No Brasil, a percepção sobre dívidas e calotes muitas vezes parece ter pesos e medidas diferentes, dependendo do volume financeiro envolvido. Enquanto o cidadão comum que atrasa uma conta é prontamente rotulado como devedor, aqueles que acumulam passivos milionários ou bilionários junto ao fisco parecem seguir um caminho distinto.
Essa dicotomia se torna ainda mais evidente ao observarmos casos de figuras ligadas a grandes conglomerados, como o controverso Clã do Banco Master. A família, que enfrenta acusações sérias, segue atuando no mercado como se estivesse em dia com suas obrigações, apesar de ter dívidas fiscais existentes.
A situação levanta um debate crucial sobre quem é considerado ‘caloteiro’ e quem se torna um ‘exemplo a ser seguido’, mesmo com montanhas de débitos. Conforme informações da fonte, a questão não é como ter sucesso devendo, mas sim como alguns têm sucesso porque devem uma montanha ao fisco.
O Contraste Entre Pequenos e Grandes Devedores
A discrepância na forma como a sociedade e o sistema tratam os devedores é notável. Quem deixa de pagar centenas ou milhares, é rapidamente taxado como caloteiro. Por outro lado, quem deve milhões ou bilhões, por vezes, é visto como um exemplo de sucesso a ser seguido, uma figura de prestígio.
Isso acontece, em parte, porque as dívidas de grandes empresas e indivíduos podem ter a exigibilidade suspensa. Essa condição permite que eles atuem como se estivessem quites com a União, mesmo que os débitos ainda existam, gerando uma sensação de impunidade e privilégio.
Acusações Graves e Esquemas Financeiros
O Clã do Banco Master está envolvido em acusações que vão muito além de simples dívidas fiscais. A família é apontada como parte de um suposto esquema de pirâmide, que teria vendido CDBs “mortos-vivos” para mais de um milhão de pessoas e empresas.
Além disso, há menções a uma organização criminosa que supostamente criou dinheiro a partir de uma rede de fundos podres, que, segundo a fonte, teria até mesmo o PCC como cliente. Essas operações teriam sangrado os cofres de bancos públicos e a aposentadoria de servidores, consolidando um poder que lhes garante recepção em palácios e incenso por influenciadores.
O Envolvimento de Fabiano Zettel e as Conexões Políticas
Um nome central nessa trama é Fabiano Zettel, marido de Natália Vorcaro Zettel. Ele foi preso por algumas horas ao tentar embarcar para Dubai, durante a segunda fase da operação da Polícia Federal contra as supostas falcatruas do Banco Master. Zettel é apontado como suposto parceiro de negócios e testa de ferro de Vorcaro, e ambos compartilhariam o hábito de viajar para os Emirados Árabes durante operações policiais.
Em alguns círculos empreendedores, Fabiano Zettel é conhecido por ser sócio de marcas como Oakberry e Desinchá, enquanto em outros, religiosos, é reconhecido como pastor da Igreja Lagoinha. Sua influência se estende à política, onde foi o maior doador individual da campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022, com R$ 3 milhões, e doou outros R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.
A fonte questiona: “Com tanto dinheiro de sobra para doar para político, como é que a família não paga seus impostos?” Essa indagação ressoa com a percepção pública de que há uma disparidade gritante entre a capacidade de doação e a quitação de dívidas fiscais.