Em um movimento que promete abalar o cenário geopolítico e econômico mundial, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova medida tarifária contra países que mantêm relações comerciais com o Irã. A decisão surge em resposta à repressão que o regime teocrático iraniano tem promovido contra manifestações internas.
Trump declarou que imporia uma tarifa de 25% a qualquer nação que fizesse negócios com os iranianos, uma ordem descrita como “final e irrecorrível”. Essa ação visa pressionar o Irã, mas também coloca em xeque importantes parceiros comerciais do país persa, incluindo adversários geopolíticos e aliados de Washington.
A medida pode impactar significativamente nações como China, Rússia, Índia e o próprio Brasil, todos membros do bloco Brics, que também inclui o Irã. As informações e dados que embasam esta análise foram divulgados pela plataforma TradeImeX e pela Comtrade das Nações Unidas, conforme apurado.
O Impacto das Novas Sanções de Trump
A determinação de Donald Trump, divulgada nesta segunda-feira (12), estabelece que “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% em toda e qualquer transação comercial realizada com os Estados Unidos da América”. A declaração foi feita na rede Truth Social, reforçando a seriedade da iniciativa.
Essa imposição de tarifas de Trump é uma resposta direta à escalada da repressão no Irã, que tem sido palco de grandes manifestações desde o final de dezembro. A medida busca isolar economicamente o Irã, mas levanta preocupações sobre as consequências para o comércio global e as relações diplomáticas.
A tarifa de 25% é um valor considerável, capaz de desestimular o comércio com o Irã por parte de muitos países que também mantêm fortes laços econômicos com os Estados Unidos. O objetivo é claro: forçar uma reavaliação das parcerias comerciais com Teerã.
Gigantes Comerciais do Irã sob Risco
Apesar das sanções econômicas anteriores, o comércio exterior do Irã é robusto, conforme dados da plataforma TradeImeX. Em 2024, as vendas do país somaram US$ 112,6 bilhões, registrando um aumento de 5,2% em comparação com 2023. Esse desempenho colocou o Irã na 38ª posição no ranking dos maiores exportadores globais.
As exportações representaram 22,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Irã no ano retrasado, demonstrando a importância do comércio para a economia iraniana. Os principais produtos vendidos pelos iranianos incluem combustíveis e óleos minerais (36,2% das exportações), plásticos e artigos relacionados (12,1%) e ferro e aço (9,8%).
Entre os países mais afetados pelas novas tarifas de Trump estão justamente aqueles que mantêm um forte comércio com o Irã. A lista inclui não apenas a China e a Rússia, mas também nações como a Índia, que são importantes destinos para os produtos iranianos e, ao mesmo tempo, parceiros comerciais relevantes dos EUA.
Principais Parceiros Comerciais do Irã
A China e a Índia destacam-se como os maiores compradores de produtos iranianos, figurando entre os dez principais destinos de exportação do país persa em 2024, de acordo com o TradeImeX. Essa forte dependência mútua coloca esses países em uma posição delicada diante das novas sanções.
No que diz respeito às importações, o Irã realizou compras que totalizaram US$ 69,4 bilhões em 2024, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior, ocupando a 51ª posição entre os maiores importadores do mundo. Os itens mais importados foram reatores e máquinas nucleares (21,1%), máquinas e equipamentos elétricos (14,8%) e veículos (11,6%).
Os principais fornecedores para o Irã também incluem a China e outros países asiáticos, além de nações europeias que podem ser indiretamente impactadas. A diversidade de parceiros comerciais do Irã reflete a complexidade das cadeias de suprimentos globais que agora se veem sob pressão.
A Relação Comercial de Brasil e Irã
O Brasil, embora um aliado dos Estados Unidos, também mantém uma relação comercial significativa com o Irã, o que o coloca entre os países potencialmente afetados pelas tarifas de Trump. Conforme estatísticas da plataforma Comtrade, das Nações Unidas, analisadas pela Trading Economics, em 2024, o Brasil exportou uma variedade de produtos agrícolas para o Irã.
Entre os principais produtos exportados pelo Brasil para o Irã estavam cereais, ração animal, grãos, frutas e açúcar. Essa parceria destaca a importância do Irã como mercado para o agronegócio brasileiro, e a imposição de tarifas pode forçar uma reavaliação estratégica por parte dos exportadores nacionais.
A decisão de Trump, portanto, não apenas mira o Irã, mas cria um dilema para países como o Brasil, que precisarão balancear seus interesses comerciais com Teerã e suas relações com Washington. O cenário indica uma possível reconfiguração das rotas de comércio global e um período de incerteza para muitos parceiros comerciais do Irã.