhe uma influência duradoura sobre as decisões do conselho. Os estados membros, por sua vez, teriam mandatos limitados a três anos.
No entanto, há uma condição notável para a permanência: os países poderiam estender seus mandatos além dos três anos mediante o pagamento de uma taxa de US$ 1 bilhão cada. Essa cláusula levantou questionamentos sobre a equidade e a acessibilidade da iniciativa, especialmente para nações com recursos mais limitados, adicionando uma camada de complexidade à sua aceitação global.
A Reação Cautelosa de Pequim e o Equilíbrio Diplomático
A confirmação do convite pela China veio através de Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em uma coletiva de imprensa. Ao ser questionado sobre a possível adesão da China ao Conselho de Paz de Trump, Jiakun recusou-se a fazer comentários, mantendo a posição de cautela.
Essa hesitação de Pequim não é isolada. Governos de todo o mundo têm reagido com prudência ao convite de Trump, avaliando as implicações de uma nova estrutura diplomática que poderia, segundo diplomatas, desafiar a ordem estabelecida e as instituições multilaterais existentes, como as Nações Unidas. A decisão da China é aguardada com expectativa, dado o seu peso geopolítico.
Relações Sino-Americanas: Altos e Baixos em um Ano Desafiador
Ao ser perguntado sobre a avaliação da China em relação à presidência de Trump no último ano, especialmente considerando suas posições sobre a Venezuela e a ameaça de anexar a Groenlândia, o porta-voz Guo Jiakun absteve-se de fazer uma avaliação direta. Ele preferiu abordar a dinâmica geral das relações bilaterais.
Guo Jiakun afirmou que, “No último ano, as relações entre a China e os EUA passaram por altos e baixos, mas alcançaram uma estabilidade dinâmica geral”, indicando que “se pode esperar uma variabilidade ocasional no relacionamento”. Ele enfatizou que a China está disposta a trabalhar com os EUA para estabilizar ainda mais os laços, ao mesmo tempo em que protege seus próprios interesses nacionais, buscando um equilíbrio delicado em meio às propostas do Conselho de Paz de Trump.