Os Correios estão prestes a iniciar um ambicioso plano de reestruturação, com o objetivo de levantar até R$ 1,5 bilhão por meio da venda de imóveis próprios. A iniciativa, que faz parte de um plano maior divulgado no fim de 2025, busca principalmente enxugar custos operacionais e reduzir as pesadas despesas com manutenção de bens.
Esses recursos serão cruciais para a modernização da estatal e para o reequilíbrio de suas finanças, que têm enfrentado desafios significativos nos últimos anos. A medida é uma resposta direta à necessidade de gerar caixa e tornar a operação mais eficiente e sustentável a longo prazo.
A venda dos imóveis, confirmada nesta sexta-feira pela estatal, deve começar em fevereiro e é vista como um passo fundamental para mitigar o prejuízo recorde de R$ 6 bilhões apurado apenas até o terceiro trimestre do ano passado, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
Foco na Reestruturação e Redução de Prejuízos
A estratégia dos Correios é clara, otimizar seu patrimônio para sanar dívidas e investir no futuro. A reestruturação visa transformar a empresa, tornando-a mais competitiva no mercado logístico brasileiro, um setor em constante evolução e com alta demanda.
Nesta primeira fase do leilão de imóveis, 21 propriedades serão disponibilizadas de imediato, enquanto outros bens ainda passam por rigorosas etapas técnicas de preparação para a alienação. A estatal assegura que todo o processo segue critérios técnicos rigorosos, garantindo a manutenção do atendimento aos clientes e a universalização dos serviços postais em todo o país.
Os Correios destacaram que a premissa inegociável é a garantia do atendimento aos clientes e parceiros, bem como a manutenção da universalização dos serviços postais em todas as regiões do país, conforme comunicado à Gazeta do Povo. Isso reforça o compromisso da empresa com a qualidade e abrangência de seus serviços.
Detalhes dos Leilões e Imóveis Disponíveis
Os leilões de imóveis serão conduzidos de forma totalmente virtual por uma empresa do Maranhão, facilitando a participação de interessados de diversas regiões. A variedade de bens é ampla, incluindo prédios que já abrigaram agências e complexos operacionais, além de imóveis administrativos, terrenos, pontos comerciais, galpões, lojas e até apartamentos funcionais.
Muitas dessas estruturas tornaram-se excedentes após a realocação de operações para novos endereços, o que justifica a decisão de colocá-las à venda. A primeira etapa dos leilões já tem datas marcadas para os dias 12 e 26 de fevereiro, abrangendo imóveis em diversos estados, como Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso e São Paulo.
Os lances iniciais para esses bens variam significativamente, começando em R$ 14 mil e podendo chegar a impressionantes R$ 190 milhões. Essa diversidade de valores e tipos de imóveis visa atrair um amplo espectro de investidores, desde pequenos empreendedores até grandes grupos imobiliários.
Oportunidades para Investidores e Condições de Pagamento
Vicente de Paulo, leiloeiro oficial da Vip Leilões, empresa autorizada pela estatal para conduzir o processo, descreveu o projeto como de grande porte e com recorrência mensal. Ele ressaltou que a iniciativa amplia significativamente as oportunidades para investidores e reforça o posicionamento da empresa como referência no setor.
Atualmente, a quantidade de imóveis já disponível para alienação supera 60 unidades, e esse número tende a crescer à medida que novos ativos forem liberados. Os pagamentos serão realizados à vista, e há um benefício adicional para quem quitar o valor integral em até 30 dias, recebendo isenção de reajustes no saldo devedor.
Um mecanismo interessante no edital permite os chamados lances condicionais. Isso significa que, mesmo que uma proposta fique abaixo da avaliação inicial, a negociação pode permanecer aberta. A oferta pode ser rapidamente aprovada pelo leiloeiro ou submetida aos Correios, evitando que bons negócios sejam descartados por pequenas diferenças de preço.
Contexto Financeiro e Plano de Recuperação da Estatal
O prejuízo apurado pelos Correios entre janeiro e setembro do ano passado foi quase o triplo do registrado no mesmo período de 2024, que alcançou R$ 2,1 bilhões. A estatal atribuiu esse resultado negativo a uma queda acentuada na receita, especialmente de serviços internacionais, e a um disparo nas despesas operacionais e financeiras.
Essas despesas incluem, notavelmente, passivos judiciais e encargos da dívida, que têm pesado nas contas da empresa. Diante desse cenário, a estatal aprovou um plano de recuperação que contempla a estabilização das receitas e despesas, a reorganização e modernização da operação, e a ampliação da competitividade no mercado logístico a partir de 2027.
O leilão de imóveis é uma peça fundamental nesse plano, buscando não apenas gerar receita imediata, mas também otimizar a estrutura da empresa para um futuro mais sustentável e lucrativo. A expectativa é que a medida contribua significativamente para os objetivos de reequilíbrio e modernização da companhia.