A captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, ocorrida no último dia 3, reverberou muito além das fronteiras venezuelanas, representando um golpe significativo na complexa teia de financiamento, proteção e abrigo que seu regime oferecia a guerrilhas colombianas e diversas facções criminosas atuantes na América Latina. Este evento marca uma virada crucial no cenário da segurança regional, alterando o equilíbrio que sustentava a presença e as operações desses grupos no território venezuelano.

Organizações como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as dissidências das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que haviam consolidado suas atividades no país por meio de acordos informais com autoridades chavistas, agora enfrentam um futuro incerto. A Venezuela, sob o regime de Maduro, funcionava como um santuário estratégico, permitindo que esses grupos mantivessem rotas de narcotráfico, explorassem mineração ilegal e operassem com um risco minimizado de repressão estatal.

A mudança política em Caracas e a intensificação da pressão de Washington por resultados concretos no combate ao crime organizado transnacional estão fazendo com que essas garantias desapareçam rapidamente. A consequência imediata é uma reconfiguração nas estratégias e movimentos desses grupos criminosos, que se veem forçados a recalibrar suas operações diante de um ambiente político e de segurança radicalmente transformado, conforme análises da organização InSight Crime.

O Colapso de um Santuário: Como o Regime de Maduro Abrigava o Crime Organizado

Durante anos, o regime de Nicolás Maduro na Venezuela foi acusado de oferecer um refúgio seguro e uma base de operações para uma série de grupos armados ilegais, tanto de origem colombiana quanto facções criminosas transnacionais. Essa proteção se manifestava de diversas formas, incluindo o financiamento indireto, a omissão na fiscalização de suas atividades e a permissão para que estabelecessem bases e rotas estratégicas dentro do território venezuelano.

Entre os principais beneficiários dessa política estavam o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as diversas dissidências das FARC, grupos que, após a desmobilização da guerrilha principal na Colômbia, buscaram abrigo e novas fontes de renda na Venezuela. Esses grupos encontraram no país vizinho um ambiente propício para a expansão de suas atividades ilícitas, longe da pressão militar colombiana e com a complacência, ou até mesmo o apoio ativo, de setores do governo chavista.

As operações facilitadas pelo regime venezuelano eram vastas e lucrativas. Incluíam o controle de rotas do narcotráfico, essenciais para o escoamento de drogas produzidas na Colômbia para mercados internacionais, e a exploração de mineração ilegal, especialmente ouro, nas ricas, mas desprotegidas, regiões do sul da Venezuela. Essas atividades geravam bilhões em lucros, que eram reinvestidos para sustentar as estruturas armadas e as redes de corrupção, perpetuando um ciclo de violência e impunidade.

A presença desses grupos não se limitava apenas às áreas de fronteira. Relatórios de inteligência, citados pelo InSight Crime, indicavam que eles haviam consolidado suas operações em diversas regiões do país, muitas vezes com base em acordos informais com autoridades locais chavistas. Estes acordos garantiam não apenas a impunidade, mas também uma espécie de

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