Paraná Lidera Inclusão Digital no Campo com Programa Inovador e Gestão Integrada entre Secretarias Estaduais
O Programa Conectividade Rural, lançado em 2023, emergiu como uma resposta estratégica para combater a exclusão digital que afligia grande parte das áreas rurais do Paraná. Com uma articulação exemplar entre diversas secretarias estaduais e o setor privado, a iniciativa busca levar acesso à internet e telefonia móvel a comunidades onde o mercado tradicional não via viabilidade econômica para investir, transformando a realidade de milhares de cidadãos.
A política pública, coordenada pela Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (SEIIA), com participação da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) e da Secretaria da Fazenda (SEFA), estabeleceu um modelo de gestão integrada. Essa colaboração permitiu um mapeamento preciso das áreas mais vulneráveis e a implementação de soluções inovadoras, como a compensação tributária, para acelerar a instalação de infraestrutura.
O impacto do programa já é perceptível, com a instalação de centenas de torres de transmissão e a meta ambiciosa de conectar todas as localidades rurais do estado até o final de 2026, conforme informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial.
A Contradição Rural: O Cenário da Exclusão Digital no Paraná
O Paraná, um estado com 98% de seu território classificado como área rural, enfrentava uma profunda contradição: apesar de sua vasta extensão campestre, milhares de moradores viviam sem acesso básico à internet ou à telefonia móvel. Essa lacuna digital não era apenas um inconveniente, mas uma barreira significativa para o desenvolvimento social e econômico, isolando comunidades e limitando oportunidades.
Segundo Julio Cesar de Oliveira, diretor de Relações Institucionais da Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial, o diagnóstico inicial do problema era alarmante. “Quando iniciamos o projeto, apenas 51% da área rural tinha conectividade”, revela Oliveira. Essa baixa taxa implicava em cenários desfavoráveis para diversas esferas da vida rural.
A falta de conectividade se traduzia em alunos sem acesso à internet para estudos e pesquisas, famílias incapazes de realizar chamadas de emergência para a polícia ou o Samu em momentos críticos, e produtores rurais sem condições de utilizar tecnologias que poderiam otimizar suas atividades e aumentar a produtividade. A exclusão digital estava, de fato, concentrada nas áreas mais vulneráveis do estado, perpetuando desigualdades históricas.
Estrutura e Inovação: A Criação do Programa Conectividade Rural
Para enfrentar essa realidade, o Programa Conectividade Rural foi concebido em 2023 com uma abordagem metodológica robusta. A primeira etapa envolveu um mapeamento georreferenciado detalhado das regiões sem cobertura de internet e telefonia móvel. Este levantamento não se limitou a identificar a ausência de sinal, mas cruzou dados cruciais como relevo, densidade populacional e indicadores socioeconômicos para definir as prioridades de intervenção.
Oliveira explica que a correlação entre a falta de conectividade e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi evidente. “A gente correlacionou conectividade com Índice de Desenvolvimento Humano e ficou evidente que os municípios com menor IDH eram os que tinham menos acesso”, aponta. Essa análise baseada em dados permitiu uma alocação de recursos mais eficiente e focada nas áreas de maior necessidade.
“A partir disso, usamos metodologia técnica para indicar onde a infraestrutura deveria chegar primeiro”, complementa o diretor. Uma das principais inovações do programa foi o desenvolvimento de um modelo de compensação tributária, uma estratégia engenhosa para atrair as operadoras de telecomunicações a investir em locais que, até então, eram considerados economicamente inviáveis. Este mecanismo foi fundamental para superar as barreiras de mercado e acelerar o processo de inclusão.
O Modelo de Compensação Tributária: Impulsionando Investimentos
A grande sacada do Programa Conectividade Rural reside na sua abordagem inovadora para financiar a expansão da infraestrutura. Em vez de depender exclusivamente de subsídios diretos, o programa implementou um modelo de compensação tributária que se mostrou altamente eficaz. Empresas de telecomunicações passaram a trocar créditos de ICMS, um imposto estadual, por investimentos diretos na instalação de torres de transmissão em áreas rurais.
Julio Cesar de Oliveira descreve essa iniciativa como um “acerto de contas”: “A empresa transforma imposto em infraestrutura”. Essa permuta inteligente cria um incentivo direto para as operadoras, transformando uma obrigação fiscal em um investimento produtivo que beneficia diretamente a população. A medida acelerou drasticamente o cronograma de expansão da conectividade.
“Assim, comunidades que só seriam atendidas em 2029 ou 2030 passaram a receber sinal agora”, enfatiza Oliveira. Este modelo não apenas otimiza o uso de recursos, mas também demonstra uma capacidade de inovação na gestão pública, transformando um passivo fiscal em um ativo social e econômico. Até o fim de 2025, 359 torres já haviam sido instaladas, de um total contratado superior a 500 estruturas, evidenciando a celeridade e o sucesso da abordagem.
Governança Integrada: A Chave para a Execução Multissetorial
O sucesso do Programa Conectividade Rural é intrinsecamente ligado a um modelo integrado de gestão, que transcende as fronteiras das secretarias estaduais e engloba a participação de diversos atores. O secretário de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, destaca que essa articulação é a espinha dorsal da iniciativa, envolvendo sua pasta, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), a Secretaria da Fazenda (SEFA), além de outros órgãos estaduais e grupos de representatividade do setor privado.
Canziani explica que a Secretaria da Inovação atua como a coordenadora técnica do projeto, assumindo a responsabilidade de consolidar indicadores, realizar análises de cobertura geográfica, processar dados socioeconômicos e elaborar projeções de impacto. Essa função é crucial para determinar as prioridades de implantação da infraestrutura de forma estratégica e eficiente.
“Essa abordagem baseada em evidências garante que os investimentos não sejam arbitrários, mas orientados por critérios claros de necessidade e potencial de impacto”, afirma o secretário. A colaboração entre as secretarias assegura que o programa considere tanto o aspecto tecnológico e financeiro quanto as necessidades específicas do setor agropecuário e o desenvolvimento social das comunidades rurais. Essa sinergia é fundamental para a abrangência e a efetividade das ações.
Impacto Econômico e Social: Transformando a Realidade no Campo
A chegada da conectividade às áreas rurais do Paraná tem gerado um impacto multifacetado, com reflexos significativos tanto na economia quanto na vida social das comunidades. Um levantamento realizado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) aponta um impacto superior a R$ 2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) estadual com a ampliação da conectividade, demonstrando o potencial transformador da inclusão digital para a economia rural.
Na prática, a mudança é sentida diretamente pelos moradores. Cleverson Luiz, residente da zona rural da Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, relata a drástica alteração em sua rotina após a instalação de uma torre próxima à sua casa. “Hoje temos sinal de celular dentro de nossas casas, sendo que antes tínhamos que sair à procura de sinal e andar até dois quilômetros para melhorar a comunicação que depende da internet”, conta.
Os benefícios vão além da comunicação básica. Cleverson destaca o impacto na educação de sua filha: “Minha filha pode estudar e fazer pesquisas pela internet. Antes, a gente precisava ir até a cidade, que fica a 15 quilômetros, só para ela conseguir fazer um trabalho”. A conectividade elimina barreiras geográficas, permitindo acesso a serviços essenciais e oportunidades que antes exigiam grandes deslocamentos. Dzikovicz reforça que a melhoria foi sentida por toda a comunidade, facilitando desde o uso de aplicativos bancários e pagamentos até a comunicação diária, gerando um bem-estar coletivo.
Metas e Projeções Futuras: A Visão de um Paraná Conectado
O Programa Conectividade Rural não é apenas uma iniciativa pontual, mas um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento do Paraná. A meta do governo estadual é ambiciosa: conectar todas as localidades rurais do estado até o término de 2026. Este objetivo reflete a compreensão de que a conectividade é um pilar fundamental para a modernização e a competitividade do agronegócio paranaense, além de ser um direito básico para os cidadãos do campo.
A expansão da infraestrutura continua em ritmo acelerado, com um total contratado de mais de 500 estruturas de transmissão, das quais centenas já estão operacionais. Esse avanço contínuo é resultado direto do modelo de gestão integrada e da inovação na captação de investimentos, que permite que o programa supere os desafios logísticos e financeiros inerentes à cobertura de áreas remotas.
A projeção é que, ao atingir a meta, o Paraná se consolide como um dos estados mais avançados em termos de inclusão digital rural no Brasil. Isso não só melhorará a qualidade de vida dos moradores, mas também abrirá novas frentes para a inovação no campo, desde a agricultura de precisão até a telemedicina e o ensino a distância, consolidando um futuro mais conectado e próspero para o interior paranaense.
Conectividade como Cidadania: Reduzindo Desigualdades Históricas
Para Julio Cesar de Oliveira, o alcance do Programa Conectividade Rural transcende a mera instalação de torres e o fornecimento de sinal. Ele compara a conectividade a elementos essenciais da vida: “Conectividade é como água e oxigênio”. Essa analogia poderosa sublinha a importância fundamental do acesso digital como um direito básico e um vetor de cidadania plena.
Oliveira enfatiza que a ausência de internet impõe uma desvantagem injusta às crianças da área rural, que não conseguem competir em igualdade de condições com as da área urbana. “Uma criança da área rural não consegue competir com uma da área urbana sem internet”, pontua. Cada torre erguida, portanto, representa um passo em direção à equidade e à garantia de oportunidades para todos, independentemente de onde vivam.
A proposta central do programa é reduzir desigualdades históricas entre o campo e a cidade. Ao garantir acesso a serviços básicos, educação de qualidade e oportunidades produtivas, o Conectividade Rural não apenas moderniza o agronegócio, mas também empodera as comunidades, fortalece o tecido social e constrói um futuro mais inclusivo para o Paraná. É um investimento não apenas em tecnologia, mas no capital humano e na dignidade dos cidadãos do campo.