Escalada de conflitos no Oriente Médio paralisa exportações brasileiras de carne halal e eleva custos logísticos.
A crescente instabilidade no Oriente Médio, com o fechamento parcial do Estreito de Ormuz devido a ataques e ameaças a embarcações, está gerando um gargalo logístico sem precedentes para um dos mercados mais estratégicos da pecuária brasileira: a carne bovina halal. O setor, que movimenta cerca de US$ 2 bilhões anuais em exportações diretas para a região, enfrenta agora um cenário de incerteza e aumento expressivo nos custos de frete.
O impacto direto recai sobre as exportações de carne halal, um segmento vital que atende a rigorosas exigências da lei islâmica para o abate e processamento de animais. A interrupção nas rotas marítimas, essenciais para o escoamento de cerca de 95% da carne congelada exportada para a região, ameaça não apenas o faturamento bilionário, mas também a produção industrial e toda a cadeia produtiva da carne bovina no Brasil.
Companhias marítimas já suspenderam novas reservas de contêineres e estão cobrando taxas adicionais, as chamadas “taxas de guerra”, que chegam a US$ 4 mil por contêiner. Essa situação força frigoríficos a considerar a suspensão ou redução da produção de cortes específicos para esses mercados, enquanto aguardam a normalização do transporte. As informações são baseadas em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
O que é a carne halal e sua importância estratégica para o Brasil.
A produção de carne halal (